Mesmo com tantas dificuldades para conseguir verba para participarem de campeonatos, cinco alunos do projeto social Kadoshi, realizado em Anchieta e Piúma, conquistaram a classificação para a etapa final do Campeonato Brasileiro de Karatê. O evento acontecerá entre os dias 11 e 15 de outubro, em Salvador, na Bahia, e reúne atletas de várias partes do país.

Cinco atletas do projeto foram classificados para a etapa final do Campeonato Brasileiro de Karatê.

A etapa regional do Campeonato, realizada entre os dias 08 e 11 de junho, contou com a participação de 13 atletas do projeto. Destes, cinco foram classificados para competir na capital baiana. Uma delas foi Flavia Rocha, 25 anos, que começou no esporte após matricular seu filho nas aulas.

“Ainda nem acredito que fui classificada para a final do Brasileiro. Comecei a praticar karatê há cerca de um ano e meio, no projeto. Eu coloquei meu filho de sete anos para fazer as aulas, para que ele tivesse mais disciplina, e comecei a me interessar, aí entrei também. Gosto muito do esporte e percebo que aprendi a me controlar bastante, principalmente as emoções, além de ser um ótimo exercício físico para o corpo”, relata Flavia.

Familiares e alunos realizam até pedágio para arrecadar dinheiro para custear gastos com campeonatos.

A falta de incentivo do poder público faz com que os alunos e suas famílias busquem formas de arrecadar dinheiro para pagar as taxas de inscrições e demais custos para participar de um campeonato. Os integrantes do projeto realizam até pedágio nos municípios para conseguirem verba.

Desta vez, não vai ser diferente. “Iremos para as ruas novamente no próximo fim de semana pedir para contribuírem com a causa. Também confeccionamos canecas de acrílico para vendermos por R$ 10 cada. Essas são algumas das formas que encontramos para seguir participando dos campeonatos”, explica o idealizador do projeto, Marcus Rangel.

Kadoshi

O projeto social foi criado no dia 17 de maio de 2012, em Anchieta. Há dois anos e meio, Marcus decidiu começar em Piúma também. Além de construir em cima da própria casa um espaço para os atletas praticarem, o professor ainda dá aulas na quadra da comunidade de Iriri, em uma escola em Olivânia, no interior de Anchieta, e na quadra de Aparecidinha, em Piúma. Atualmente, cerca de 130 alunos participam do Kadoshi.

“Saber que o projeto pode mudar a vida dessas pessoas é uma sensação maravilhosa. Vejo crianças e jovens que não conheciam nada do esporte e hoje estão se saindo muito bem. Muitos desses alunos você percebe que já pegaram a ideia e até mesmo tentam ensinar aos alunos novos que chegam. Familiares me dizem que o comportamento deles mudou, que hoje são crianças mais calmas dentro de casa, que melhoraram as notas na escola, o comportamento na comunidade. Isso não tem preço. Fico muito orgulhoso”, acrescenta o professor.

O Kadoshi não recebe qualquer auxílio do poder público. Interessados em contribuir com o projeto podem entrar em contato com Marcus pelo telefone (28) 9 9926-4516.

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