Com os constates furtos e roubos de aparelhos celulares em Guarapari, a Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (Depatri) deu início a Operação Androide para investigar como os telefones eram desbloqueados.

No último dia 12, a polícia descobriu um laboratório, em Muquiçaba, em que o serviço era feito, prendeu temporariamente um técnico de eletrônica e informática, de 32 anos, que desbloqueava os telefones. Além dele, foram detidos dois lojistas que comercializavam os aparelhos roubados. 

Durante a Operação Andróide dois lojistas e um técnico em eletrônica e informática foram presos preventivamente. Foto: Rafaela Patrício

O delegado da Depatri Marcos Nery, afirmou que a operação Androide teve início após o assalto de duas lojas de varejo na cidade. “O criminoso se chama Almir. Ele roubou Piúma, Iconha, Anchieta e veio roubar aqui também. Aí ele foi preso e nós começamos a desenvolver a operação para identificar quem são os receptadores então chegamos a esses lojistas e descobrimos que quem fez o serviço foi o técnico de eletrônica e informática”.

De acordo com Nery, a operação durou 45 dias. Diversas pessoas foram intimadas a comparecer à delegacia para prestar depoimentos e as investigações resultaram na apreensão de 50 aparelhos celulares, sendo que parte já foi devolvida aos proprietários. “Aqui estão aparelhos que estavam em uso pelas pessoas que os compraram com um preço menor. Eles foram roubados de duas lojas da cidade há dois ou três meses”.

Além dos celulares, a polícia também apreendeu os equipamentos usados no crime. “Foram apreendidos box para acesso a software de celular, pen drives com chips para acesso de celular e fazer a conta Google que permite a reutilização do celular e diversos celulares”, disse o delegado.

Box e pen drives usados para desbloquear os aparelhos. Foto: Rafaela Patrício

Ele explicou como o desbloqueio era feito. “Nós descobrimos que existia uma forma de desbloquear esse celular. Seja através de resetar aquele aparelho e, infelizmente, isso é ensinado pela internet, seja através de burlar outro sistema de segurança. Por exemplo, a Apple mantém um sistema de segurança bastante seguro que funciona através do bloqueio de senha e através do sistema ICloud. Já o android, mantém uma conta Google e a partir do momento em que o aparelho é resetado só vai poder ser registrado em nome de outra pessoa se ela tiver o nome e a senha da conta Google, ou se ela tenha o aparelho que foi indicado no momento que registrou. Para tornar esse aparelho bloqueado utilizável e ser revendido existem máquinas que se chamam box e pen drives que com alguns tipos de chips servem para acessar o sistema daquele aparelho e desbloquear a conta Google”.

Ainda de acordo com o delegado, o esquema também era usado para fraudar as seguradoras. “A pessoa contratava um seguro e um tempo depois para tirar vantagem chega na delegacia dizendo que o parelho foi furtado ou roubado. Esse aparelho vai ser bloqueado pela operadora e ela vai ganhar outro. Mas ela quer ganhar vantagem e utilizar aquele antigo dela também então ela procura esse pessoal para desbloquear o telefone e fica com dois celulares”.

Nery alertou para o risco de armazenar informações pessoais nos telefones. “Nós passamos a entender o risco que as pessoas correm não só de ter o aparelho furtado ou roubado, mas principalmente de ter os dados daquele aparelho sendo acessado por outra pessoa. Já que ao prestarem esse serviço ilícito, elas podem acessar fotos íntimas, da família, dados bancários e privados. Então nosso alerta é para que as pessoas tenham o máximo de cuidado com o que vão manter no celular, principalmente, em aparelhos com sistema Androide”.

Compra na internet. E também advertiu sobre a compra de telefones pela internet. “Tomem muito cuidado quando forem adquirir produtos em sites como OLX, Mercado Livre e grupos de Whatsapp ou Facebook porque são canais em que, infelizmente, ladrões e receptadores utilizam para revender aquele bem. Por vezes elas utilizam celulares com cadastros falsos e nunca mais serão achadas. Quem comprou não vai ter o recibo, a polícia vai intimar e irá ficar no prejuízo, além de responder criminalmente”.

“As pessoas que adquiriram produtos de origem de furto ou roubo serão comunicadas à justiça”

 “Não adianta querer cobrar da polícia ou de político se a gente não fizer a nossa parte. Só existe o crime de furto, roubo e latrocínio (roubo seguido de morte) porque existe quem compra. E quem compra não são pessoas taxadas de criminosas, são pessoas comuns, que estão cometendo um crime e incentivando o furto e roubo”, afirmou Nery.

Autuações. De acordo com o delegado, todos os envolvidos neste tipo de crime vão ser penalizados de alguma forma. “As pessoas que adquiriram produtos de origem de furto ou roubo serão comunicadas à justiça e ao membro do Ministério Público que poderá entender pelo crime de receptação dolosa e receptação culposa. O lojista e o técnico de informática que pega o celular para consertar ou revender pode responder por receptação qualificada, cuja a pena é de 3 a 8 anos de reclusão. Já a pessoa que compra o objeto sabendo que ele é de origem ilícita responde por receptação dolosa e a pena é de um a 4 anos porque é um crime de médio potencial ofensivo. Já a pessoa que compra em dúvida se o telefone é de origem ilícita poderia desconfiar e pode responder também por receptação culposa. Então dificilmente a pessoa escapa de uma responsabilidade penal”.

Reunião com lojistas. Na manhã desta terça-feira (26) Nery também se reuniu com lojistas para alertar sobre o risco de adquirirem produtos roubados. “Tem uma frase que diz que devemos orientar o responsável, corrigir o irresponsável e neutralizar o incorrigível. Essa é a missão da polícia então nós estamos no momento de orientar os responsáveis pelas lojas em Guarapari que trabalham com acessórios e fazem também a manutenção para fazerem um cadastro toda a vez que forem prestar um serviço preenchendo o nome da pessoa que está indo lá levar um aparelho celular e que nele ela declare que aquele telefone não é de origem ilícita”.

O delegado disse ainda que pretende implementar um serviço de troca de informações entre a polícia e os lojistas. “Também pretendemos fazer um serviço de troca de informações com os IMEI’S dos aparelhos para que o lojista possa consultar o banco de dados dos aparelhos cadastrados no sistema de delegacia online da Polícia Civil onde se cruzar dados daquele aparelho, o lojista vai poder saber se aquele celular é produto de furto ou roubo de forma imediata”.

O lojista Valkimar Moreira esteve presente na reunião e afirmou que “achei interessante e agora a própria sociedade vai se atentar a isso. Os receptadores não vão ter mais interesse em procurar as assistências porque vão saber que os lojistas estão atentos e não vão participar disso”.

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