O Sindicato dos Médicos do Espírito Santo (Simes) realizou na tarde desta sexta-feira (18), uma blitz buscando irregularidades nas unidades de saúde de Guarapari. Na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) o sindicato identificou a falta de médicos. O presidente da Simes, Otto Baptista, fala que vai denunciar a situação ao Ministério Público Federal e outras autoridades.

UPA de Guarapari. Foto: Cecília Rodrigues.

“É um problema de gestão, que precisa ser resolvido e nós vamos encaminhar, com o jurídico do sindicato, ao Ministério Público Federal, Estadual e também as autoridades competentes, principalmente ao Prefeito para tomar conhecimento. Aqui dentro dessa Upa é uma situação que compromete o trabalho do médico e consequentemente a saúde da população”, afirma.

Ele conta que no local, três médicos chegaram a atender 400 pacientes em apenas um dia. “Recebemos um apelo dos médicos desta unidade sobre a sobrecarga de trabalho. Tomamos conhecimento agora de 400 atendimentos em 24 horas, com o número de 3 médicos. É humanamente impossível, a qualidade do atendimento fica comprometida e também a população não vai ser bem atendida”, diz.

O diretório do Sindicatos dos médicos se reuniu com a diretora geral do UPA e duas médicas que atuam no local. Foto: Simes.

Otto revela que, pela quantidade da demanda e falta de médicos, as consultas no Upa não chega a durar um minuto e meio. “Chegamos a fazer uma conta de 1,25 minutos para cada atendimento. Isso não é realizar saúde, isso é extremamente comprometedor. Nós vimos aqui sobrecarga de trabalho, número de atendimentos altíssimo e número reduzido de médicos”, ressalta.

O presidente do Simes comenta que a unidade precisa de mais dois médicos atuando. “A proporção é de que o médico tem que fazer 48 atendimentos a cada 12 horas, e a conta aqui não fecha. Nesta unidade chegou em torno de 78 atendimentos em 12 horas para cada médico, existe a diferença de quase o dobro de atendimentos, consequentemente precisa aumentar para 5 médicos para absorver essa demanda”, constata.

E fala ainda que desta forma a qualidade do atendimento oferecido fica comprometida. “A qualidade de atendimento ela não existe. O número 1,25 minutos é uma conta, é lógico que distribuído num todo, mas dá para se ver que o colega que trabalha aqui encontra um monte de dificuldades”, diz.

O HFA recebeu avaliação positiva.

HFA. Já o Hospital infantil Francisco de Assis foi avaliado de forma positiva pelo sindicato. O diretor do Simes, João Vicente, fala que o hospital tem apenas pequenas ressalvas. “Foi uma visita de muito boa aparência do serviço, as conversas com os colegas médicos foram positivas. A única coisa que nós constatamos foi que há necessidade de maior assistência na recepção das pessoas que vêm aqui procurar o serviço. Mas de uma maneira global a nossa visão do serviço foi boa”, afirma.

O diretor garante que o sindicato vai procurar resolver o problema. “Precisa de algumas melhoras, o sindicato está comprando essa situação e a medida que for repassando para nós as necessidades do corpo clínico, a necessidade da melhoria da recepção, nós vamos fazer tudo que está ao nosso alcance, buscando as autoridades competentes para que resolva e a amplie essa nossa visão boa do hospital”, conclui.

O Portal 27 procurou a prefeitura para saber sobre o problema da falta de médicos no Upa, e através de notas, a prefeitura informou que. “A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa)informa que em momento algum o sindicato pediu relatório do número de atendimentos e nem verificou prontuários. Na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) atendem quatro médicos durante o dia e três a noite, totalizando sete médicos a cada plantão de 24h. A UPA tem ainda mais um médico que realiza todos os dias que faz o serviço de regulação de internação.

A UPA possui também um ortopedista que atende toda terça e quinta, a partir das 13h é um médico de pequenas cirurgias que atende toda segunda-feira, a partir das 13h”, informou a prefeitura.