
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou a postura do Governo Brasileiro em relação ao combate às facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). A manifestação consta no relatório anual sobre o trânsito global de drogas ilícitas referente ao ano fiscal de 2027, enviado na última terça-feira (15) ao Congresso norte-americano.
No documento, a Casa Branca sustenta que, enquanto outros governos da região adotaram “medidas corajosas”, o Brasil não teria conseguido enfrentar de maneira assertiva os dois grupos — previamente classificados por Washington como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO) em maio do ano passado.
“Essas organizações terroristas brasileiras constituem uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo, e o governo brasileiro precisa urgentemente adotar medidas agressivas para enfrentá-las”, diz trecho assinado por Trump.
Apesar do tom incisivo, o relatório não incluiu o Brasil no rol de nações classificadas como “falhas de maneira demonstrável” em suas obrigações internacionais (lista que reúne Afeganistão, Bolívia, Birmânia, Colômbia e Venezuela), tampouco colocou o país entre os maiores produtores de entorpecentes.
Governo Brasileiro Rebate Críticas e Cobra Resposta dos EUA
Em nota oficial, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) refutou categoricamente as alegações de omissão ou fragilidade nas ações de segurança pública. A pasta pontuou que o relatório desconsidera marcos regulatórios e operacionais recentes no país:
Lei Antifacção: Sancionada em março de 2026, a legislação endureceu o rigor penal contra lideranças de facções e estabeleceu diretrizes para o estrangulamento financeiro das organizações.
Programa Brasil contra o Crime Organizado: Lançado em maio deste ano, o plano tem focado no desmantelamento patrimonial das facções, no fortalecimento do sistema prisional federal e na contenção do tráfego ilegal de armas.
Acordo de Cooperação Paralisado: O governo enfatizou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva entregou pessoalmente em Washington, em maio de 2026, uma proposta detalhada para ampliar o compartilhamento de inteligência e o combate à lavagem de dinheiro, mas que ainda aguarda resposta oficial do governo norte-americano.
Contrastes na Região Sul-Americana
O documento norte-americano tratou de forma diferenciada países da região. Enquanto o Brasil e a Nicarágua receberam críticas, Trump fez elogios públicos aos governos de países como Argentina, El Salvador, Equador, Bolívia (sob a gestão de Rodrigo Paz), Peru (sob a presidência de Keiko Fujimori) e Colômbia (destacando a eleição de Abelardo de la Espriella).
Em contrapartida, cobranças diretas por maior fiscalização também foram direcionadas a parceiros como México, Canadá e China quanto à produção e trânsito de fentanil e insumos químicos sintéticos.
Panorama Diplomatico e de Segurança
| Aspecto | Posicionamento dos EUA (Trump) | Posicionamento do Brasil (MJSP) |
| Classificação das Facções | PCC e CV categorizados como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO) | Grupos combatidos sob jurisdição penal interna e soberania nacional |
| Avaliação de Desempenho | Falha em conter a transformação do país em hub logístico da cocaína | Prejuízos bilionários aplicados ao crime via operações integradas federais |
| Instrumentos Legais | Cobrança por medidas mais “agressivas” e repressão internacional | Aplicação da Lei Antifacção (2026) e criação do programa contra o crime |
| Cooperação Bilateral | Ausência de citação à proposta brasileira de inteligência | Aguarda sinalização dos EUA sobre proposta entregue em maio em Washington |









