Um protesto contra a manifestação dos familiares de policiais foi organizado nas redes sociais e na manhã desta terça-feira, dia 07 de fevereiro, a população de Guarapari atendeu ao chamado e se reuniu em frente ao 10 º Batalhão da Polícia Militar.
Logo no início da manhã aconteceu uma confusão entre um casal de idosos, que não quis se identificar, e os policiais. Eles afirmaram que estavam indo para farmácia quando começou a discussão. “Nós estávamos indo na farmácia e comentamos que achamos irregular essa situação, as pessoas rindo do lado de cá e a população chorando. Aí o cara veio para cima de mim e dela e machucou ela. Pode?”, questionou o idoso.

A senhora de 58 anos que diz ter sido agredida afirmou que “eles são covardes. Colocam crianças e mulheres de frente. Eles é que tinham que estar ali, mas não estão porque isso é irregular”. Ainda muito nervosos o casal de idosos foi amparado por uma das esposas dos PM’s, que está fazendo a manifestação pelos direitos dos policiais.
Uma jovem que passava em frente ao acampamento das famílias com um bebê no carrinho também se mostrou contra a manifestação dos familiares dos PM’s e afirma que foi hostilizada por eles. “Falei o filho de vocês tenho certeza que estuda em escola particular, o meu não. Eles responderam me mandando tomar Gadernal, eu não tomo esse remédio e sei muito bem do que estou falando. É posto que não funciona, escola, gente morrendo e tudo sendo arrombado. Fica essa vergonha. Eles tinham que estar na rua”.
Ao longo do dia dezenas de pessoas foram para frente do batalhão protestar contra a falta de policiamento. Eles fecharam a rua impedindo a passagem de veículos e os policiais que não estão de serviço fizeram um cordão de isolamento na frente das barracas onde seus familiares estão acampados para evitar que fossem agredidos.
Indignadas com a falta de segurança na cidade as pessoas discutiam com os policiais e exigiam a volta do policiamento. A agente comunitária de saúde estava entre os manifestantes e afirmou que a população está sofrendo com a imprudência do Estado. “Sou profissional da saúde e todos nós estamos sendo mal pagos. Nunca vi isso acontecer aqui em Guarapari. Meus dois filhos estão presos dentro de casa sem conseguir ir para escola, eu não consigo ir trabalhar. A população está sofrendo, tem gente doente em casa porque não consegue chegar no pronto socorro. É uma vergonha. Essas pessoas que estão com saúde, mas tem gente aqui fora morrendo, mulheres sendo estupradas e microempresários perdendo tudo”.

O professor Victor Hanges pediu para aos manifestantes para que não houvesse violência durante o protesto. “São quatro dias em casa. A população está em cárcere privado. Além da população, a Polícia Militar também está em cárcere e não é isso que a gente quer. Queremos um acordo do governo com a polícia, a gente não quer embate com a família dos policiais militares em nenhum momento. O que a gente precisa é entrar em um acordo com a família dos policiais militares para depois ir até o governo pedir para que este impasse acabe. A população cansou já são quatro dias em casa. Meu filho não pode ir para escola, eu não posso sair para comprar um pão, a população não consegue sair sem ter medo”.
O comerciante Valdo Alves afirmou que estava ali para tentar negociar a volta do policiamento. “A realidade é que polícia está em greve, não as mulheres. Nosso objetivo é negociar com eles e ver se tenham um pouquinho de consideração pela população e voltem a trabalhar. Nós não engolimos greve de mulher de policial. Acho que eles tem negociar com o governador. O povo não pode ficar pagando com a vida. São 63 mães chorando e aí como que fica? Será que quando os médicos fizerem uma greve e colocarem as esposas na porta do batalhão eles vão aceitar? É isso que queremos saber deles”.

A professora Nilvinete Brandão Chagas lembrou que a população não é contra a manifestação das esposas dos policiais, mas sim da forma que ela está sendo feita. “Não somos contra o movimento, mas a maneira em que ele está sendo realizado porque nós não temos nada com isso meu imposto é pago. Essa é uma situação que não apoiamos, se forem para o governo exigir seus diretos nós vamos com eles porque sabemos das dificuldades, agora dessa forma com a população sitiada dentro de casa não. Isso é muito sério, isso é uma bagunça, é brincar com a população. Uma falta de respeito com nós que somos as maiores vítimas disso”.
Para evitar que mais confusão acontecesse a Polícia Civil esteve no local e o delegado Marcos Neri propôs que a formação de uma comissão de quatro pessoas da manifestação da população e quatro das esposas dos policiais para se reunirem como comandante do batalhão para tentar resolver o problema.











