O dia da consciência negra, criado em 2003 e instituído em 2011, foi adotado como feriado em vários estados e municípios do país. Em Guarapari, desde 2007 o dia é adotado como feriado municipal e, para comemorar, a Escola Municipal Darcy Ribeiro promoveu um projeto de conscientização.

Neste ano, mesmo com a situação atípica de alunos precisando evitar o colégio, foi realizado um esforço em grupo, organizado pela diretora Lillyann Marcia Bruno de Souza, para que essa data tão importante não passasse sem o devido reconhecimento.

“É uma data muito importante e nesse ano, devido à pandemia, nossos alunos vinham trabalhando de forma remota, mas então para que pudéssemos realizar o projeto, nós contamos com muito cuidado e meios de proteção, com distanciamento e máscaras. Tivemos vários eventos hoje, para realmente conscientizar, como o próprio nome já diz, com oficina de tranças, exposição de atividades, comidas típicas, foi um momento muito bom de reencontrar nossos alunos e comemorar a data”, contou a diretora.

Lillyann finaliza. “A escola fica muita feliz de estar cumprindo seu papel social e eu, principalmente, fico muito feliz de ter visto tantas pessoas abraçando a causa, sou negra e ver a receptividade da comunidade, o envolvimento dos alunos e o trabalho dos profissionais é algo muito bom. O antirracismo começa na escola, aí está a importância desse movimento”.

A diretora adjunta, Soraia Amaral de Souza, também apoiou a iniciativa e contou brevemente sobre a experiência que foi.

“Nossa comunidade abraçou com muito carinho a causa, estamos realizando um projeto maravilhoso, com respeito e carinho, além de ser muito bom ver os rostos dos alunos depois de tanto tempo distantes, é um prazer, mostra que a escola Darcy Ribeiro tem o respeito de todos, a importância é conscientizar os alunos, mostrar o respeito que deve ser seguido, somos todos diferentes e isso é bom”, disse Soraia.

Outra organizadora do projeto, a professora Roberta, comentou sobre a importância de trabalhar isso com os mais jovens, divulgando os direitos das pessoas, combatendo o racismo, falando também sobre a alegria de ver tantas pessoas no projeto.

“Eu sou apaixonada pela causa, então sempre me motivo para fazer projetos sobre isso, um dos nossos maiores fundamentos é trabalhar essa lei antirracismo, que a gente sabe que, infelizmente, ainda existe muito racismo na sociedade. A aceitação dos alunos foi incrível, mesmo trabalhando remotamente para organizar isso, foi tudo perfeito”, contou a professora.

Além dos funcionários da escola e dos alunos, o projeto causou grande comoção na cidade, inclusive com pessoas de fora se voluntariando para ajudar. Este é o caso da estudante de educação física Franciele, que é trancista e foi até a escola para mostrar um pouco da cultura para os jovens.

“Eu sou trancista, faço desde os 9 anos, então fiquei sabendo desse projeto através de um convite da professora Roberta, ela me chamou e falou de toda a programação e eu, óbvio, topei na hora. Vim até aqui, cheguei às 7 horas e até agora não parei, já são umas 15 horas e eu estou fazendo tranças desde cedo, é muito bom ver que tantas pessoas se interessaram nisso, que é algo cultural”, relatou Franciele.

Por fim, a estudante Tainá dos Santos Freitas, que estava envolvida ativamente com o projeto, contou qual foi a importância para ela e para os amigos.

“Eu achei um trabalho muito bom e muito divertido, foi muito bacana ter tantas pessoas vindo aqui para ver nossos trabalhos e se conscientizar sobre a importância do respeito. Foi muito bom, precisamos fazer nossa parte e ajudar para que o racismo acabe, é o nosso dever”, relatou Tainá.

Deixe seu comentário