Uma história de luta e superação. Assim é a vida da professora Gabrielle Werenicz Alves, 34 anos, que busca apenas um tratamento digno para o filho Ulysses, de cinco anos, que foi diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Depois de batalhar muito para conseguir isso, a mãe da criança trava uma disputa contra o Estado para continuar trabalhando e cuidando do filho deficiente.

Gabrielle luta para conseguir dedicar mais tempo ao filho autista.

Após ser aprovada em um concurso público do Estado, Gabrielle e sua família precisaram se mudar para Domingos Martins, município no qual ela foi designada a atuar. Na época, Ulysses tinha apenas dois anos e meio e recebeu o diagnóstico. Desde então, a mãe do menino fez algumas tentativas de conseguir um tratamento adequado para que seu filho pudesse superar as dificuldades e amenizar as características do autismo.

“Busquei terapia adequada para meu filho, sem obter sucesso. Não tive como arcar com os custos de um tratamento particular para todos os profissionais e especialistas de que Ulysses necessita. Tentei o SUS. Ulysses foi rejeitado por seus profissionais por precisar de um tratamento de longo prazo e cuja evolução é muito lenta”, conta Gabrielle.

Ulysses foi diagnosticado com autismo aos dois anos e meio.

A professora ainda tentou vaga na Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Domingos Martins, mas o menino também foi rejeitado no local, que tem como prioridade crianças com múltiplas deficiências. Sem pensar em desistir, a mãe do pequeno Ulysses também procurou a Associação Pestalozzi de Marechal Floriano, que o aceitou de prontidão. No entanto, o local tinha poucos recursos financeiros e materiais, além de não ter profissionais especializados para a idade e o problema que a criança possui, tendo pouco a contribuir para a evolução dele.

Guarapari. Ao ficar sabendo do trabalho realizado pela Pestalozzi de Guarapari, que é vista como referência e possui todos os recursos e profissionais necessários para o atendimento de pessoas com deficiência ou algum tipo de transtorno, Gabrielle resolveu solicitar à Secretaria de Estado da Educação (Sedu) sua transferência para dar aulas na cidade. Em novembro de 2015, seu pedido foi finalmente atendido e ela se mudou para Guarapari.

“No início de 2016, consegui a tão sonhada vaga para meu filho na famosa Associação Pestalozzi de Guarapari. O local possui atendimento especializado para a idade e o transtorno que ele possui, com ênfase no tratamento clínico, que é gratuito e centrado em um único local, através dos seguintes profissionais: fonoaudióloga, psicóloga, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, psicopedagoga, psiquiatra infantil, neurologista, além de pediatra especializada no atendimento a crianças com deficiência. A instituição conta com material diversificado e recursos especializados no tratamento de crianças com autismo, recursos não existentes em Marechal Floriano”, explica.

Gabrielle percebe nitidamente a evolução de seu filho desde quando este começou a frequentar a Pestalozzi de Guarapari, mas agora ela enfrenta uma luta contra a Sedu para não ver Ulysses regredindo: no início deste ano, a servidora foi enviada de volta para atuar em Domingos Martins. De acordo com a professora, o órgão afirma que ela não possui uma justificativa plausível para permanecer na Cidade Saúde.

Em quase um ano e meio de acompanhamento na Pestalozzi de Guarapari, Ulysses já apresenta evolução.

Atualmente, ela precisa pegar a estrada todos os dias para trabalhar, e assim perde horas que poderiam ser dedicadas ao filho e suas dificuldades. Ela, então, encara o dilema de continuar com essa rotina desgastante, sendo impedida de passar mais tempo com Ulysses, ou se mudar novamente para Domingos Martins com o filho, separando-o do pai, que é servidor público efetivo de Guarapari, e colocando fim a terapia e expectativa de progresso da criança, que já está conseguindo superar dificuldades e limitações.

Segundo Gabrielle, um mandado de segurança foi expedido pela Justiça no dia 23 de março, solicitando que a professora seja transferida de volta para Guarapari, mas, até então, a Sedu não havia dado nenhum posicionamento sobre o caso. “Enquanto muitas mães de crianças deficientes largaram tudo para dar atenção total ao filho, eu continuo insistindo em trabalhar. Apenas isso. Trabalhar próximo do meu filho, da minha família. Nada mais”, finaliza.

Vitória

Após viver toda essa angústia, parece que a mãe do Ulysses está bem perto de conseguir voltar a lecionar em Guarapari e, assim, passar mais tempo com o filho. Em busca de uma solução para o problema enfrentado pela professora, nossa equipe procurou a Sedu, para saber o motivo pelo qual Gabrielle ainda não havia conseguido sua transferência. Em nota, o órgão respondeu que “a Secretaria de Estado da Educação (Sedu) informa que recebeu a solicitação da professora Gabrielle Werenicz Alves e será feita a transferência para Guarapari”.

Deixe seu comentário

Comments are closed.