Em nossa segunda matéria sobre as condições da UPA de Guarapari fomos procurar o Conselho Municipal de Saúde. Eles têm a responsabilidade de fiscalizar e zelar pela saúde de Guarapari em nome da população. A presidente do Conselho é a Secretária Municipal de Saúde, Alessandra Abani.

Por motivos óbvios, em busca de mais isenção, procuramos um Conselheiro, que no momento não vamos identificar, que nos disse que a situação da UPA, que foi publicada em nossa primeira matéria, já foi denunciada inúmeras vezes para a prefeitura e para os demais órgãos competentes, como o Ministério Público, por exemplo.

“Além disso, já denunciamos uma série de irregularidades, tais como infiltrações, ar-condicionado sem funcionar, favorecendo a proliferação de bactérias, equipamentos enferrujados, locais insalubres, entre outras coisas. Já pedimos solução e tudo isso está em nossos relatórios” disse o conselheiro

O Portal 27 teve acesso a uma parte desse relatório com as denúncias sobre as condições da UPA. São vários ofícios e fotos que mostram que há pelo menos um ano o Conselho Municipal de Saúde cobra ações e melhoramentos na UPA da cidade.

Problemas. Um dos relatórios é de 2019 mostra que existem problemas como ambiente sem climatização; desvio de função de alguns servidores, móveis de trabalho inadequados, ou sem ergonomia e muitos pacientes que poderiam ser atendidos em unidades de saúde e continuam procurando a UPA, sobrecarregando o sistema de emergências.

Equipamentos. O relatório ainda informava que as salas tinham infiltrações, mofo, buracos no forro e existiam falta de insumos e equipamentos. O relatório ainda ressalta “A maioria dos profissionais disponibilizados pelo Consorcio para UPA, são recém-formados e sem qualificação em urgência e emergência, sobrecarregando a equipe”, diz uma parte do documento enviado em 2019 ao MP.

O relatório ainda informava que as salas tinham infiltrações, mofo, buracos no forro e existiam falta de insumos e equipamentos. Foto: Conselho Municipal de Saúde, do relatório em 2019.

Maquiagem. Segundo esse mesmo conselheiro, assim que os órgãos competentes pedem explicações a prefeitura, ocorre uma “maquiagem” para mostrar que “algo foi feito” na UPA, tentando minimizar os problemas para as autoridades.

“Com a demora que acontece normalmente nesses casos para investigações das autoridades, a prefeitura faz maquiagens e chega com mentiras, dizendo que foram tomadas providencias, descaracterizando as nossas denúncias. Mas nós sabemos que as devidas soluções não foram tomadas corretamente do jeito que o conselho pede”, explica o Conselheiro.

Gravações. Ele diz que tudo isso é comprovado também “através de gravações em áudio. Todas as nossas reuniões estão gravadas. Temos várias outras denúncias que estão no MP. Denúncias contra alguns profissionais médicos que estão praticando irregularidades e de servidores que não cumprem suas funções. Uma servidora foi encontrada em um comércio no mesmo horário em que deveria estar na UPA trabalhando”, explica ele.

Unidade de Pronto Atendimento de Guarapari

Vista grossa. Ainda de acordo com esse Conselheiro, não acontece fiscalização destes casos por que alguns servidores da direção também tem outras funções. “Infelizmente existe um corporativismo, alguns fazem o jogo da gestão. Outros por trabalharem em instituições privadas, fazem vista grossa para essas irregularidades e a secretária não tem pulso”, disse o conselheiro.

Prefeitura nega irregularidades. Após a matéria do Portal 27 no domingo (5), a prefeitura divulgou na segunda-feira a informação que houve uma fiscalização e que não existem irregularidades da UPA.

Segundo a prefeitura “A Secretaria Municipal de Saúde – Semsa, recebeu na última sexta-feira (03) a visita de uma equipe do Coren-ES na Unidade de Pronto Atendimento – UPA de Guarapari.

 A visita foi acompanhada da Supervisão de Enfermagem da UPA, em atendimento a recente denúncia veiculada em redes sociais, porém não foram apontadas irregularidades.

 Na ocasião, foi realizado levantamento da situação de riscos relacionados ao novo coronavírus (COVID-19). Em vistoria, foi sugerida a adequação, pela equipe de fiscalização, para desativação do ponto biométrico; o aumento de quantitativo de dispenseres de álcool nas áreas de circulação e a organização da escala para utilização do refeitório. ”

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