Um advogado luta há mais de cinco anos na Justiça capixaba contra a Mitra Arquidiocesana de Vitória, no Espírito Santo, para comprovar que ele é dono de dois terrenos em Guarapari, onde a igreja católica construiu um templo. O advogado afirmou ainda que vai encaminhar um documento até o Vaticano, em Roma, denunciando o caso.

Foto: Vinícius Rangel
Foto: Vinícius Rangel

Em junho de 2010, Jorge Moreira Almeida, de 75 anos, comprou, por R$ 30 mil reais, dois terrenos no bairro Nossa Senhora de Fátima. Segundo ele, em 2011, pedreiros começaram a fazer uma construção no local, informando que era a pedido da Igreja Católica, pois eles seriam os donos do local e iriam construir uma paróquia no espaço.

“Fui até a Arquidiocese, em Vitória, conversei com o padre Paulo Régis, que era responsável por todos os imóveis da igreja no Estado. Ele veio até o local comigo e fizemos uma reunião com o padre, mas eles afirmaram que compraram o local. Foi aí que eu resolvi entrar na Justiça, pois eu tenho a escritura de parte do terreno e a outra eu iria tirar no mesmo ano”, afirmou Jorge.

Foto: Vinícius Rangel
Foto: Vinícius Rangel

Desde 2010, Jorge paga o Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) do local. O advogado contou que os dois lotes, que juntos possuem 920m², foram comprados pensando em construir uma casa para a filha mais nova. Um projeto arquitetônico chegou a ser feito e somente de material para a construção do imóvel seria gasto mais de R$230 mil reais.

O projeto está na gaveta até o momento, pois a juíza da Terceira Vara Cível de Guarapari, Terezinha de Jesus Lordêllo, em 2012, determinou que a posse do local era da igreja católica. Mesmo assim, ele tentou recorrer da sentença, porém não teve sucesso, foi negado o pedido. O lugar hoje é ponto de encontro da comunidade. Jorge ainda aguarda uma decisão final da juíza.

Foto: Vinícius Rangel
Foto: Vinícius Rangel

“Em 40 anos de advocacia eu não sei o que esperar mais desses órgãos. Me assusta mais ainda isso ter partido da Igreja Católica, uma instituição religiosa que nós devemos acreditar e estou passando por isso agora. Eles não têm como comprovar que o terreno é deles, eu tenho a escritura. Eu vou criar um documento e enviar ao Vaticano explicando toda essa situação”, disse Jorge.

O OUTRO LADO

Questionados sobre o assunto, a Mitra Arquidiocesana de Vitória informou apenas por meio de nota que a igreja possui toda a documentação de compra do terreno e que vão aguardar a decisão final da Justiça para novos esclarecimentos.

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