Com uma nova proposta de entretenimento, o Portal 27 vai dar dicas de filmes e séries. Nos finais de semana, a equipe de redação do Portal irá recomendar séries e filmes que estão disponíveis nos principais serviços de streaming ou nos canais de TV.

Para estrear essa nova modalidade com chave de ouro, resolvi escolher um documentário, estreado há quatro anos, que me fez perder noites de sono. Além de ter me rendido inúmeras pesquisas acerca da influência midiática no direito, o filme trouxe uma curiosidade a mais que eu já nutria pela própria investigação criminal.

Sou uma sociopata em pele de carneiro,
ou eu sou você.

Foto: Netflix

Amanda Knox é um documentário original estadunidense, produzido pela Netflix. O documentário conta os anos em que a personagem-título foi condenada pelo assassinato da amiga com quem dividia aluguel na Itália, chamada Meredith Kercher. A história, que tomou uma proporção mundial, envolveu não somente investigadores britânicos, como toda a mídia global. O intuito do documentário é revelar a cobertura midiática do caso, que foi, no mínimo, peculiar e cheia de reviravoltas.

A abordagem do original da Netflix se deu na romantização e globalização do crime, onde uma vítima inglesa havia sido supostamente assassinada por uma amiga norte-americana, conhecida por ter uma beleza estonteante.

“Foxy Knoxy deve apodrecer na cadeia: especialista britânico afirma que assassina sexy foi amaldiçoada em seus próprios diários”, na tradução.

O documentário mostra comportamentos estranhos de Amanda diante da situação de ter encontrado a amiga morta e seu relacionamento enigmático com italiano, que acabou também sendo condenado. Mas também aborda o orgulho inescrupuloso e desonrado dos investigadores criminais e a cobertura parcial e tendenciosa da imprensa.

Devido à crueldade do crime e à beleza pela qual Amanda era conhecida, não importava o que o juiz dissesse. Para a imprensa, ela era “Foxy Knoxy” para os jornais: uma assassina depravada, sexualizada e vulgar. Um magistrado italiano, prosecutor no caso, afirmava que “um homem não faria isso”. Anos depois foi condenado por abuso de autoridade.

A intenção principal desse original do Netflix é mostrar a influência das mídias no direito e quão problemática é a interferência exacerbada nas investigações. Hoje, Amanda é uma ativista pela causa das pessoas condenadas injustamente.

Confira o trailer.