Em 2016 ouviu-se que o governo federal alimentou esperanças de reestruturar o Sistema Nacional de Emprego (Sine), de modo a permitir a ampliação da proteção a trabalhadores desempregados e o apoio a empregadores no processo de seleção e recrutamento.

Para isso, um projeto de lei foi encaminhado ao Congresso Nacional pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social em maio de 2016. No projeto, iria ser mudada a forma de transferência de recursos federais para estados e municípios, que passaria a ser automática. Atualmente, o repasse é feito por meio de convênios, que precisam ser periodicamente renovados, o que tende a dificultar o mecanismo de empregabilidade.

Sine no centro de Guarapari está definitivamente com as portas desde julho de 2015.Foto: Wilcler Lopes/Portal 27

No que tange a isso, Guarapari precisa assegurar a municipalização dessa mesma rede, aproximando o trabalhador e ofertando um atendimento de qualidade na cidade. Mas para isso, primeiro o Sine de Guarapari precisa ser ressuscitado. Para quem procura emprego em Guarapari as notícias não têm sido boas diuturnamente. No olho do furacão da crise do desemprego, o local onde funcionava a agência do Sine no centro de Guarapari está definitivamente com as portas trancadas. É que fechou desde julho de 2015.

Em todo o Brasil, o Sine é o braço operacional das ações e serviços financiados pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador e tem a finalidade de integrar as ações de concessão do benefício com as ações de promoção da empregabilidade. De acordo com Ministério do Trabalho, o projeto de lei alhures, consolidaria essa integração.

Atualmente, o Sine tem 2,1 mil unidades de atendimento espalhados pelo país, dos quais 559 são diretamente ligadas ao Ministério do Trabalho e Previdência Social, e 1.557 administradas por estados e municípios, por meio de convênios com a União. O sistema atende anualmente cerca de 15 milhões de trabalhadores e 1,5 milhão de empregadores. Mas para nossa infelicidade, Guarapari está de fora desse raio de ação.

Neste mês de julho/2017 a cidade de Guarapari completa dois anos desde que as portas do Sine foram fechadas

Neste mês de julho/2017 a cidade de Guarapari completa dois anos desde que as portas do Sine foram fechadas, de forma que quem precisa de atendimento no Sine de Guarapari, precisa se dirigir a outros municípios para procurar o tão desejado e sonhado emprego.

Ainda em 2015, quando numa matéria desse mesmo site, foi feito um contato com o Governo do Estado, através da Secretaria de Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social (Setades), na intenção de saber o que houve com o Sine de Guarapari. Na nota, o Governo do Estado informou que: “A Secretaria de Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social (Setades) está trabalhando nas agências do Sine para melhor atender à população. Em virtude desse procedimento, desde então, a população vem sendo orientada a buscar atendimento no Sine de Anchieta.”

De forma lamentável, saiu gestão e entrou uma nova gestão municipal, e – ao que parece – novamente a sociedade não soube escolher seus representantes, pois, até onde se tem conhecimento, não existe nenhuma informação oficial e nem extraoficial, sobre a reativação do Sine de Guarapari, o que faz com que o morador local desempregado seja dura e cruelmente penalizado em detrimento de erros políticos. Triste ainda mais é saber que a frase que estava colada na porta da agencia dizia: “Em breve retornaremos com o atendimento ao público”.

Dois anos se passaram e a frase: “Em breve retornaremos com o atendimento ao público” não passou de uma terminologia técnica que nos leva a pergunta: “O que fizeram do Sine de Guarapari?”.

Não seria melhor falar a verdade a sociedade local e escrever: “prolongadamente retornaremos com o atendimento ao público?” Com as negras nuvens do monstruoso desemprego que pairam sobre o país, o Estado e a cidade saúde, não é difícil perceber que ainda demorará um pouco para ver a agência do Sine em Guarapari funcionando e gerando empregos.

Chico Buarque de Holanda na canção: “Cálice”, já nos dizia: “Como beber dessa bebida amarga? Tragar a dor, engolir a labuta. Mesmo calada a boca, resta o peito. Silêncio na cidade não se escuta. […] Outra realidade menos morta, tanta mentira, tanta força bruta.”

Comments are closed.