Na tarde desta sexta-feira (14) o bombeiro hidráulico Bruno Couto Moreira, de 27 anos, foi preso e é acusado de roubar a casa de um corretor de imóveis, de 63 anos, na Praia do Morro, e torturá-lo por três horas.

Bruno foi preso na casa de sua esposa no Itapebussu e no local os agentes da Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio encontraram o celular e os cartões de crédito da vítima. Segundo a polícia, ele confessou e mostrou onde estava a arma usada no crime, uma espingarda de cano cortado.

Bruno confessou o crime, mas negou ter agredido a vítima.

O crime aconteceu por volta de meia noite desta terça-feira (11). Bruno escalou cinco metros até o terceiro andar e invadiu a casa. O corretor, que preferiu não ser identificado, mora com o filho de 10 anos, mas no dia do assalto estava sozinho. Ele relatou que estava assistindo um programa esportivo quando sua casa foi invadida. “Eu estava assistindo a reportagem após o jogo de futebol. Só que senti frio e fui no quarto pegar uma blusa e quando entrei quase trombei nele. Ele já estava vasculhando uma documentação. Eu me assustei e acho que ele também, mas logo em seguida ele me apontou a arma e falou para eu não falar nada porque se não, iria atirar”.

“Ele mandou virar e me algemou com uma presilha dessas brancas que se compra em loja de material de construção, e com uma arma apontada e gatilho puxado também me amordaçou. Ele ainda me mostrou na mochila dele um kit de fazer isso com as pessoas. Tinha corda para amarrar e mais um monte de coisas”, relatou o idoso.

Tortura. A vítima disse ainda que foi torturada por Bruno. “Ele falou que não sairia dali com menos de cinco mil. Se fosse sair dali com menos que isso, me mataria. Eu disse que cinco mil eu não tinha e o dinheiro que tinha era o que estava na minha carteira. Deu entre 400 e 500 reais e ele achou muito pouco e me torturava. Coloca a arma nas minhas costas, apertava e chegou até a sangrar e ainda ameaçava atirar. Ficou de 15 para meia noite até duas e meia me torturando querendo que eu apresentasse mais dinheiro porque não ficou satisfeito com o que pegou”.

Segundo o corretor, além do dinheiro o homem ainda roubou o seu celular e cinco cartões e continuou a tortura. “Ele achou os cartões e se eu não falasse a senha iria estourar os meus miolos. Ele disse olha vou contar um, dois, três e se eu chegar falar o três, vai uma bala junto. Então ele falou um e dois e eu acenei com a mão porque estava amordaçado, depois falei as senhas. Algumas eu falei certo e outras tive que inventar porque se eu não falasse as duas senhas de cada cartão, ele estourava os meus miolos”.

Arma usada por Bruno para cometer o crime.

“Eu me assustei com a forma que ele estava vestido. Ele estava com a camisa do Grêmio amarrada na cabeça, tinha duas manchas na perna e estava muito drogado. Meu medo era ele esbarrar o dedo no gatilho porque ele estava muito nervoso”, disse a vítima.

O idoso contou que o ladrão também fez ameaças ao seu filho. “Os cartões ele me falava que se eu bloqueasse ou tivesse falado a senha errada ele iria voltar na minha casa e me matar e se eu não estivesse, ele matava o meu filho, que ele disse que conhecia muito bem”.

Informações. A vítima acredita que o homem recebeu informações de alguém. “Acredito que uma pessoa que já trabalhou aqui em casa passou as informações porque ele foi direto onde eu guardo minhas coisas e dinheiro. Lá tem mais de 20 cômodos entre quartos, suítes e kitnets então ele só foi nos lugares onde tinha as coisas”.

Na prisão Bruno confessou ter cometido o assalto. “Entrei na casa dele de madrugada e rendi ele. Depois amarrei os braços dele e amordacei. Eu estava armado, mas só que não tinha bala. Depois fiz o procedimento”. Mas negou as agressões. “Ele falou para o delegado que bati nele e em momento nenhum encostei a mão nele. Ele estava toda hora rezando para mim e para ele, para eu não fazer o que eu estava fazendo com ele. Agora se ele falou que encostei a mão nele, está melhor do que eu para falar porque eu estou preso”.

Arrependimento. Ele também disse que não recebeu informações de ninguém. “Queria só o dinheiro. Eu sabia que tinha porque ele é corretor de imóveis”. Preso ele diz estar arrependido. “Fui na casa dele sim porque estava drogado, bêbado e briguei com minha esposa. Então fui lá e fiz o que fiz.  Mas agora vi minha esposa chorando ali e quando os policiais entraram lá dentro de casa e bagunçaram tudo minha filha de três anos ficou olhando. Então de verdade deu um arrependimento grande e nunca mais faço isso na minha vida”.

Segundo o delegado da Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio Marcus Nery, o bombeiro hidráulico foi autuado por posse de arma de uso restrito e o delegado não decretou nenhuma fiança. Bruno será encaminhado para o Centro de Detenção Provisória (CDP) na manhã deste sábado (15).

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