Reportagem Especial | Por Lívia Rangel |  Imagina ouvir de uma menina de 15 anos a seguinte frase: “estou aprendendo a ler”. Esse foi o depoimento da Ester de Oliveira Santos, de 15 anos. E ela fala com muito orgulho dessa vitória. A máscara até tampou o sorriso, mas foi possível ver o brilho no olhar de quem está vencendo a dificuldade de aprendizagem. Um transtorno que traz muitos desafios para a vida da Ester. Mas que não conseguiu esconder o seu talento para desenho e pintura. Ela transforma qualquer papel em branco em uma verdadeira obra de arte à mão livre. E com uma voz tímida e baixinha, ela solta: “sou uma artista”.

Ester tem dificuldade de aprendizagem. Aos 15 anos, está aprendendo a ler. Mas o transtorno não a impediu de desenvolver o seu dom para desenho e pintura.

Sim, Ester. Você é uma grande artista. E isso só é possível graças à política da educação especial inclusiva da rede pública municipal de ensino. E nessa nossa Reportagem Especial você vai conhecer um pouco dessas histórias e desses trabalhos.  Hoje, Guarapari conta com 1.348 alunos com alguma deficiência ou transtorno nas escolas públicas municipais. É o que conta a técnica pedagógica do setor da educação especial da Secretaria Municipal de Educação (Semed), Priscila Simoneli. “As 64 instituições de ensino do município estão aptas para receber os alunos da educação inclusiva”, afirma Priscila.

Ester, por exemplo, estuda de manhã na escola pública municipal Lúcia Sasso Bandeira e uma vez por semana, na parte da tarde, faz acompanhamento com a psicopedagoga Amanda Carvalho Oliveira no Núcleo de Atendimento Educacional Especializado (NAEE) – que é vinculado à Semed. “A gente trabalha as dificuldades de aprendizagem desses alunos e ao mesmo tempo estimula as suas habilidades de forma lúdica com recursos cognitivos que refletem positivamente sobre o desenvolvimento deles em sala de aula”, explica Amanda.

O município segue a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) de 2006 e a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva de 2008. “O objetivo é assegurar à inclusão escolar de alunos com deficiências, transtornos globais do desenvolvimento, altas habilidades/superdotação”, ressalta a técnica pedagógica Priscila. Segundo ela, em Guarapari, tem alunos nas salas de aulas regulares com deficiências intelectuais como dislexia e déficit de atenção, autismo, deficiências visuais e auditivas, Síndrome de Down.

A psicopedagoga Amanda explica que através do jogo “cara a cara” é possível estimular a atenção, a concentração e a percepção da Ester.

Para isso, as escolas contam com uma rede de apoio. “Cada turno tem um professor especialista que acompanha e monitora todo o processo dos alunos desde a adaptação até o desenvolvimento escolar em um trabalho em conjunto com a comunidade pedagógica e a família. Alguns alunos demandam atenção mais específica e contam com o profissional de apoio – ´o cuidador´. Os surdos têm os intérpretes de libras e os cegos, os de braille”, explica a técnica pedagógica do setor da educação especial da Semed, Josimeri Nascimento Lima.

A técnica pedagógica Priscila, a coordenadora do Núcleo, Úrsula, e a técnica pedagógica Josimeri fazem parte da equipe responsável por promover a educação inclusiva em Guarapari.

De acordo com as técnicas pedagógicas, são duas vertentes de trabalho: o colaborativo no ensino regular e o complementar no contraturno com o desenvolvimento de competências e habilidades realizado no Núcleo. Como é o caso do Vítor Oliveira Ribeiro, de 15 anos. De manhã, ele estuda no Ignez Massad Cola. À tarde, faz acompanhamento com a psicopedagoga Mirian Alves. “Estou na rede municipal desde 2010. Mas é o meu primeiro ano no Núcleo. É muito gratificante poder ajudar, servir, abrir portas para alunos tão especiais. Esse retorno positivo é o que faz todo o trabalho valer a pena”. E Vítor aprova: “é muito bom para o meu psicológico. Eu gosto muito de vir aqui, fico mais calmo e aprendo mais”.

Para a psicopedagoga Mirian, é gratificante poder abrir portas para alunos tão especiais como Vítor.

Primeira parte. Gostou dessa primeira parte de nossa Reportagem Especial ? Você sabia que em Guarapari existia esse Núcleo de Atendimento Educacional Especializado (NAAE)? Então acompanhe nosso site, pois nossa reportagem continua amanhã com mais informações desta matéria.

Participe. Quer participar e sugerir matérias para nós ? Entre em contato pelo telefone (27) 99857.2727 ou por e-mail: noticias@portal27.com.br