Mais uma vez o Rio Una, na região norte de Guarapari, amanheceu com uma tonalidade diferente e os peixes desapareceram do local. As âncoras dos barcos ficaram brilhando e alguns pescadores sentiram uma certa coceira nas pernas ao entrarem na água.

pescador do rio una
“Estamos vivendo um pesadelo e dá vontade de chorar todas as vezes que vemos o rio nessa situação”, disse o pescador

Elson de Euclécio, 76, um dos pescadores mais antigos disse que é triste se deparar com a situação mais uma vez. “Desde que a água começou a apresentar essa coloração amarelada, os peixes foram sumindo daqui. Muitos foram encontrados mortos e os camarões, siris e o sururu que pegávamos nas pedras desapareceram. Estamos vivendo um pesadelo e dá vontade de chorar todas as vezes que vemos o rio nessa situação”.

O pescador diz não saber ao certo o que deixa a água amarelada, mas acredita que seja algo tóxico. “Já percebemos que as âncoras ficam limpas e se entrarmos na água dá uma coceira danada. Acredito que seja algum produto químico usado por quem vive na margem do rio”.

GEDSC DIGITAL CAMERA
Rio Una em Guarapari começou a apresentar coloração amarelada há mais de dois anos.

O problema além de ecológico, está se tornando econômico também. Pescadores artesanais do bairro pescavam suas iscas ali, mas com a morte dos peixes, eles não encontram mais nada na desembocadura do rio. Os moradores também questionam o fato do rio apresentar essa coloração diferente vez ou outra e não ter respostas dos órgãos ambientais sobre o que se trata.

O artesão de 62 anos que mora às margens do rio há três décadas conta que desde que a tonalidade da água começou a mudar, algumas coletas da água foram feitas, mas até hoje não houve resultados. “Precisamos o resultado imediato para tomarmos nossas atitudes como comunidade”, alerta José Salustiano.

coleta-da-aguaO outro lado. A Secretária Municipal de Meio Ambiente disse que a última coleta de água e de sedimentos do rio para análise aconteceu no mês de outubro e aguarda o resultado dos estudos para descobrir o que está acontecendo com o rio.

O Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) disse que esteve no local, fez a coleta da água bruta e constatou nas amostras que a mancha é proveniente do material existente no próprio solo do local, e informou ainda, que vem atuando com os estudos junto ao município.

Deixe seu comentário