O problema da falta de guarda-vidas nas praias de Guarapari é antigo. Além da falta de pessoal, faltam abrigos adequados e equipamentos em quantidade suficiente para um bom atendimento aos banhistas.

E para piorar a situação, no último mês cerca de dez guarda-vidas que foram convocados para trabalhar depois de uma decisão judicial ficaram apenas uma semana no cargo e foram dispensados.

“Nós assinamos os contratos e começamos a trabalhar, mas cerca de sete dias depois o RH da prefeitura entrou em contato conosco e disse que não era para nós irmos mais trabalhar. Ficamos sem entender o que aconteceu, já que o juiz determinou que nós trabalhássemos”, contou João Victor Ferreira Bastos, 25 anos.

João e Thiago foram convocados, mas oito dias depois de começarem a trabalhar, foram dispensados. Foto: João Thomazelli/Portal 27
João e Thiago foram convocados com outras dez pessoas, mas oito dias depois de começarem a trabalhar, foram dispensados. Foto: João Thomazelli/Portal 27

Assim como João Victor, outros nove guarda vidas foram dispensados logo depois de começarem a trabalhar. E até agora eles não sabem os motivos, já que nenhuma decisão contrária da Justiça foi comunicada.

“O que nós queremos aquilo que o juiz determinou. Que nós possamos trabalhar. Está morrendo gente na praia por falta de guarda-vidas e vai piorar, porque as férias estão chegando e muita gente vem para a cidade’, conta Thiago Mendes da Silva, 27 anos.

Os guarda-vidas foram dispensados cerca de sete dias depois de começarem a trabalhar.
Os guarda-vidas foram dispensados cerca de sete dias depois de começarem a trabalhar.

Thiago contou ainda no último fim de semana, três pessoas estavam se afogando na Praia do Morro e apenas um guarda-vidas estava no local. Surfistas tiveram que o ajudar a tirar os banhistas da água.

Entenda o caso

No ano passado, o edital para seleção dos guarda-vidas temporários previa, em um dos itens de eliminação, uma investigação social. Nesta pesquisa era feita uma verificação sobre vários aspectos da vida social do candidato. Um destes aspectos era o caso do candidato à vaga de guarda-vidas ter algum boletim de ocorrência policial em seu nome, mesmo que ele não tivesse sido julgado e condenado. Em caso positivo, o candidato seria eliminado, da mesma foram se ele estivesse com o nome no Serviço de Proteção ao Crédito.

Os candidatos eliminados por estes parâmetros ingressaram com um processo na Justiça questionando a constitucionalidade desta prática. Em 11 de abril a Vara da Fazenda Pública da Comarca de Guarapari concedeu liminar obrigando a prefeitura a contratar os candidatos desclassificados com base nestes itens.

Falta de guarda-vidas é um problema comum no município. Foto: João Thomazelli/Portal 27
Falta de guarda-vidas é um problema comum no município. Foto: João Thomazelli/Portal 27

Já em 8 de junho deste ano a Secretaria de Saúde convocou os doze candidatos para se apresentarem na sede da secretaria para assinarem os contratos e começarem a trabalhar. Mas uma semana depois eles foram dispensados.

A Prefeitura de Guarapari

A reportagem do Portal 27 entrou em contato com a prefeitura de Guarapari para saber os motivos da contratação e, em seguida, a demissão dos guarda-vidas. Em nota a prefeitura respondeu que:

“A Ordem Judicial apenas determinava que os candidatos fossem reintegrados à fase de análise de vida pregressa do processo seletivo. O processo seletivo com cargos de natureza temporária objetivou atender a alta temporada 2015/2016, ou seja, admitidos por necessidade excepcional e transitória. Assim, o Município cumpriu a decisão judicial, entretanto, tornou-se objeto perdido”.

A prefeitura informou ainda que “hoje o município dispõe de 30 profissionais de salvamento marítimo distribuídos de acordo com a demanda e histórico de ocorrências de cada praia”.

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