São cerca de 50 telas da mostra "Vitória, Cidade Imaginada"
São cerca de 50 telas da mostra “Vitória, Cidade Imaginada”

A cidade é um cenário sempre em transformação. O que se vê hoje é resultado de intervenções passadas que somadas às mudanças atuais criam uma ligação permanente entre “o que se foi”, “o que ainda é” e “o que se deseja ser”. Balizados por conceitos que emergem do contexto urbano nasce o “Vitória, Cidade Imaginada”, projeto que cria diálogos com os espaços públicos e seus habitantes em distintos contextos históricos e políticos. Nele, a memória torna-se um conjunto de experiências e impressões em permanente estado de construção por esquinas e ruas.

O projeto se desenrola em três momentos (intervenções) distintos, que estão interligados como capítulos de um narrativa. O primeiro deles – Ponte Seca – acontece, no próximo dia 13 de março, das 13h às 18h, com a exposição de cerca de 50 telas pintadas por usuários de crack que ocupam a região da Vila Rubim, na área central da Capital capixaba. Durante um período de 30 dias, eles trabalharam na confecção das obras e dividiram suas histórias com o idealizador do projeto, o artista Gui Castor. O resultado estará disponível ao público até o dia 22 deste mês.

Essa primeira mostra é parte de um contexto degradante que tem a violência como pano de fundo. Entre as telas emergem fragmentos do submundo, como uma obra dedicada à Ludy, moça de 27 anos morta a facadas ao se recusar a praticar sexo com um estranho, em fevereiro deste ano. A dependência e suas consequências envolve o abandono e desencontros. Outro trabalho revela as angústias de um mãe à procura do filho, dependente. Não o encontrou, mas deixou uma pintura em homenagem a ele.
Para Gui Castor, o que se espera não é que a intervenção mude a vida desses usuários, mas que seja apenas uma forma de “lançar luz” sobre um problema difícil, encarado como quem esconde o que não se quer ver embaixo do tapete; nesse caso, num canto abandonado da cidade.

Vídeos 

A Exposição Ponte Seca, vai do dia 13 à 22 de março. As visitas podem ser feitas das 13h às 18h, na Ponte Seca, na Vila Rubim.
A Exposição Ponte Seca, vai do dia 13 à 22 de março. As visitas podem ser feitas das 13h às 18h, na Ponte Seca, na Vila Rubim.


Paralelo à mostra serão postados vídeos-ensaios na internet. O primeiro deles é “Ilha do Príncipe”, com imagens captadas na região de Vitória que sofre mudanças em sua paisagem com a demolição de prédios que cederão espaço a novas vias para desafogar o trânsito. Para Gui Castor, a emergência e o interesse para o trabalho vêm do fato de estarmos inseridos numa intensa paisagem audiovisual em que tudo parece estar contado. “Qual a condição para uma imagem se tornar arquivo, já que a natureza do presente é passar?”.

O conjunto de mostras do projeto “Vitória, Cidade Imaginada” se desenrola, de 13 a 22 de março, em vários pontos da Capital, sendo a “Ponte Seca” a primeira delas. O que significa que novidades vêm por aí. Então, aguardem.

Deixe seu comentário