Sofrendo com a crise econômica e com a parada da Samarco, a prefeitura de Anchieta tenta fazer ajustes econômicos e mira agora nos funcionários públicos. Através de projeto de lei Nº 31/2017 enviado à Câmara Municipal, o prefeito Fabrício Petri (PMDB) quer cortar o ticket alimentação dos funcionários. Por enquanto, a lei afetará apenas comissionados e contratados, mas garante a manutenção do benefício aos efetivos, que vão continuar recebendo o ticket de R$ 500 reais.

Para diminuir despesas, prefeito Fabrício Petri (PMDB) quer cortar o ticket alimentação

Acordo. O presidente em exercício do Sindicato dos Servidores Públicos de Anchieta, o Aroldo Oliveira Nery, disse que depois do orçamento apresentado, o sindicato fez um acordo com a prefeitura para que ela mantivesse, ao menos, o ticket alimentação dos funcionários efetivos. “Pelo orçamento apresentado realmente não havia como manter o ticket alimentação, então, para que os funcionários ficassem menos prejudicados, firmamos um acordo com a prefeitura para que os efetivos tivessem esse benefício garantido, já que os comissionados terão os contratos encerrados daqui um período, e quem vai realmente passar por esse tempo de crise na prefeitura são os efetivos”, explicou.

PROGRESSÃO. Aroldo explica que para fecharem esse acordo, o sindicato teve que abrir mão temporariamente progressão salarial, um aumento de 3,8% à cada 3 anos para efetivos. “Já não recebíamos essa progressão desde de a gestão passada, em um processo judicial ficou decretado que em 2018 a prefeitura teria que voltar a pagar. Para que o ticket fosse mantido, acordamos que voltaríamos a receber esse valor só em 2020, que é o período que a Samarco deve voltar a atuar na cidade, e as condições econômicas do município estarão melhores”, afirma.

Sindicato teve que abrir mão temporariamente progressão salarial, um aumento de 3,8% à cada 3 anos

RESPOSTAS. Procuramos a prefeitura para dar explicações sobre esse projeto e a mesma nos informou que “cabe informar que em momento algum foi definido, ou pré-definido pela administração que o ticket será retirado…O que ocorre é que a administração gasta hoje cerca de 18 milhões de reais por ano com esse benefício.

Com a redução do orçamento para o ano que vem a prefeitura não terá condições de arcar com esse valor, caso contrário faltará dinheiro para pagar os salários do funcionalismo.

Dessa forma, foi enviado um projeto à câmara onde se abre uma discussão para definir quais regras prefeitura e vereadores irão adotar, em conjunto, para fazer com que os valores caibam dentro do orçamento”, disse a prefeitura através de nota da assessoria

Prefeitura informou ainda que o corte não será definido exclusivamente por ela.

CÂMARA. A prefeitura informou ainda que o corte não será definido exclusivamente por ela. “Essa é uma decisão que será construída pela prefeitura, câmara e sindicato dos funcionários públicos.

Se cortarão o ticket dos comissionados e DTs, mantendo o valor integral para efetivos, ou se o valor será reduzido e todos os funcionários continuarão a receber um valor menor do que o praticado hoje (que é de 500,00) ainda não se sabe, porque não foi definido”

OUTRAS AÇÕES. Com 1580 funcionários efetivos, 300 comissionados e 800 cargos sob regime de contratação por designação temporária (DTs), a prefeitura disse que entre as ações para economia estão a “Renegociação de valores com todos os fornecedores cujos contratos continuam em vigência, corte de horas extras e diárias, diminuição do número de imóveis alugados, diminuição dos valores dos imóveis que ainda permaneceram alugados, contingenciamento de 30% dos recursos em todas as unidades ordenadoras de despesas, congelamento de cargos, diminuição do número de DTs, diminuição dos serviços com máquinas pesadas, corte do telefone corporativo, devolução de veículos alugados, incluindo o  veículo locado para servir ao gabinete. Hoje o prefeito usa um carro popular da própria frota municipal”

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