A Câmara Municipal de Vitória aprovou em regime de urgência a criação do programa “Eu Escolhi Esperar” nas escolas públicas municipais. O projeto, que tem base religiosa, incentiva a abstinência sexual como política pública para reduzir gravidez na adolescência. Especialistas, entretanto, defendem que o assunto deve ser tratado de forma mais abrangente.

“Eu Escolhi Esperar”. O nome do projeto é uma referência à campanha cristã de mesmo nome. De acordo com o site oficial da campanha cristã, o objetivo da iniciativa é “encorajar, fortalecer e orientar os solteiros cristãos a esperarem até o casamento para viverem experiências sexuais.”

De autoria do presidente da Câmara, Davi Esmael (PSD), o projeto foi aprovado por 9 votos a favor e 2 contrários. O vereador declarou à imprensa que o programa servirá como “política complementar” às que tratam do tema de gravidez precoce.

Medidas. Com poucos detalhes e sem muita especificidade, o texto define 4 medidas para o desenvolvimento do programa nas escolas públicas municipais. Os artigos não tratam os métodos de prevenção contemplados pelo programa, tampouco fazem menção à abstinência sexual, apesar da ideia ser defendida pelo autor do projeto.

  1. promoção de palestras direcionadas aos profissionais de saúde e educação, voltadas à consecução dos [alcançar os] objetivos do programa;
  2. exposição e divulgação de material explicativo, destinados aos adolescentes, esclarecendo eventuais causas, consequências e formas de prevenção da gravidez precoce;
  3. III – direcionamento de atividades para o público alvo do programa, principalmente os mais vulneráveis;
  4. IV – monitoramento de possíveis casos para avaliação e cuidado, promovendo a interdisciplinaridade entre os profissionais que irão atuar no segmento.