Guarapari tem um novo paratleta medalhista, Breno Braga da Costa, de 12 anos. Ele disputou as Paralimpíadas Escolares, em São Paulo, neste final de semana e conquistou três medalhas de ouro na natação.

Breno tem somente 10% da visão periférica no olho direito, e 5% no esquerdo e disputou as Paralimpíadas Escolares pela primeira vez. Foto: Arquivo Pessoal

Breno é deficiente visual e tem somente 10% da visão periférica no olho direito, e 5% no esquerdo. A mãe, Patrícia Costa, contou que eles descobriram a competição através do Instituto Braille, em Vitória. “Eu estava levando ele no Instituto Braille para fazer um curso de mobilidade para aprender andar na rua. Então lá eles me falaram do que havia um projeto de natação no Alvares Cabral. Então achei que essa era uma boa maneira de inclusão para ele, liguei para o técnico e o levei lá para fazer um teste. A gente não tinha nem levado a sunga, ele nadou de calção mesmo e o técnico ficou impressionado. Disse que ele tinha futuro e que já iria inscrever ele para as Paralimpíadas”.

Segundo ela, Breno só havia participado de uma competição aos 8 anos e começou a se preparar para as Paralimpíadas Escolares este ano e mesmo assim conquistou ouro nas três categorias. “Ele disputou 25 metros nado peito, 25 metros costas e 25 metros nado crawl.  E aí ele foi ouro nos três nados”, conta a mãe orgulhosa.

Inicialmente o jovem paratleta iria disputar apenas o nado crawl, mas em São Paulo foi informado de que também competiria nas outras modalidades. “No primeiro dia da competição fiquei sabendo que iria fazer costas e não sou bom. Aí pensei que não iria ganhar medalha. Só que lá o professor me deu uma treinadinha, me ensinou como chegar lá direitinho e ganhei a medalha de ouro. Fui o melhor. Tive um recorde e foi o melhor nado que eu fiz”, contou Breno.

Breno conquistou ouro nos nados peito, costas e crawl. Foto: Arquivo Pessoal

Patrícia contou que Breno era o único representante de Guarapari e ver o filho vencer todas as categorias a deixou extasiada. “Foi uma emoção indescritível. Só dava eu gritando lá de tanta emoção. Fiquei muito feliz”.

“Esta é considerada uma das maiores competições escolares do mundo. É uma organização maravilhosa. Fiquei lá e tive a honra de ver não só ele, mas também os outros atletas. É incrível ver essas crianças, a superação. Esses meninos são guerreiros. É uma pena que aqui em Guarapari não haja oportunidades para eles treinarem, mas vamos ver se com essa vitória do Breno as portas se abram para todo mundo”, afirmou Patrícia.

A mãe disse ainda que antes das conquistas do filho havia o orientado que o importante era participar. “Nós passamos para ele que só o fato dele ir já era uma vitória. Medalha era consequência do esforço dele”.

Breno sonha em disputar as Paralimpíadas como atleta profissional. Foto: Arquivo Pessoal

Ela relatou que como o projeto era em Vitória teve que pagar um professor particular para o filho treinar em Guarapari  e que mesmo assim também foram necessárias algumas idas ao projeto para a preparação de Breno. De acordo com a mãe, todo esse empenho resultou não apenas em medalhas, mas em um desenvolvimento pessoal do Breno. “Ele viajou sozinho e ficou só com a equipe. Eu estava lá, mas não ficava com ele. Tudo era feito com a equipe. Ele teve contato com crianças com problemas maiores do que o dele e acho que teve um crescimento. Ele percebeu que se os outros podiam, ele também poderia. E também que ele teria que conquistar tudo sozinho. Foi bom para a autoestima dele”.

Breno revelou o seu novo objetivo. “Estou querendo participar, mas ainda não posso porque sou muito pequeno. Eles vão para Tóquio em 2020, mas ainda quero disputar os Jogos Paralímpicos”.

De acordo Patrícia, ao todo a competição contou com a participação de 944 paratletas de 12 a 17 anos, sendo 31 do Espírito Santo. Entre os esportes disputados estavam atletismo, bocha, futebol de 7, goalball, judô, natação, tênis de mesa, tênis de cadeira de rodas, futebol de 5 e vôlei sentado. Mas o Estado só disputou natação, atletismo, tênis de mesa e bocha e ficou entre os 10 primeiros estados colocados. “Foram representados os 27 estados do Brasil e o Espírito Santo ficou em 8º lugar no ranking de medalhas. Acho que essa foi uma boa colocação para o Estado”.

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