O que era para ser motivo de orgulho para a prática do esporte em Guarapari acabou se tornando motivo de vergonha no último sábado (30). Não para os atletas e muito menos para os organizadores do evento e sim para os órgãos públicos que deveriam zelar pela imagem da cidade.

esgoto na praia
Os atletas até tentaram impedir que o esgoto invadisse o espaço dos jogos, mas a organização foi obrigada a cancelar o torneio. Fotos: AMEG

Um torneio de vôlei de praia que estava sendo realizado na Praia das Castanheiras, no Centro de Guarapari, teve que ser cancelado depois que o espaço foi tomado por uma água preta e fétida que saia das manilhas que deveriam ser apenas para águas pluviais.

“Por se tratar de um esporte que é praticado ao ar livre, é claro que o jogo está sujeito às alterações do tempo. Chegamos a ter várias partidas debaixo de chuva, mas quando a água com aquele cheiro horrível começou a invadir a quadra, tivemos que cancelar o torneio”, explicou Paula Marques, que é presidente da Associação de Modalidades Esportivas de Guarapari (Ameg).

esgoto na praia
Parte do campo ficou tomado pelo esgoto.

Segundo Paula, o prejuízo maior não é só financeiro para a Ameg. “Atletas de várias partes do Estado e do país estavam competindo aqui e esta imagem é que eles vão levar da cidade. Alguns atletas que estavam aqui disputam o circuito brasileiro e disseram que nunca passaram por uma situação como esta, onde o troneio teve que ser cancelado porque a quadra foi invadida por esgoto”, desabafou Paula.

O torneio da Ameg é realizado no mesmo lugar desde 2013 e nesta etapa eram 64 atletas inscritos, de várias cidades. Além da frustração pelo cancelamento do torneio, o prejuízo para a Ameg também foi grande, principalmente porque a entidade não recebe nenhum centavo da administração pública e tudo é bancado pela iniciativa privada, através de patrocínio.

Apenas para os árbitros do torneio, que são da Federação Capixaba de Vôlei, a associação teve que desembolsar R$ 720 pelas diárias. Além das frutas e outros itens do café da manhã que é dado aos atletas antes do começo de cada etapa do torneio.

Atletas ficam com má impressão da cidade

“Eu achei um descaso não só com os atletas, mas com todos moradores, já que Guarapari é uma cidade turística, e isso não poderia acontecer justo na praia, o cartão postal do município. Isso é realmente uma vergonha para a cidade. Muitos atletas investiram para participarem do torneio que acabou sendo cancelado”, disse o atleta Marcus Borlini.

Quem veio de Anchieta para participar do torneio também ficou envergonhada. “Eu fiquei envergonhada pela situação. Vários atletas vieram de Vitória, Vila Velha e Cachoeiro para participarem da segunda etapa do torneio que não pode ser realizada por um problema atípico. O descaso foi grande e os órgãos competentes precisam se atentar para este problema que não pode se repetir”, enfatizou Mari.

Cesan diz que esgoto em praia é fruto de ligações irregulares

esgoto na praia.
A água negra e com mau cheiro jorrava das bocas de lobo que ficam ao longo da praia.

Identificar a diferença entre a rede de esgoto e rede de drenagem pluvial é fundamental pelos moradores para garantir a boa utilização de ambas. A rede coletora de esgotos domésticos, de responsabilidade da Cesan, recolhe o esgoto dos imóveis, dando-lhes destinação adequada, sendo devidamente tratado nas Estações de Tratamento de Esgoto. Nesta região, a Cesan possui sistema de coleta e tratamento de esgoto.

Prefeitura alega que a água na praia era de “sujidades”

De acordo com a Secretaria de Obras, a água que chega à praia é proveniente da rede de drenagem pluvial e, com a longa estiagem, houve grande acúmulo de resíduos (como borra de asfalto, fezes de animais e demais sujidades) que foram lavados para a rede pelas fortes chuvas dos últimos dias. Vale lembrar que, segundo a Cesan, todos os imóveis estão ligados à rede de esgoto. Assim, CESAN e Secretaria de Obras verificarão o caso para investigar possíveis irregularidades.

A análise de balneabilidade das praias era executada pelo IEMA – Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, e mais recentemente pela AGERH – Agência Estadual de Recursos Hídricos. Desde o início das análises a balneabilidade da praia sempre foi avaliada como excelente pelos órgãos.

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