Aposentado denuncia reserva de senhas em unidade de saúde de Guarapari

Encarar uma fila ainda de madrugada não garante atendimento na unidade de saúde Doutor Roberto Calmon, no Centro de Guarapari. Isto porque, de acordo com uma reclamação recebida pelo Portal 27,  parte das senhas que deveriam ser distribuídas a quem está no local estão sendo reservadas para outras pessoas.

Novembro Azul. Um aposentado, de 59 anos, relatou que para o atendimento com um clínico geral na unidade são distribuídas 12 senhas. Na terça-feira (08) ele foi para o posto pela terceira vez às 4 horas para tentar mostrar um exame de sangue completo e uma ultrassonografia total do abdômen a uma clínica geral, solicitados durante a campanha Novembro Azul. Porém, mesmo sendo o sétimo da fila não conseguiu uma das senhas.

“Estou com esses exames prontos desde o início de fevereiro e já fui no posto de saúde três vezes e não consegui agendar uma consulta para mostrar o resultado dos exames. Toda vez que chego lá, a informação da atendente é que praticamente metade das senhas é reservada para a Secretaria de Saúde. Uma das vezes eu era o décimo e quando chegou minha vez não tinha mais fichas porque ficaram três para a Secretaria. Na segunda vez isso se repediu e hoje de novo. Eu era o sétimo da fila e ela disse que só poderia entregar seis senhas porque metade já tinha dono a pedido da Secretaria de Saúde”, contou o paciente.

Ele ressaltou que a demora em conseguir mostrar o exame vai contra o objetivo da campanha, que é a prevenção do câncer. “Não adianta eles fazerem a campanha incentivando a gente a se cuidar se na hora de mostrar o exame para o médico a gente não consegue marcar a consulta. Se a pessoa tiver alguma coisa, até conseguir mostrar o resultado do exame para o médico a doença já evoluiu”.

O aposentado participou da campanha Novembro Azul e está com os exames prontas desde fevereiro, mas não consegue mostrá-los para médica porque da reserva de vagas. Foto: Rafaela Patrício

Moradores de rua. Segundo ele, diversas pessoas ficaram horas na fila em pé porque os bancos na porta da unidade estavam ocupados por pessoas em situação de rua e voltaram para casa sem atendimento, entre elas, uma idosa de cerca de 70 anos. “Ela me disse que já era a quarta vez que sai de casa às 3h30 para chegar lá às 4h e mais uma vez não conseguiu ser atendida e foi orientada a voltar na próxima terça-feira para tentar outra vez. A gente fica lá exposto ao perigo de ser assaltado, como aconteceu recentemente em Cariacica, para sair de lá sem conseguir nada. Isso porque moramos na cidade saúde, disse o aposentado indignado”.

O aposentado também fez um apelo para que a reserva de vagas não seja mais praticada nas unidades de saúde da cidade.  “Acho que se essa informação da reserva de vagas para a Secretaria procede, tem que acabar. Quem precisa tem que entrar na fila e aguardar igual a todo mundo e não metade das senhas, que já são poucas ficarem reservadas para que eles façam o uso que quiserem”.

Resposta. Procurada, a prefeitura informou que a Secretaria de Saúde não  faz reserva de senhas e que vai investigar o caso. “A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) nenhuma vaga de consulta é reservada a secretaria. No local são disponibilizadas 15 atendimentos/dia com o clínico geral, sendo 3 vagas para emergência e 12 consultas médicas de rotina. 

A Semsa informa que já está apurando quem foi o funcionário que passou essa informação errônea e vai tomar as providências cabíveis quanto a este fato”, diz a nota da administração municipal.

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