ESX 2025 trouxe conexão com inovação, negócios e criatividade

Quando os portões da Praça do Papa se abriram, em julho, a quinta edição do ESX – Innovation Experience Espírito Santo mostrou por que o estado ocupa hoje uma posição importante no mapa nacional da inovação.

Durante três dias, mais de 20 mil pessoas circularam entre palcos temáticos, rodadas de investimento e oficinas de cocriação. Ao todo, 133 encontros de negócios geraram R$ 24,9 milhões em intenções de aporte, com o Espírito Santo liderando o ranking de capital prospectado (R$ 11,8 milhões), à frente de praças tradicionais como São Paulo.

ESX 2025: Quando inovação encontra negócios

O coração financeiro do evento pulsou nas rodadas organizadas em parceria com a plataforma Dealist, com 57 startups em fase de tração apresentando suas soluções a 11 fundos nacionais. O Quartzo Capital, por exemplo, saiu como o investidor mais assediado.

Além disso, o Palco Acelera promoveu mentorias relâmpago sobre valuation e métricas de impacto, enquanto a Arena de Inovação exibiu cases de inteligência artificial aplicada à saúde pública e demonstrações de tecnologia quântica para otimização industrial.

Essa diversidade se refletiu nos R$ 11,5 milhões de negócios futuros estimados para fornecedores em até 12 meses, sinal de que o ESX amadureceu como verdadeiro hub de conexão entre ideias e capital.

Tendências que despontaram: IA, games e criatividade

Do ponto de vista de conteúdo, poucos eventos no país combinam, na mesma programação, mesas sobre computação quântica, design thinking e conhecimento indígena.

No Palco Plural, lideranças Tupiniquim e Guarani discutiram modelos de negócios baseados em saberes ancestrais, enquanto a Arena do Conhecimento lotou para a palestra de Márcio Ballas sobre improviso criativo.

E entre as trilhas de economia criativa, os games são um segmento chave. A 12ª edição da Pesquisa Game Brasil revelou que 82,8% dos brasileiros consomem jogos digitais em 2025, mantendo o país no topo da América Latina.

O estudo aponta o celular como dispositivo favorito, o que explica o interesse dos visitantes pelas demonstrações de títulos mobilefirst no estande de startups de entretenimento. É nessa lógica de partidas rápidas e baixa barreira de entrada que se encaixam muitos jogos populares.

A versão móvel de Call of Duty retrata combates realistas e partidas competitivas que raramente ultrapassam 10 minutos. No terreno do terror assimétrico, Dead  by  Daylight  Mobile entrega rounds de sobrevivência que giram em torno de cinco minutos, exigindo decisões imediatas entre cooperação e fuga.

Os slots e crash games seguem o mesmo padrão. O jogo Fortune Tiger, com animações leves e rodadas de poucos segundos, dialoga com a demanda por experiências imediatas mencionada em painéis diversos.

Já os aficionados por pancadaria encontram em Mortal Kombat Mobile duelos de cerca de 60 segundos, marcados por golpes cinematográficos que consagraram a franquia nos consoles.

O Sebraelab fez do papel kraft e dos lápis de cor instrumentos de prototipagem rápida, sob condução da incubadora TecVitória, que celebrou 80 startups graduadas e R$ 30 milhões captados em quase três décadas de atuação, números apresentados como prova de que o ecossistema capixaba vem se sofisticando a cada ano.

Conexões que movem o futuro

Os números de público e de investimento confirmam que o ESX deixou de ser feira regional para se tornar palco onde diversidade cultural, novas tecnologias e capital de risco convergem em benefício mútuo.

Ao legitimar desde a IA aplicada a políticas públicas até jogos populares, o evento prova que a inovação floresce onde há pluralidade de vozes e oportunidades concretas de negócio.

Arquivado em:

Compartilhe AGORA:

Picture of João Pedro Barbosa

João Pedro Barbosa

Jornalista formado pela Universidade Federal do Espírito Santo.

Veja todos os posts deste autor >