Mulheres vítima de violência doméstica podem pedir ajuda em farmácias de Guarapari. Para divulgar de uma maneira mais ampla a campanha “Sinal Vermelho”, a delegada Francine Bergamini, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) na cidade, convida mulheres a divulgar fotos de apoio.

Delegada Francine Bergamini fala da importância em denunciar. Foto: Roberta Bourguignon

Com um “X” vermelho na mão, mulheres estão postando em suas redes sociais, fotos de apoio a campanha. Em Guarapari são registradas de 80 a 120 ocorrências de agressões a mulher todos os meses. Uma média de dois casos de agressões por dia.

“Como estamos em um período de pandemia, um local muito comum que as vítimas passaram a frequentar seriam as farmácias e drogarias. E aí se criou o sinal silencioso que é um “X” vermelho na palma da mão, ou em um pedaço de papel, para que a mulher faça sua denúncia através de farmácias credenciadas. Os atendentes receberam treinamento pra isso e podem identificar o pedido de ajuda dessa mulher que, mesmo acompanhada de seu agressor, tem condição de pedir ajuda só através de um sinal”, explica a delegada.

Após pedir ajuda de maneira discreta, os atendentes colhem discretamente nome e telefone da mulher para que a patrulha Maria da Penha entre em contato. Caso a vítima não tenha condições de passar maiores informações, pode escrever em um pedaço de papel o nome e o telefone, que a farmácia vai informar a guarnição que faz o contato direto com a polícia.

A medida vale para estabelecimentos cadastrados na campanha e a ação é vinculada ao Conselho Nacional (CNJ) e à Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB). A campanha conta com cerca de 10 mil estabelecimentos cadastrados em todo país.
Em Guarapari, as drogarias credenciadas na Campanha do Sinal Vermelho são: Santa Lúcia, Drogasil, ElloMais, Rede Farmes e Pague Menos.

“A campanha é extremamente válida porque é algo silencioso. É uma forma de mostrar para as mulheres que a denúncia deve ser feita e o serviço está disponível para elas. O sinal vermelho é apenas mais um meio de denúncia, porque o 190 continua, o 181 continua, o 190 continua”, completa a delegada.

A violência doméstica é um ciclo e precisa ser denunciada no primeiro momento

A violência doméstica é caracterizada como um ciclo, segundo a delegada Francine Bergamini, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Guarapari.
O ciclo da violência doméstica é composto pela crise, explosão, violência e reconciliação.

“A violência doméstica é cíclica. Primeiro acontece uma crise, durante a crise acontece uma explosão, vem a violência, eles reatam e passam a viver a lua de mel. Situação cíclica de lua de mel, crise, explosão, reconciliação”, explica a delegada.
E ao primeiro sinal de violência, a mulher deve denunciar para romper o ciclo. A delegada destaca que uma agressão verbal, um xingamento já é um crime dentro da lei Maria da Penha.

“Houve um primeiro xingamento, agressão psicológica, é preciso denunciar para romper o ciclo de violência, porque a tendência é que essa violência evolua até chegar em uma agressão física e muitas vezes no homicídio. O importante é denunciar no primeiro momento onde a mulher constata que está sofrendo violência”, completa a delegada.

Embora Francine reconheça que parece haver uma conscientização da mulher na questão de que a denúncia é “a melhor forma de coibir e impedir, de romper o ciclo de violência”, o índice de retratação é muito alto.

“A cada 100 mulheres que pedem medida protetiva, 90 retiram. A questão da afetividade e a questão financeira influenciam muito. Gosta do cara e quer dar mais uma chance”, destacou a delegada, informando que quem decide pela retirada da medida protetiva é o judiciário.

A empresária Juliana Astori, 37 anos, é uma das mulheres que apoia a campanha. “Silenciosa, informativa e se todas apoiarmos se torna forte e impactante para alcançar a quem precisa. Conheci e conheço mulheres que sofrem de alguma forma com a violência doméstica. A maioria bloqueada e cercada pelos agressores. Dessa forma acredito alcançá-las sem envolvimento direto”, disse ela.
A capitão da PM Clícia Janaína declara que a campanha não pode ser esquecida. “Para algumas mulheres, manter-se em isolamento social significa passar mais tempo junto de seu agressor e, consequentemente, ter poucas oportunidades de denunciá-lo. Pensando nisso, foi lançada a campanha que tem por objetivo oferecer um canal de denúncia silencioso para as vítimas”, comentou em suas redes sociais.