Presa ao cinto de segurança do ônibus escolar por cerca de quatro horas. Foi assim que uma criança de apenas dois anos e dois meses passou a tarde, enquanto deveria estar na escola, em Anchieta. 

Ao jornal A Tribuna, a mãe, a vendedora Jenepher da Matta, 27 anos, foi quem descobriu que o filho, João Davi, teria sido esquecido dentro do veículo. “Eu levei meu filho no ponto às 12h30. A cuidadora do ônibus pegou ele da minha mão e colocou ele dentro do ônibus. Eles colocam cinto nas crianças. Às 16h10, cheguei à escola para levar um casaco para meu filho. Descobri que ele não estava na escola”, conta a mãe.

Os pais com o filho no colo novamente. Foto: Roberta Bourguignon/ Jornal A Tribuna

Desesperada, Jenepher disse que entrou em contato com o marido, o servidor público Michel Pintor da Silva, 28, que chegou a pensar que o filho estivesse sido sequestrado. “Não conseguíamos pensar em outra coisa. Minha esposa entregou ele nas mãos da cuidadora e simplesmente meu filho não foi entregue à escola. Foi desesperador”, revela o pai.

A família procurou a Secretaria da Educação, e resolveu seguir para o local onde os ônibus ficam estacionados. Ao chegar no lugar, de imediato encontrou a criança no colo da cuidadora e do motorista. “Eles tinham acabado de encontrar meu filho ali, porque a cidade começou a se movimentar para saber sobre a criança. Ele estava todo molhado de xixi, muito assustado e com sede. Foi desesperador”, disse a mãe.

E o pai completa. “Mal posso imaginar o quanto meu filho gritou e chorou por ter ficado amarrado no cinto de segurança, sem conseguir sair, por quase quatro horas. Precisamos que a prefeitura tome providências em relação a isso. Não pode repetir jamais”, declara Michel.

Ainda assustados, os pais afirmam que o filho não vai andar no transporte escolar mais. “Não tenho coragem de colocar meu filho de volta naquele ônibus, e ele também ficará assustado quando ver o veículo”, finalizou.

 

Outro lado. A Prefeitura de Anchieta informou que ao contratar o serviço de transporte escolar inclui cuidadores de crianças. Mediante o fato, a prefeitura já abriu um processo administrativo contra a empresa e tomará devidas providências para não ocorrerem fatos como esse.

Felizmente a criança está bem. Ela e sua família estão sendo assistidos pela Secretaria de Educação. A Prefeitura pretende adotar novas medidas para garantir ainda mais a segurança dos alunos.

A empresa, por meio do proprietário Pedro Souza, disse que a funcionária foi demitida. “Ela tinha 10 anos de empresa e por descumprir as normas da empresa, o fato acabou acontecendo”, disse. 

Segundo o dono, os funcionários passaram por um treinamento no mês de março e a empresa adotou o protocolo de segurança após a parada dos ônibus. “Os funcionários precisam arrumar os cintos, fechar as janelas e conferir o veículo após a parada. Se tivessem cumprido o protocolo, não teriam deixado a criança no cinto”, completa. 

O dono ressaltou ainda que está prestando toda a assistência à família. 

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