Desde o início da gestão do prefeito Edson Magalhães (PSDB), o Portal 27 tem mostrado as dificuldades e problemas na saúde de Guarapari.  O prefeito teve que mudar a secretária logo no início da gestão, saindo Camilla Freire após 101 dias e entrando Alessandra Albani. Mas os problemas continuaram.

Problemas. Durante toda a gestão de Edson (quase 4 anos) foram várias matérias sobre falta de remédios, falta de estrutura e equipamentos, unidades de saúde por terminar, entre outras coisas. Agora o problema atinge uma das partes mais importante da saúde de Guarapari, através da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), que fica no bairro Ipiranga e é ponto de referência para urgência e emergência na cidade.

Série de matérias. Fomos procurados por um profissional da UPA que nos passou algumas denúncias de vários problemas que serão pauta de uma série de matérias aqui no Portal 27. E para começar, vamos falar de uma denúncia que foi feita diretamente ao Conselho Regional de Enfermagem (COREN-ES), sobre diversas irregularidades que estariam acontecendo na UPA.

Faltam Respiradores. A denúncia foi em maio e pede ao COREN que “Faça uma fiscalização e ajuda para mudar a realidade da UPA de Guarapari”. A resposta do COREN aconteceu no dia 11 de junho. De acordo com a denúncia existem colchões rasgados, dificultando a higienização, falta filtro para colocar respirador, e nem respirador suficiente para colocar nos pacientes, tendo que os enfermeiros e outros profissionais, fazer a respiração manual (ambuzar), para não deixar os pacientes morrerem.

A denúncia pede ao COREN que “Faça uma fiscalização e ajuda para mudar a realidade da UPA de Guarapari”. – Print da denúncia

Macas. Ainda na denúncia protocolada, a afirmação é que faltam macas, ambulâncias são improvisadas para transporte, pois não tem instalações adequadas, funcionários recebem máscaras caseiras e somente um capote (proteção) por plantão e alegam que sempre existem problemas para se conseguir os Equipamento de proteção individual (EPI).

Intervenção. A denúncia ao COREN diz que que a prefeitura é omissa quanto as demandas (pedidos) dos profissionais e pede uma “intervenção imediata” na UPA, pois, os profissionais não querem mais ver “óbitos em cadeiras” como já teria ocorrido.

COREN. Procuramos o Coren, através de sua direção para falar sobre essas denúncias, mas a diretora que nos atendeu, disse que não poderia falar no momento, pois estava em uma fiscalização. Tentamos novamente hoje (5), mas não conseguimos falar com ela para essa reportagem.

Procuramos o Coren, através de sua direção para falar sobre essas denúncias, mas a diretora que nos atendeu, disse que não poderia falar no momento.

Sem respostas. O Portal 27 procurou a prefeitura para que ela se manifestasse sobre essas denúncias na UPA. Mas não recebemos resposta da Secretaria de Comunicação.

O Outro lado. Mesmo assim, procuramos uma profissional que é tida por alguns colegas, como uma pessoa séria e isenta, e que não vamos identificar nessa reportagem, para que ela nos dessa sua versão. Ela nos disse que as denúncias não são dessa forma.

Colchões. Segundo essa profissional “Existiam alguns colchões rasgados, como em qualquer instituição que tem um uso constante. Quando isso acontece realmente dificulta a higienização. Na segunda quinzena de maio chegaram muitos colchões que foram substituídos”, disse ela sobre os colchões.

Filtros. Ainda de acordo com ela. “Tem filtros sim, na farmácia que fica dentro da própria UPA, eles são disponibilizados de acordo com os pedidos, que são feitos pelo técnico de enfermagem no início do plantão diurno, os mesmos são supervisionados por um enfermeiro que é responsável pelo setor da emergência. Quanto aos respiradores temos uma média de 8, porém em todos os anos que trabalho na UPA, nunca vi mais de dois pacientes serem entubados ao mesmo tempo. Óbvio que agora estamos em uma pandemia, mas ainda assim em 4 meses também não aconteceu de ter mais de dois pacientes no tubo”, afirmou.

Ambuzar. “Quanto a ambuzar o paciente, sempre antes de colocar no respirador este procedimento é feito normalmente em qualquer instituição, também nunca vi paciente ser ambuzado até chegada de transporte. Isso não procede. Tinham algumas macas quebradas e foram substituídas. Falta não há”, explicou.

Máscaras. “Tiveram umas doações de mascaras que nós iríamos usar, mas assim que foi percebido que não eram ideais para os profissionais, foram deixadas para uso dos pacientes que muitas vezes chegam sem. O capote é entregue pela farmacêutica um kit que contém 2 máscaras 1 touca e um capote. Temos que assinar a retirada, mas se precisar no decorrer do plantão podemos pegar mais, porém assinando para justificar a saída, nunca tive qualquer problema em pegar tais materiais”, disse.

Morte. “Eu particularmente não soube de paciente que morreu em cadeira, não fiquei sabendo, sobre isso não posso opinar”, disse.

Ambulância. “Estava sem suporte para oxigênio, mas isso também foi resolvido pela coordenação, temos ambulância básica, que só vai motorista e enfermeiro, logo não tem equipamentos que tem em uma UTI móvel, que é o SAMU que atende com médico e enfermeiro. Todas as duas tem suporte para o oxigênio que é correto, acho que falta também um pouco de zelo pelos próprios profissionais, no contexto geral. Zelar é também nossa obrigação”, finalizou.

Desdobramentos. Em breve você vai acompanhar aqui os desdobramentos e as informações sobre a UPA de Guarapari em outras reportagens que vão completar a série para apurar toda a verdade sobre as denúncias. Fique ligado em nossa redes sociais. Nos siga no Instagram, Facebook e Youtube 

Deixe seu comentário