Apesar de pertencer ao Estado, o prédio onde funcionava a Associação dos Proprietários de Pequenas Embarcações (Aspropesca) e o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) de Guarapari está sendo usado por uma empresa privada.

A denúncia é de uma pessoa que pediu para não ser identificada, que explicou que o Estado cedeu o espaço para a Aspropesca e que em outubro do ano passado a associação e o Incaper tiveram que deixar a área por conta da obra de revitalização do Canal e a construção da avenida Pedro Ramos, pois o prédio seria demolido. A partir daí o local passou a ser usado por um empresário do ramo de pescas.

Denúncia é que antiga sede do Incaper está sendo usada por um empresário de Guarapari. Foto:Rafaela Patrício.

“Foi pedido para eles saírem então eles venderam os equipamentos para o empresário Toquinho, que passou a utilizar o prédio da Aspropesca sem documentação nenhuma. Depois que o pessoal do Incaper também saiu do prédio, que ficou abandonado, foi constatado que o empresário estava usando a área do Incaper. Ele já tinha colocado um freezer lá dentro e estava entrando com o carro lá para guardar material de pesca”, relatou o denunciante.

“Quando o pessoal da Secretaria de Agricultura esteve lá constatou que a porta da cozinha foi aberta e que eles estavam usando tudo lá. Trocaram até os cadeados tanto é que ele tinha a chave e abriu lá quando o subsecretário de agricultura esteve aí”, completou.

Empresário teria invadido o local sem autorização do governo do Estado. Foto: Rafaela Patrício.

Sem lugar. Ainda de acordo com o denunciante, o Incaper está presente no município há quase 50 anos e há mais de 20 anos funcionava naquele espaço. Mas agora os funcionários estão sem sede própria para trabalhar. “A diretoria do Incaper não deu estrutura nenhuma para os funcionários. Ela simplesmente os mandou sair e falou para que eles procurassem um lugar para trabalhar. Eles foram acolhidos pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais e estão lá de favor. Mas o prazo para que eles fiquem lá acaba no dia primeiro de junho e depois disso eles não vão ter para onde ir. Enquanto isso, o prédio que é do Estado está sendo usado por um empresário. O Incaper tem conhecimento de tudo porque foi comunicado, mas não fez nada e nem se manifestou”.

Toquinho confirmou o uso do prédio da Aspropesca, mas disse que não se apoderou da sede do Incaper. Foto: Rafaela Patrício.

Toquinho. O empresário Lauro Dias Silva, conhecido como Toquinho, confirmou que está usando a sede da Aspropesca, mas negou o uso do escritório do Incaper. “Como venceu o contrato deles, os rapazes me venderam a fábrica de gelo, o maquinário. Quando o secretário de estado esteve aqui antes da conclusão do que iria tirar ou não, houve uma reivindicação dos pescadores de como seria feita a descarga dos peixes e está se aguardando o que vai ser feito. Mas o prédio do Incaper ninguém está se apoderando disso, nem passamos por lá. Só usamos o prédio da Aspropesca, que nós compramos o material todo que tinha dentro. Mas se eles falarem amanhã para retiramos todo o equipamento nós retiramos”, afirmou empresário.

O Portal 27 procurou o Incaper para saber o órgão fará solucionar a falta de sede para os funcionários trabalharem e também para retomar o imóvel e foi informado que “O Escritório do Incaper deixou de atuar no imóvel em questão por solicitação do Governo do Estado, que necessita do espaço para a realização de obras de mobilidade urbana no município. Diante da urgência, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais cedeu um espaço para o funcionamento da unidade provisoriamente. Como a Prefeitura Municipal não sinalizou positivamente com relação a uma parceria com o Instituto, o Incaper pretende formalizar o aluguel junto ao Sindicato ou providenciar outro local para a atuação de seus profissionais. Sobre a denúncia de utilização indevida do espaço, é importante ressaltar que o imóvel é de responsabilidade do Estado, e não do Incaper”.

O portal 27 tentou falar ainda com o governo do Estado para saber um posicionamento do uso deste imóvel, mas até o fechamento desta matéria, não obteve respostas.

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