Comunidade de Alto Rio Calçado: 106 anos de tradição

No último domingo, dia 04 de janeiro, a comunidade de Alto Rio Calçado realizou, pela 106º vez, a festa à São Benedito, o que se dá por meio de missa e congada. De acordo com os organizadores, esse ano o festejo alcançou um público ainda maior, em relação aos demais anos.

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Foto: Cristiano Bodart

Embora oficialmente o evento teve início as 11 horas, com a realização uma missa, a comunidade já encontrava-se envolvida na organização e preparação de alimentos que seriam vendidos, ficando o destaque para o almoço comunitário.

Após a celebração da missa, deu-se início a tradicional congada. Por meio de cantos, tambores, casacas e outros instrumentos típicos, estabelecia-se o ritmo afrodescendente.
A congada vem sendo registrada desde o Brasil colonial e aparece de forma integrada ao calendário católico, mais precisamente à São Benedito ou a Nossa Senhora do Rosário. No caso da comunidade de Alto Rio Calçado, à São Benedito.
A comunidade que remonta aos anos após abolição da escravatura, tem provavelmente sua origem em um quilombo, o que explicaria os traços afrodescendentes de maior parte dos moradores e praticante da congada.
A cantoria é ditada pelo “mestre”, o qual por meio de um apito dita o início e o término de um canto, o qual pode ser “puxado” por qualquer participante do rito. Os tambores, em número máximo de seis (no caso desse grupo), têm seus tocadores revezados durante a prática.

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Foto: Cristiano Bodart

Após cerca de 1 hora de cantoria e “pancadoria” (toque dos tambores), a imagem de São Benedito é retirada do altar da igreja e conduzida em um andor, levado sobre os ombros das mulheres, as quais se deslocam até o Mastro de São Benedito localizado ao pé do morro da igreja. Nessa procissão, leva-se também a bandeira para o mastro que saúda o santo e trás o nome da comunidade, estando ela repleta de flores e conduzida na horizontal. Dar-se início a “Puxada do Mastro de São Benedito”.

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Foto: Cristiano Bodart

A “Puxada do Mastro de São Benedito” é um momento de destaque e esperado pelos religiosos, pois trata-se da busca do mastro, o qual será “lavado” com vinho tinto em gratidão às graças obtidas ou como rito de novas preces para o próximo ano. Há fies que usam do vinho lançado sobre o mastro para se benzer.

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Foto: Cristiano Bodart

Ao trazer o Mastro de São Benedito, este se posiciona de forma com que possibilite os fies o “lavarem”. Enquanto o mastro é “lavado”, os congueiros continuam o congado, dando voltas ao redor do Mastro de São Benedito, entanto que outros homens da comunidade preparam o buraco onde o Mastro de São Benedito será ficado.

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Foto: Cristiano Bodart

Pouco antes da “Fincada do Mastro de São Benedito”, a bandeira que se encontra em posição horizontal, recebe as “balas de São Benedito”, as quais “entornarão” no momento em que a bandeira for encaixada no mastro e erguida. No cair das balas, os religiosos disputam entre si sua recolhida no chão, uma vez que tais balas são tidas como abençoadas e, portanto, desejadas.

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Foto: Cristiano Bodart

Com a fincada do Mastro de São Benedito, os homens tentam subir nesse mastro a fim de apanhar a “medalhinha de São Benedito” que fica no topo do mastro, presa na bandeira. Ao alcançar a bandeira e a medalhinha, o fiel deve girar a bandeira do mastro como prova de ter atingido o objetivo.

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Foto: Cristiano Bodart

Após o ápice da cerimónia, que é a “Fincada do Mastro de São Benedito”, o qual se deu por volta das 16h, dar-se início ao “Canto de Reis”, cantoria de hinos de Reis, encerrando assim o rito do dia, o qual terá continuidade dias depois com a “Retirada do Mastro de São Benedito”, a qual, segundo os organizadores, está prevista para o próximo dia 08.

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Foto: Cristiano Bodart

Desta forma, a Comunidade de Alto Rio Calçado dar continuidade a sua tradicional festa, registrando 106 anos de história e cultura.

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