Com a expansão do mercado de cervejas artesanais, a recomendação de cultivares de cevada cervejeira com bom potencial produtivo no Espírito Santo pode se tornar uma nova alternativa tecnológica para os agricultores.

Visando dar mais estimulo a esse mercado, uma pesquisa desenvolvida pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), coordenada pelo pesquisador e Doutor em Agroecologia da Instituição, Jacimar Luis de Souza e com o apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), avaliou o comportamento agronômico e a qualidade de três cultivares de cevada, no município de Domingos Martins, no ano de 2017.

Espírito Santo pode se tornar uma nova alternativa tecnológica para os agricultores.

As três cultivares de cevada avaliadas foram: “cv. BRS Kalibre”, “BRS Brau” e “BRS Sampa”, são oriundas do programa de melhoramento genético da Embrapa-Trigo, na região serrana do Estado, localizadas em uma altitude de 950m.

Jacimar Souza contou que atualmente a produção de cevada está concentrada na região Sul do Brasil, entretanto, a Embrapa, por meio do seu programa de melhoramento genético, tem desenvolvido cultivares de cevada com potencial produtivo para outras regiões brasileiras, como locais de altitude do sudeste brasileiro.

O programa enfoca o melhoramento genético para cevada cervejeira que possuem duas fileiras de grãos nas espigas, que são aquelas mais eficientes para a produção de cerveja. Cultivares com 6 fileiras de grãos são mais utilizadas para alimentação animal e humana.

Segundo o pesquisador, os níveis de produtividade de grãos obtidos foram satisfatórios comparados aos rendimentos observados em outras regiões.

“O número de grãos por espiga não se diferenciou entre as cultivares, mas o peso de mil grãos variou significativamente, com destaque para a cv. BRS Kalibre, com média de 59,3 g, contra 55,6 g e 51,8 g das cultivares BRS Brau e BRS Sampa, respectivamente. Os níveis de produtividade surpreenderam em relação a outras regiões, com médias de 4.870, 4.977 e 5.593 kg ha-1 para as cultivares BRS Sampa, BRS Brau e BRS Kalibre”, explicou.

A pesquisa também mostra que os grãos de cevada mostraram-se adequados à transformação em malte cervejeiro, uma vez que todas as cultivares apresentaram mais que 85% dos grãos classe 1 (maior que 2,5mm), poder germinativo acima de 95% e teores de proteína na faixa de 9,0 a 12,0%.

Malte de cevada

Segundo informações de um estudo sobre o melhoramento de espécies cultivadas, da Universidade Federal de Viçosa (UFV), o mercado de cervejas artesanais tem crescido muito nos últimos anos no Brasil, aumentando a demanda por insumos, especialmente pelo malte de cevada, considerado a base do sistema produtivo.

O vice-presidente da Associação dos Cervejeiros Artesanais do Espírito Santo (ACervA – ES), o empresário Lucas Lacerda, lembrou que a expectativa para o cenário cervejeiro nos próximos anos é que ele cresça cada vez mais, inspirando-se no mercado americano, afim de buscar o equilíbrio das vendas de cervejas comerciais do país.

“A produção de insumos cervejeiros é, em sua grande maioria, importada. E já que a cevada é um commodity, ou seja, mercadoria, trata-se de um produto que é cotado em dólar e, por este motivo, é encarecido no Brasil. Já existe uma produção de cevada de malte nacional, porém ainda é incipiente e com o aumento da produção existiria uma relativa baixa do custo no Brasil, aquecendo o mercado e tornando a bebida um produto mais acessível. Contudo, é preciso investir em maltearias para transforma-la em malte que é a matéria prima para cerveja”, lembrou Lacerda.

Em junho deste ano, um campo demonstrativo da cultivar mais produtiva, a BRS Kalibre, foi plantado na área experimental da Unidade de Agroecologia do Incaper, e já está em fase de formação de espigas. Interessados podem visitar a Unidade.

Para mais informações sobre a pesquisa, basta acessar o link da Biblioteca Rui Tendinha: https://bit.ly/2mbl8Z0

Texto: Tatiana Toniato Caus

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