Em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra é celebrado, no Brasil, em 20 de novembro, as professoras de uma escola pública de Guarapari desenvolveram mais um projeto para o estudo da data. 

Estudantes participaram de projeto fotográfico para exposição que teve como objetivo o Dia da Consciência Negra. Fotos: Divulgação do evento.

Com o objetivo de exaltar a beleza dos alunos afrodescendentes da Escola Estadual de Ensino Médio Dr. Silva Mello, as professoras Fernanda da Silva Geraldo e Aline Ramos Brandão criaram a exposição “África em Mim”. O ensaio fotográfico está disponível no Shopping Guarapari até o dia 22 deste mês. 

Fernanda, que é professora de Arte, conta que a exposição é fruto de um trabalho maior, e faz parte das reflexões sobre a consciência negra. “A gente já trabalha uma culminância com um evento maior da Consciência Negra há bastante tempo, mais ou menos há uns cinco anos. O nosso principal objetivo é exaltar a beleza dos afrodescendentes da nossa escola. Meninos e meninas que são negros, descendentes de africanos, mesmo lá atrás em suas raízes, muitos são misturados, brancos de cabelo crespo, então queríamos mostrar essa mistura, essa diversidade de beleza dentro da nossa escola e assim aumentar a autoestima desses alunos”.

Etapas. Para que se chegasse aos resultados que estão expostos para a visitação do público, Fernanda conta que houve algumas etapas: “foi feita uma sondagem em todas as turmas da escola, colocamos cartazes falando da beleza negra e que teria essa seletiva. Dentre as turmas, de 1º ao 3º ano, sessenta alunos se inscreveram pra essa sessão de fotos. Foi feito dentro da escola um ensaio fotográfico, e a partir desse ensaio a gente identificou a beleza negra mais evidente em alguns alunos que foram escolhidos para uma foto externa. Nessa foto externa vinte e oito alunos participaram e a gente levou para pontos estratégicos, tipo as ruínas, a Praia da Areia Preta, o Rádium Hotel e sua pracinha, o Siribeira, esses pontos serviram de cenário para a produção das fotografias”.

Cumprimento da Lei. De acordo com a Lei 10639 que torna obrigatório o ensino da História da África e toda a sua influência no Brasil a gente começa a falar da formação cultural brasileira e sua diversidade, e, segundo a professora de Arte, “dentro dessa proposta a gente exalta a África e a sua contribuição no Brasil colonial. Esse ano a gente fez esse trabalho de embasamento teórico, falamos sobre as personalidades e os destaques da história dos negros: Machado de Assis, Luther King, Mandela, vários momentos da história a gente teve negros que se superaram e foram destaques”.

Abertura. A abertura da exposição aconteceu no dia 01 de novembro com apresentação de um teatro feita por alunos da escola intitulada “Gritaram-me negra” onde, segundo Fernanda, “três alunas falam dessa caminhada do africano no Brasil e a sua transformação, em querer ser branco e depois, hoje a gente tem no final do teatro a negra que se assume negra e que se acha linda”. Além da exposição de fotos dos 28 alunos selecionados, há também um clipe de vídeo passando na vitrine da loja com os demais inscritos na seletiva.

Escultura tridimensional. Faz parte também da exposição um trabalho de escultura tridimensional com alunos do segundo ano, coordenado também pela professora Fernanda: “a gente estudou a influência da arte tribal africana na produção dos artistas modernistas e eles esculpiram as esculturas exaltando, destacando bem nariz, olho, formas alongadas de cabeça e pescoço, igual a gente vê na pintura de Modigliani, de Pablo Picasso, de Lasar Segall, entre outros”, afirma.

Alunos no processo. Fernanda destaca a importância da participação dos alunos em todo o processo: “as fotos foram tiradas pelos alunos Vitor Campos e Mariana Muniz, Washington Henrique foi o editor do clipe de vídeo”.

Para Franciele Assis dos Santos, participar do projeto África em mim foi uma experiência incrível. “É muito importante hoje em dia exaltarmos a beleza negra pelo simples fato do preconceito, e para não cometermos o mesmo erro que cometeram com os negros no passado. Com esse trabalho tivemos o intuito de mostrar que somos todos iguais independente de qualquer coisa e que por isso não temos que ter vergonha da nossa cor, do nosso cabelo, do tamanho dos nossos lábios”. A aluna completa convidando todos para a prestigiarem a exposição que fica no shopping Guarapari até o dia 22 de novembro.
Culminância de um projeto maior

Fernanda conta que direção e profissionais da escola colaboram para a efetivação do projeto, mas sua grande parceira é Aline, professora de História. Segundo Fernanda, elas estão juntas “em quase todos os projetos”, inclusive nessa exposição que, como ela afirmou, é fruto de um projeto amplo sobre o dia da consciência negra que terá culminância nesse ano no dia 19 de novembro no Siribeira, das 13h30min às 17h30min, em um evento aberto ao público. Esse evento maior envolve toda a escola (aproximadamente 600 alunos) e envolve “várias apresentações dos alunos que foram desenvolvidas em outubro e novembro, o mês de reflexão sobre a consciência negra”, afirma Fernanda.