No último dia 10 a jovem Bruna de Araújo Marvila, de 22 anos, teve seu primeiro bebê, uma menina. Mas o que era para ser um momento de alegria virou motivo de grande preocupação para a família. É que após o parto, realizado no Hospital Francisco de Assis (HFA), ela passou a ter hemorragias e precisa ser transferida para o Hospital Estadual Jayme dos Santos Neves, na Serra, mas a transferência não saí.
Segundo uma das irmãs de Bruna, Jaqueline Araújo Marvila, a jovem teve uma gravidez normal e no dia do parto estava com cinco centímetros de dilatação, por isso, a médica induziu o nascimento da criança e foi aí que o problema começou. “O nenê fez cocô e ela foi levada para uma cesariana de emergência. A menina engoliu fezes e estava com o cordão umbilical enrolado no pescoço. Minha irmã perdeu muito sangue e no dia seguinte teve anemia, foi medicada e na segunda-feira teve alta”, explica.

Jaqueline contou que na terça-feira (13) a irmã teve uma forte dor de cabeça e na quarta-feira (14) quando voltou ao hospital para tomar vitaminas relatou a dor. Após exames a jovem precisou ficar internada para tomar sangue e permaneceu internada até o sábado (17).
Transferência. Porém, na segunda-feira (19) uma outra grande hemorragia fez com que Bruna voltasse para o HFA, onde fez uma curetagem e continuou internada. “Ontem ela teve hemorragia de novo. Eles não sabem mais o que fazer. A médica falou que não é mais aqui que tem que tratar porque eles não têm suporte para isso e ela não pode ficar tomando sangue e perdendo. Ela está com anemia e plaquetas baixas e precisa ser transferida”, disse Jaqueline.
A irmã relatou que o tratamento que Bruna precisa só está disponível no Hospital Jayme dos Santos Neves. “Eles suspeitam que o sangue está coagulando e precisa tomara uma substância que o fígado produz e só tem no Jayme. A referência dela é este hospital só que uma hora falam que conseguiram vaga e outra hora que não conseguiram”.

Ela disse ainda que entrou em contato com o Hospital da Serra e não existe registro de pedido de transferência em nome da irmã. “Liguei para lá e disseram que não tem pedido nenhum para ela e a moça que está tentando me ajudar disse que também não e tem que ter essa regulação. Mas ela conversou com a médica e ela disse que o pedido tem que ser feito de boca. Enquanto isso ela continua sangrando e só não está sangrando agora porque eles deram injeção anti-hemorrágica nela”.
Risco de morte. A bebê passa bem, mas a família teme pela vida da jovem. “A gravidez dela foi tranquila. Agora está com pressão alta e anemia e não tinha nada. Não estou culpando o hospital, mas acho que eles tinham que fazer mais. Tinham que correr atrás e fazer o que tiver que fazer e não esperar acontecer algo para tomar uma atitude. Tenho medo do que posso acontecer porque a enfermeira falou para minha mãe que se ela não recebesse o sangue corria risco de morte”., desabafou.
Resposta. Nossa equipe entrou em contato com o HFA que através de nota informou que. “Hospital Francisco de Assis (HFA) informa que Bruna de Araujo Marvila deu entrada no hospital no dia 10 de março em trabalho de parto. A equipe médica aguardou a evolução para um parto normal, mas a paciente não teve a dilatação esperada e precisou passar por uma cesariana. O bebê nasceu, e mesmo engolindo mecônio, não precisou ficar em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (Utin). A mãe teve alta no dia 13 de março com sua situação e a do recém-nascido estável.
A paciente retornou ao hospital após 12 dias do parto, a equipe obstétrica identificou uma hemorragia puerperal e no mesmo momento realizou curetagem e todos os procedimentos e cuidados necessários. A jovem inclusive recebeu sangue da agência transfusional do hospital.
A paciente segue internada enquanto aguarda uma vaga no Hospital Jayme dos Santos Neves, que é uma referência para estudos mais profundos, mas que está operando em sua capacidade máxima de lotação. O HFA realizou o pedido de transferência, porém a jovem ainda não foi encaminhada pois precisa aguardar a ordem determinada pela central de vagas do Estado.
O procedimento funciona da seguinte forma: o médico que está acompanhando o paciente no município, ao identificar que ele apresenta um quadro grave e precisa ser levado a outro hospital especializado, entra em contato com a Central de Vagas.
A equipe médica reguladora, por meio do sistema da Central de Leitos, indicará se ele pode ser enviado ou se deve aguardar por vagas, além do hospital mais adequado para recebê-lo. Reforçamos que o estado da jovem é estável e ela passa bem.”











