Ela tem 36 anos, mora em Muquiçaba e trabalhava em um comércio na Praia do Morro. Sua vida seguia um rumo comum, até que ela engravidou de seu quarto filho. O pequeno bebê, de apenas quatro meses, nasceu com uma das doenças mais comentadas e preocupantes dos últimos meses. A microcefalia.

A pedido dela, não divulgaremos seu nome, fotos ou o nome do bebê. “Eu prefiro manter a minha vida assim. Manter a minha privacidade e dar o melhor que eu puder para o meu filho”, diz ela, segurando o neném que dorme tranquilamente em seu colo.

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A pedido dela, não divulgaremos seu nome e nem o do bebê. “Eu prefiro manter a minha vida assim”, diz ela. Foto: Ilustrativa

A história dessa mãe, começa com ela tendo uma crise alérgica, da qual acreditava ser apenas mais uma das várias que teve. “Fiquei toda inchada, tomei meu antialérgico, mas continuei com inchaços. Daí descobri que havia pegado zika vírus”, disse ela desconfiado que a fonte seja o terreno de um vizinho no bairro onde mora.

“Logo depois descobri que já estava com 6 meses de gravidez. Eu nem desconfiava que estava grávida, engordei pouco e não tive os sintomas”, comenta ela, explicando também que ficou grávida de um namorado, que não está mais com ela, mas fornece toda ajuda que pode.

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“Eu nem desconfiava que estava grávida, engordei pouco e não tive os sintomas”. Foto: Ilustrativa

Confirmado. Na semana passada (13), pesquisadores do órgão de controle epidemiológico dos Estados Unidos, o CDC, publicaram um estudo confirmando a relação entre a infecção pelo vírus zika em mulheres grávidas e problemas de má-formação congênita em bebês, como a microcefalia.

Ela fez todo o pré-natal pela rede pública municipal, onde descobriu a má-formação no crânio do bebê. Segundo ela, durante esse tempo e mesmo após o nascimento, nenhum médico falou em microcefalia. “Eu desconfiava, tinha ouvido falar muito dessa doença. Mas no hospital onde ele nasceu, ninguém falou nada”, disse a mãe, que teve o bebê no Hospital Francisco de Assis (HFA) em Guarapari. “Só tive a confirmação quando o médico do hospital infantil de Vitória escreveu Microcefalia na ficha do meu filho. Foi um impacto na minha vida”, afirma.

Ainda de acordo com ela, seu filho é o primeiro caso de Microcefalia de Guarapari. “Meu filho é o primeiro caso detectado. Sei que existem outros, mas o meu certamente é o primeiro, mesmo eu não recebendo o laudo da confirmação até hoje”, disse.

Apoio. Segundo essa mãe, a Secretaria Municipal de Saúde não entregou o laudo e muito menos entrou em contato para oferecer alguma ajuda ou apoio. “Eu até prefiro assim. Tenho conseguido uma ajuda muito boa da Pestalozzi e feito todo tratamento no hospital infantil de Vitória. Lá tenho todo apoio que necessito”, disse ela.

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“Tenho conseguido uma ajuda muito boa da Pestalozzi e feito todo tratamento no hospital infantil de Vitória. “.Foto: Ilustrativa

A mãe explica que em Guarapari não existe nenhum apoio especializado para tratar crianças com Microcefalia. “Os médicos que me atenderam aqui nem sabiam como proceder. Foi muito difícil no começo, o bebe só chorava, chorava. Hoje graças a Deus e com o apoio dos médicos do hospital infantil, ele está bem melhor”, afirma ela balançando e beijando o bebê, que permaneceu dormindo durante toda a conversa com o Portal 27.

Determinada a criar o filho com todo amor e carinho, a mãe diz estar preparada para os desafios. “Deus não dá um fardo maior do que a gente possa carregar”, diz emocionada. “Ele é o meu amor, o amor dos irmãos dele e dos nossos vizinhos. Vou lutar para dar o melhor a ele”, afirma ela, que atualmente sobrevive do seguro desemprego “que já está chegando ao fim”, diz.

Desempregada e com um filho que necessita de cuidados especiais, ela sabe que a batalha apenas começou, mas mostra que sua força de vontade e seu amor são infinitos.

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