Quem vê a delicadeza e riqueza de detalhes nem imagina que esses desenhos foram feitos por uma jovem especial. A artista se chama Erilene Guilherme da Silva Rodrigues, de 19 anos, que sonha em um dia fazer uma faculdade de moda.

Vestido é o que a jovem artista mais gosta de desenhar.

Erilene nasceu com distúrbio mental e é aluna da APAE de Guarapari. Ela mora com sua família no bairro Laje das Pedras, no interior, e descobriu o dom de desenhar ainda criança. “Minha mãe me colocou na escola quando eu tinha 6 anos. Eu não sabia ler nem escrever e desenhava tudo ruim. Depois vi que meu primo desenhava alguns personagens e meu pai também desenha em quadros e eu fui começando a me interessar. Comecei a fazer uns desenhos, fui pesquisando na internet e aprendendo e hoje estou nesse nível”, contou a jovem.

Erilene mora com sua família no bairro Laje das Pedras, no interior de Guarapari.

A mãe de Erilene, a dona de casa Irenilda Guilherme da Silva Rodrigues, 51 anos, relatou que descobriu o problema da filha através da professora. “Ela passou três anos sem aprender nada. A professora foi acompanhando e ela não desenvolvia até que ela me chamou e falou que achava que ela tinha um probleminha e falou para levar ela no neurologista. Então eu levei e ele falou que ela tinha esse problema, mas que eu não precisava me preocupar que não era coisa séria. Ele me mandou colocar ela aqui na APAE e ela foi se desenvolvendo”, explica a mãe.

A jovem já fez mais de 100 desenhos dos mais variados e garante que nunca fez nenhum curso. “Peguei essas técnicas procurando e vendo as pessoas fazendo os desenhos. Gosto mais de desenhar vestidos, mas ultimamente faço vários outros desenhos sobre pessoas, caricaturas, desenhos para tatuagens, carros e por aí vai”.

Erilene aprendeu a desenhar sozinha, mas quer fazer um curso para se aperfeiçoar e sonha com a faculdade de moda.

Ela também estuda em uma escola regular e contou que seus desenhos fazem sucesso no colégio. “Meus colegas sempre me elogiam e falam que sou desenhista e fera na aula de artes. Todo mundo me pede para fazer um desenho e dizem que eu desenho bem e eles não sabem fazer nada. Mas eu sempre digo que conseguem sim e que é só tentar fazer que aos poucos eles vão pegando”.

Romero Brito. A artista deixou escapar quem são suas fontes de inspiração. “Eu me inspiro no Romero Brito para fazer as artes, mas não copio. Também me inspiro nas famosas quando faço os vestidos, sou fã da Beyoncé porque ela usa roupas muito bonitas”.

Apesar de ter o dom para o desenho, a jovem contou que gostaria de fazer um curso para aprender mais. “Quero fazer um curso para me aperfeiçoar. Meu aniversário é em maio. Se alguém me desse um curso para eu me aperfeiçoar mais, iria ficar muito feliz e agradecida”.

Faculdade. Ela também sonha em um dia fazer uma faculdade de moda. “Pretendo arrumar uma bolsa e entrar na faculdade para daí ir mais além. Mas para eu ser essa pessoa tenho que fazer mais. Já fiz vários desenhos, que é o que eu gosto, e a faculdade é o que mais quero. Já estou no terceiro ano e vamos ver se consigo me formar e seguir meu caminho”.

“Pretendo seguir em frente e fazer um ateliê um dia, se Deus me abençoar. Não posso dizer que vou conseguir de repente, tudo vai chegar com o tempo porque tudo tem um tempo para acontecer. No ateliê também quero fazer a parte da arte porque eu não quero só fazer vestido, mas arte. Gosto também de pintar no quadro, escolher tintas e cores”, relatou a jovem artista.

Ela também sonha em um dia fazer uma faculdade de moda.

Ela contou que mesmo também gostando de pintar em tela não faz seus quadros por falta de condições financeiras. “Só faço no papel porquê das condições são precárias um pouquinho. Já fiz com tinta guache, mas ela não é boa para isso, tinha que ser tinta própria para tela. Mas aí tenho que me aperfeiçoar mais, mas eu gosto. Crio o desenho no quadro e ali vou tentando fazer minha arte”.

Erilene também afirmou que leva o material para fazer seus desenhos para todo lugar. “Quando vem alguma coisa na minha cabeça tenho que estar com lápis e papel na mão. Onde vou levo até o cavalete, mesmo sem caber na bolsa. Levo o peso, mas levo. Eu também levo não só as folhas brancas, mas os meus desenhos prontos. Gosto de mostrar para as pessoas e ainda tenho esperança, mas não posso ficar só esperando sentada. Vou ficar sentada olhando para o mundo? É ruim hein, não posso ficar de braços cruzados porque daqui um dia vou terminar meus estudos, tenho fé que um dia vou terminar”.

A mãe, pede ajuda para poder dar mais condições aos talentos da filha. “Eu desejo que ela faça uma faculdade, mas é muito difícil para a gente. Se alguém puder ajudar, aí ela vai conseguir. Sinto orgulho dela, mas não posso fazer nada porque não tenho condições. Gostaria que alguém apoiasse minha filha para ela poder desenvolver esse dom”, disse a mãe.

Ela leva o material para fazer seus desenhos para todo lugar.

A professora de Erilene na APAE, Ivanir Carvalho da Fonseca de Castro relatou que na sala de aula ela faz atividades do Atendimento Educacional Especializado (AEE) e depois sempre ganha um tempo para fazer seus desenhos. A educadora também afirmou que mesmo com sua deficiência a jovem pode cursar uma faculdade. “Acredito que uma faculdade na área de desenho ela consegue fazer porque tem muita facilidade de desenhar. Se alguém estiver explicando e orientando, creio que ela é capaz. Aposto nisso”, finalizou.

 

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