Mulheres que entenderam que lugar de mulher é onde ela quiser, vêm mudando as estatísticas em cargos de predominância masculina, como a construção civil.

Com as unhas feitas, cílios alongados, botina e capacete, a engenheira Karla Teixeira, aos 33 anos, comanda aproximadamente 50 homens em uma obra pública da cidade de Guarapari.

A engenheira comanda 50 homens em uma obra pública em Guarapari. Fotos: arquivo pessoal.

Engenheira civil, prestes a se formar em Engenharia de Segurança do Trabalho e Gerenciamento de Projetos, além de técnica em Segurança do Trabalho, Karla faz parte dos dados do Ministério do Trabalho e da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), mostrando que a participação das mulheres na construção civil cresceu 65% nos últimos anos.

“Aos 19 anos comecei a trabalhar como técnica em segurança do trabalho e meu primeiro contato com essa profissão foi na construção civil. Depois disso nunca mais saí da área. Para um crescimento na carreira como a sonhada pós em Segurança do Trabalho, minha profissão exigia uma engenharia ou arquitetura, e foi nesse momento em que optei por ingressar na graduação em Engenharia Civil, onde me apaixonei pela área”, revela ela.

“A profissão se julga masculina, mas não é”.

E mesmo já acostumada com o ambiente masculino, comandar uma obra com aproximadamente 50 trabalhadores, todos homens, foi desafiador para a engenheira.

“A profissão se julga masculina, mas não é. É possível qualquer mulher ser o que ela quiser, o que vai definir isso é a força de vontade. Meu maior desafio no começo, foi enfrentar o preconceito que ainda existe. Quando chego, as pessoas tomam um baque por eu ser mulher e nova tomando conta de uma obra de grande porte como esta e com essa quantidade de homens. Isso nunca me desmotivou muito pelo contrario, isso me impulsiona a buscar cada dia mais conhecimento e mostrar que sou capaz “, relata Karla.

Na atual obra, a engenheira revela que só tem ela de mulher no canteiro, e que todos a respeitam, e por ser mulher, ela acredita que o tratamento é até diferente.

“A mulher lida dentro da obra de forma diferente, tem uma visão detalhista que é característica feminina, não tirando o mérito de nenhum profissional, conheço excelentes engenheiros, mas a mulher na maioria das vezes é mais calma e tranquila que o homem para agir em determinadas situações, lógico que não é uma regra”, conta a engenheira.

Que ainda completa, que “mesmo que ainda exista preconceito, tem empresas que preferem mulher, isso já aconteceu comigo. Fui contratada por uma construtora da Grande Vitória pelo meu perfil profissional e também por ser mulher, característica exigida pela empresa”.

Além da profissão, ela revela que ainda toma conta de casa.

Mil funções. E nos dias atuais, o dia de uma mulher não termina ao final do expediente. A engenheira que é de Cachoeiro de Itapemirim, abriu mão da própria família, para se mudar para Guarapari e trabalhar na profissão dos sonhos. Há quase dois anos , Karla reside na cidade e acredita a cada dia mais, na força da mulher.

“A mulher não tem noção da força que tem, é colocada como sexo frágil, mas somos guerreiras. Ao sair do trabalho muitas precisam dar conta de sua segunda jornada que é ser esposa, mãe, filha, cuidar da casa, fazer comida e inúmeras outras funções. “Conheço famílias em que a renda principal da casa é a da mulher, e isso não é um peso”, conta a engenheira.

E ainda deixa um recado para as mulheres. “O recado que deixo, é que a mulher conheça a força que ela tem para conquistar o que ela almeja. Não existe limite para o que nós, como mulheres podemos realizar ”.