Depois de se reunir com o governador e anunciar a retomada de obras importantes para Guarapari (reveja aqui), o deputado estadual Edson Magalhães, recebeu a equipe do Portal 27 para uma longa entrevista. Ele desabafou, criticou a política em Guarapari e colocou seu ponto de vista com relação a situação administrativa da cidade de Guarapari, que hoje é coordenada por seu ex- aliado político, Orly Gomes.

Edson e PH
Depois de se reunir com o governador e anunciar a retomada de obras importantes para Guarapari, deputado recebeu a equipe do Portal 27 para uma longa entrevista.

Em outubro completou um ano que o senhor foi eleito deputado estadual. Qual a avaliação que o senhor faz deste primeiro ano na assembleia?

Eu acho que você ser deputado é você ter menos telhado de vidro. Você sai da mira dos holofotes. Você tem acesso mais fácil a tudo no Estado. E por outro lado tem uma coisa que é muito importante neste contexto, de não ser executivo para ser legislativo. Você tem a liberdade de expressão, isso é uma coisa muito importante, até por causa de uma lei que te dá todas essas garantias que é a imunidade parlamentar. Eu como deputado me sinto muito útil a Guarapari.

No começo do mês passado, senhor fez um desabafo na assembleia sobre a Operação Derrama, onde o senhor foi preso. Como o senhor avalia esse período?

Vou te contar uma coisa que nunca contei a ninguém. Nem a minha família. Em 2008, quando eu estava disputando as eleições, chegaram a ensaiar uma prisão minha, para poder me enfraquecer politicamente. Tentaram dar um golpe. Não sei de onde que saiu esse golpe. E depois tomaram a decisão de não fazer isso em uma reunião a noite em Meaípe. Entenderam que seria ridículo fazer isso com uma pessoa que não tinha nada a ver com nada. Por que eu sempre combati a corrupção.

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“Em 2008, quando eu estava disputando as eleições, chegaram a ensaiar uma prisão minha, para poder me enfraquecer politicamente.”

Isso ficou dentro de mim, sabendo que algum dia poderia acontecer alguma coisa dessa natureza, uma prisão para me desmoralizar, sabendo que é uma pessoa que frequentava igreja, tem um irmão que é padre. Ficou essa coisa dentro de mim, na expectativa que alguma coisa poderia acontecer para acabar com a minha reputação. E veio essa situação. Em janeiro de 2013, eu do lado do meu filho de três anos, os caras batendo na minha porta, e quando eu abri me deparei com um delegado e um policial.  Foi uma situação muito constrangedora. Não falei nada em casa, dei um beijo em meu filho, tranquei a porta e sai. Fui para o interrogatório no NUROC. Chegando lá o delegado não sabia o que perguntar. Não tinha provas, não tinha processo, não tinha nada. Então passou essa fase ruim na minha vida, eu fiquei muito chateado.

O senhor tem muita mágoa deste episódio?

Lógico, a gente tem mágoa daquilo que nós sofremos como injustiça. Por outro lado, aconteceram fatos importantíssimos na minha vida por conta disso. Em Alegre, a rua da minha mãe fez uma novena para mim. As pessoas encontravam a minha mãe e diziam “eu sei que seu filho não tem nada a ver com isso”. De Guarapari saíram dois ônibus que foram até o tribunal de justiça e rezaram o pai nosso. Outro ônibus saiu daqui para Aparecida do Norte para rezar por mim, por que sabiam do meu caráter. E agora felizmente veio a boa notícia que isso foi uma farsa para poder me derrubar no processo eleitoral em Guarapari.

O senhor é um dos nomes sempre citados para a disputa do ano que vem em Guarapari. O deputado Edson vai participar do processo eleitoral?

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“Então, eu sou pré-candidato, eu pactuei isso com a comunidade de Guarapari. Sou pré-candidato, ainda mais em uma hora tão difícil dessa.”

Quando eu comecei a fazer a minha campanha para deputado. Eu experimentei isso nas ruas. As pessoas diziam para o mim o seguinte: “Você vai ser deputado para poder voltar? Por que se não for para voltar, eu não voto em você. Nós queremos você para prefeito”. Eu falava. “Mas eu preciso de mandato”. E eles respondiam. “Então tá, nós votamos em você e você volta a ser prefeito”. Então, eu sou pré-candidato, eu pactuei isso com a comunidade de Guarapari. Sou pré-candidato, ainda mais em uma hora tão difícil dessa. Eu posso dizer categoricamente. Eu tenho medo que haja uma investigação em Guarapari hoje. Tanto no executivo como no legislativo. É tanta coisa errada! Guarapari está servindo de chacota lá fora. A cidade passou por momentos de reclamar e taxar turistas, depois veio bolinho de aipim, depois veio a ideia de colocar placa tipo Hollywood em um morro de preservação.

Isso incomoda o senhor como deputado e representante de Guarapari?

Lógico. Guarapari é uma cidade, que onde você vai o Espírito Santo é conhecido através de Guarapari. Como você pode colocar uma cidade, do tamanho que ela tem, do poderio que ela tem turístico, numa situação desagradável dessa? Então isso é muito ruim.

Qual a avaliação que o senhor faz da administração de Orly Gomes?

Se você olhar para o universo e neste universo tiver mil pessoas. Você não vai escolher uma pessoa para falar de você. Você vai querer que estas mil pessoas falem de você. Portanto, quem faz a avaliação dele é o povo, não sou eu.

E a mágoa que o senhor diz ter dele, inclusive postando nas redes sociais. Como foi isso?

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“E eu tinha dado a palavra a ele, que a hora que eu saísse da prefeitura, ele seria meu sucessor.”

Se você quiser uma biografia melhor disso aí, eu vou dizer qual é. Primeira coisa o seguinte: eu não conhecia Orly quando eu me tornei prefeito. Eu o conhecia como empresário, dono de uma loja de material de construção. Eu estava procurando um vice e achavam que meu vice tinha que ser uma pessoa da construção civil e surgiu o nome do Orly. Eu o convidei para uma conversa e fiz um convite a ele.  Ele estranhou muito e disse que ia consultar a família. E aceitou. Logo depois, ele ficou inelegível.

E para prestigiá-lo e indicamos o irmão dele que era filiado. Quando chegou a eleição de 2012, quando surgiu a situação de eu estar disputando um terceiro mandato. Algo que até hoje ainda não está bem decidido pelo Supremo. Então Orly começou com a ideia de querer ser candidato a prefeito.  E eu tinha dado a palavra a ele, que a hora que eu saísse da prefeitura, ele seria meu sucessor. E cumpri com a minha palavra, sempre cumpri com a minha palavra.

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“ele achou que era melhor soltar a corda. Soltou meu amigo, agora puxar de novo é difícil.”

Depois, eu fiz uma reflexão, chamei ele para conversar e disse a ele que eu achava que ele não tinha perfil para ser prefeito e que eu estava preocupado. Expliquei a ele que poderíamos fazer outra política, onde ele talvez pudesse ser candidato a deputado indicado pelo grupo. Mas ele disse que não, que queria ser prefeito. Ou seja, eu mantive a minha palavra e o fiz prefeito, por causa da minha boa gestão. Orly entrou na prefeitura puxando a corda. E de repente, ele achou que era melhor soltar a corda. Soltou meu amigo, agora puxar de novo é difícil.

Isso no sentido de que ele começou a mandar embora pessoas fiéis ao senhor?

Isso, de traição é um processo tão natural para as pessoas. Isso está no íntimo de parte dos brasileiros.  O que eu estranho muito, é que quando Orly ganhou, ele me fez duas visitas ao quartel, quando eu estava preso, chorou, lamentou e foi para os jornais dizendo que eu seria o Bill Clinton dele e ele seria o Barak Obama. Nada disso aconteceu.  Esse pessoal se apoderou durante o processo eleitoral que eu coordenava e tomaram conta do processo.  E onde não há liderança, não há organização. E hoje eu digo uma coisa para você, com toda a certeza. A prefeitura de Guarapari está literalmente quebrada.

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“Ele entrou em uma reunião em que eu estava e acompanhado de alguns políticos e secretários, queria que eu redigisse e assinasse um documento para eu não ser mais candidato a prefeito de Guarapari e para dar apoio a ele”

O meu primeiro rompimento com Orly foi quando ele acabou com a Unidade de Pronto Atendimento Infantil (UPAI), para entregar e iniciativa privada e agradar ao governador Casagrande. O meu segundo rompimento foi na minha campanha para deputado, ele entrou em uma reunião em que eu estava e acompanhado de alguns políticos e secretários, queria que eu redigisse e assinasse um documento para eu não ser mais candidato a prefeito de Guarapari e para dar apoio a ele.  A minha resposta foi a seguinte: “Quem está bem não precisa do apoio do outro”. Qual foi a minha posição? Eu não aceitei. E fui em direção a minha campanha sozinho. De novo.

Falando em campanha, o senhor está no mesmo partido do prefeito….

Eu não estou no mesmo partido do prefeito.

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“Eu vou para onde o governador Paulo Hartung estiver indo.”

O senhor já saiu?

Há muito tempo.

Então foi para onde?

Eu vou para onde o governador Paulo Hartung estiver indo. Eu já decidi com ele.

O senhor estava querendo ir para o PMDB.

Eu tenho convites para estar no PMDB. Eu tenho conversado com o governador. O convite nasceu dele, da Rose de Freitas, do Lelo Coimbra e consequentemente foi abraçado pelos deputados na assembleia.

Então hoje o senhor está no PMDB?

Hoje eu estou junto com Paulo Hartung.

Para finalizar, que recado você quer deixar para Guarapari?

O recado é que nós temos que nos unir em torno da nossa cidade. A cidade precisa se desenvolver, precisa crescer. Eu acho que o ambiente é extremamente positivo, apesar do ambiente econômico do país não ser o melhor. Mas existe essa aliança muito forte entre eu e o governador, tive o compromisso de apoiá-lo, e espero que ele tenha o compromisso também de poder me ajudar. Quero poder contar com o bom senso das pessoas. Se por acaso algum dia eu for prefeito dessa cidade, eu não quero abrir mão de uma coisa que eu amo tanto, que se chama educação. Eu sou apaixonado por educação, amante incondicional.