Ao pesquisar os níveis de radiação das praias do litoral de Guarapari, o professor do Departamento de Física da Ufes José Passamani Júnior chegou à conclusão de que as areias de Meaípe concentram a maior quantidades de minerais, além de possuírem elementos de terra-rara.

Os estudos também apontam que a quantidade de minerais na praia varia conforme o local e o período do ano. Uma preocupação, entretanto, é que a praia de Meaípe sofre fortemente com a erosão, que diminui sua faixa de areia. Por isso, os pesquisadores também estudam formas de devolver a areia monazítica à praia.

Erosão nas praias de Meaípe preocupa pesquisadores

As pesquisas da areia monazítica tiveram início há seis anos e são feitas em parceria com o professor Marcos Tadeu Orlando, do mesmo departamento. O município de Guarapari, na região metropolitana do Espírito Santo, é conhecido por suas areias monazíticas, com grande concentração natural de minerais, alguns deles com propriedades terapêuticas.

Apesar de a legislação brasileira considerar aceitável a dose de radiação de, no máximo, 2,2 microSieverts (mSv), as praias do município apresentam doses maiores e, segundo os pesquisadores, elas são benéficas ao organismo humano, conforme demonstrado em estudos anteriores.

“Se fosse prejudicial, a população de Guarapari estaria toda doente, algo que dados do Sistema Único de Saúde (SUS) analisados em nossa pesquisa nessas praias mostraram que não acontece. Acreditamos que o nível certo de radiação pode vir a estimular a defesa do organismo”, afirma Orlando. Ele acrescenta que os países europeus consideram aceitável um índice de até 200 mSv, o que seria mais alinhado ao que os pesquisadores da Ufes vêm verificando em seus estudos.

Nas medições, realizadas durante o período de um ano, a praia de Meaípe registrou os maiores índices, chegando a 40 mSv. Em seguida, fica a praia da Areia Preta, cujo índice varia de 10,2 a 150 mSv. Já a praia das Castanheiras registrou um nível de radiação considerado normal e a da Bacutia, baixo.

Passamai Jr. destaca também as variações de índices conforme o local e a época do ano. “Na praia de Meaípe, por exemplo, poucas vezes a radiação está no mesmo lugar. Já na das Castanheiras, é comum encontrar sempre tanto na borda esquerda quanto na direita. Na da Areia Preta, também fica em uma área fixa de 350 metros de extensão – apesar de em algumas épocas do ano ela sumir, sempre volta ao mesmo local, mas varia a intensidade”, conta.

Ele aponta que o diferencial de sua pesquisa em relação a outras feitas no município capixaba reside no fato de ter registrado não só a presença da radiação, mas também suas variações conforme o tempo e o espaço. “Nos artigos que temos visto, as pessoas fazem medição de um dia só e fazem o retrato dele, não fazem medida contínua, e isso não é o suficiente”, analisa o professor.

*Com informações da Universidade Federal do Espírito Santo.

Deixe seu comentário