Um proprietário de assistência técnica de celulares em Guarapari foi preso no dia 21 desse mês. Em entrevista coletiva à imprensa realizada na manhã de hoje na 5ª Delegacia Regional de Guarapari, o delegado Guilherme Eugênio Rodrigues explicou que Tiago Caldeira de Souza já vinha sendo investigado e foi preso por desbloqueio e receptação de celulares roubados. 

Segundo o delegado, a suspeita surgiu a partir da apreensão de um adolescente no dia 21 de fevereiro, que foi pego com um aparelho roubado. O adolescente apresentou a nota fiscal do telefone que havia sido adquirido na loja do Tiago, aberta há 1 ano. Após investigação e mandado de busca e apreensão na loja e na residência de Tiago, a polícia encontrou quase 600 celulares cuja origem não se conhece. Confira na íntegra a entrevista do delegado. 

Tudo começou com a prisão de um menor

“Em 21 de fevereiro um menor foi trazido até a delegacia em posse de um celular roubado e indagado sobre a origem do celular, ele apresentou uma nota da loja de assistência técnica de aparelhos do Tiago. A partir de então, reiniciamos uma investigação em favor do Tiago que já havia sido anteriormente apontado não somente pela compra de aparelhos roubados, mas também pelo desbloqueio desses aparelhos”.

Delegado da Polícia Civil

A partir de então, quando aconteceram as buscas?

“Assim que nós confirmamos que esse adolescente havia comprado o aparelho roubado com o Tiago nós representamos pela expedição de mandado de busca e apreensão em favor do estabelecimento e da residência do Tiago. Vale lembrar que em ocasião anterior a casa do Tiago havia sido alvo de buscas e vários celulares haviam sido encontrados lá. No dia 21 de maio foi dado cumprimento ao mandado, no local foram encontrados muitas centenas, acreditamos que cerca de 600 celulares foram inicialmente recolhidos e trazidos para a delegacia para que realizássemos as consultas necessárias para aferição da eventual origem ilícita de cada um desses aparelhos.” 

O valor que ele vendia esses aparelhos não levantava muita suspeita?

“O celular que ele vendeu originalmente ao adolescente que foi conduzido à delegacia foi de 800 reais que é o valor de mercado para um aparelho motorola G6, esse valor por si só não levantava suspeita, por isso entendemos que o adolescente agiu de boa fé e ele foi imediatamente liberado sem nenhuma implicação socioeducativa”.

Como foi constado que o Tiago tinha essa atitude na empresa dele?

“Ele foi até bem transparente. Ele falou que desbloqueia celulares, extrai as senhas de quaisquer celulares para quaisquer interessados sem exigir nenhum tipo de comprovação de origem lícita. Ou seja, qualquer ladrão que viesse a procurar a loja do Tiago até aquela data, conseguiria o desbloqueio do aparelho roubado para revenda e uso. Ele confirmou que fazia esse desbloqueio. Inclusive antes da busca, chegamos a fazer um contato gravado por meio do qual ele afirmou que fazia esse serviço sem nenhum tipo de exigência”.

Ele está preso?

“Ele está preso por receptação qualificada, crime que não é passível de fiança na esfera policial, está preso desde o dia 21 e a lei penal entende que o lojista, aquele que atua na forma empresarial na aquisição de bens tem um dever jurídico um pouco mais intenso que o restante da população, a lei entende que ele deve tomar as cautelas necessárias a fim de verificar a origem daquilo que compra. O cidadão comum só é preso pela aquisição de um bem ilícito, quando sabe da origem desse bem. O Tiago deixou claro que não tomava nenhuma providência para verificar essa origem. Ele informou inclusive que conhece o sistema da Anatel que permite para qualquer pessoa a verificação da origem de um bem, mas não tomava esse cuidado e permitia, inclusive, que um adolescente funcionário dele fizesse essas aquisições sem cuidado nenhum”.

Vão aparecer outros aparelhos roubados?

“Acreditamos que esse estabelecimento tenha vendido outros aparelhos, inclusive roubados e a origem ilícita desses aparelhos pode ser consultada por qualquer interessado através do site da Anatel. Aquele que eventualmente constatar que comprou do Tiago ou de qualquer outro lojista um aparelho roubado ou furtado, pode procurar a delegacia e reportar o fato”.

Como funciona o desbloqueio do I Phone?

“O desbloqueio do I Phone é quase inacessível para a maioria dos técnicos, então os I Phones quando são roubados, são submetidos a desmonte e as peças são vendidas. Na loja do Tiago existiam muitas pecas de I Phone, mas não foi possível identificar a origem da maioria deles. Um I Phone em particular que foi roubado foi encontrado na loja do Tiago. Por ser de mais difícil desbloqueio não deixa de ser roubado. Há aparelhos de marcas mais novas, linha S da Samsung, S 6 em diante, o Tiago narra que não conseguia desbloquear”.

Qual a expectativa sobre a diminuição dos produtos roubados no mercado?

“A expectativa é que tirando do mercado um receptador de produtos roubados, haja diminuição da incidência de roubos e furtos. Acreditamos que há outras lojas que praticam também esse tipo de crime e há investigações em andamento voltadas para coibição dessa prática”.

Quanto ele cobrava para desbloquear esses aparelhos?

“No caso concreto em que liguei para ele, ele pediu cem reais para desbloqueio de um aparelho Samsung. No interrogatório dele na delegacia, ele disse que desbloqueava para qualquer um e não gostava de comprar aparelhos roubados. Ele julgava a pessoa pela aparência, quando tinha boa aparência, ele comprava, quando tinha aparência suspeita, ele não comprava. Um outro dado interessante é que ele disse que adquiria menos de cinco aparelhos por dia. Ele tinha como saber sobre a origem dos aparelhos, mas não tomava os cuidados”.

Como o aparelho roubado ou furtado pode ser devolvido à vítima?

“A polícia só tem como identificar que um aparelho é furtado ou roubado e restituir, se no ato de registro do furto, a vítima informa ao policial o IMEI do aparelho, que é a identificação do mesmo”. 

ATUALIZAÇÃO. 22h40. Após a publicação de nossa matéria o acusado, Tiago Caldeira de Souza, entrou em contato com a nossa equipe e disse que não ficou preso. Segundo ele, existem informações que foram passadas pela Polícia e não estão corretas.

Segundo ele “Realmente eu fiquei preso dois dias e eu errei. Mas foi por vender, cerca de três meses atrás, um celular que eu havia comprado e revendido e que eu não sabia que era roubado. Tanto eu não sabia, que eu vendi e passei a nota, com a minha logomarca e todas as garantias da minha loja. Nisso eu errei”, disse ele.

Quantidade. Ainda de acordo com Tiago, as informações de que foram 600 aparelhos não correspondem a verdade. “Eu não tenho condições de ter essa quantidade de celulares em minha loja. Essa informação não é correta. Foram de 15 a 20 aparelhos que eles acharam dentro da minha loja e outras sucatas de 2015, de alguns clientes que eu sou obrigado a guardar por lei”, explicou.  

Fiança. Tiago explicou que não ficou preso e pagou sim, uma fiança de R$ 9,400 reais e vai responder pelos fatos em liberdade. “Meu advogado está vendo tudo isso. Eu peço desculpas ao cliente pelo erro, mas eu estou solto e tanto é que estou aqui falando com vocês. Eu errei e vou pagar pelo meu erro. Mas já estou até trabalhando na minha loja normalmente. Quero agradecer a todos os amigos e pessoas que me ajudaram neste momento difícil”, explicou.   

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