Opinião: Injustificável ter que embarcar e desembarcar exclusivamente na rodoviária

Se você não deseja ler essa coluna, o tema da mesma resume, não só ela, como também resume o que estão fazendo com os moradores de Guarapari/ES. Sobretudo, com aqueles que precisam fazer uso do transporte coletivo intermunicipal.

“Contrato que fere, pune e penaliza, não precisa ser cumprido”. Essa é a fala de um morador indignado com a novela da vida real que está sendo essa “Rodoviária da intriga”, como alguém bem a chamou.

Essa constrangedora, desagradável e desconsertante situação (acredite, falta adjetivo), foi uma parte do legado deixada pelo atual Deputado Estadual do Espírito Santo e ex prefeito de Guarapari, Edson Magalhães, não fazendo valer, nem de longe, aquilo que é justo aos olhos da razão.

Seguramente, já se paga caro demais para viver, e situações como essas, somente servem para mostrar como existem imposições políticas arbitrárias às custas do eleitor. Casualmente, alguém sabia dessa trama até virar best seller e ser sonorizada nos rincões de Guarapari?

Acordo entre prefeitura e empresa que administra o Rodoshopping deve ser decidido ainda esta semana. Foto: Wilcler Carvalho/Portal 27
Passageiros serão obrigados e embarcar no Rodoshopping Foto: Wilcler Carvalho/Portal 27

“Quando a sociedade civil organizada toma conhecimento dos fatos que lhe dizem respeito, a mesma já foi furtada em muitos dos seus direitos”. Já dizia Nicolau Maquiavel, no livro: “A arte da guerra”. (Ressalto, a bem do bom senso, que Maquiavel é globalmente reconhecido como o fundador do pensamento e da ciência política moderna, pelo fato de ter escrito sobre o Estado e o governo como realmente são e não como deveriam ser).

Ouve-se falar que movimentos populares começam a tomar corpo e forma, criando um exército de insatisfeitos e indignados com essa complexa disputa. É um grande número de gente que já está sendo afetada com o descabido decreto municipal que obriga o embarque e desembarque exclusivamente na Rodoshopping de Guarapari.

Não somente os diretamente afetados, como também todos aqueles sensíveis a causa que afetará toda a população de forma frontal, unem-se para participar dos regulares e importantes encontros de mobilização popular que está ocorrendo com frequência na cidade. Diante disso, somos inclinados a pensar que nosso poder judiciário terá um pouco de trabalho a mais por esses turbulentos dias.

É uma ditadura moderna saber que o único local para embarque e desembarque dos usuários do transporte coletivo de passageiros intermunicipal é a nova Rodoviária de Guarapari, e isso de maneira impositiva. Houve algum plebiscito para escutar a cidade?

A partir do dia 19 (quinta-feira) usuários do transporte intermunicipal só poderão embarcar na rodoviária. foto: João Thomazelli/Portal 27
Uusuários do transporte intermunicipal só poderão embarcar na rodoviária. foto: João Thomazelli/Portal 27

Será que Guarapari assistirá de maneira passiva e submissa, todos os passageiros de seu município se sacrificando numa injusta locomoção até a nova rodoviária que fica a cerca de sete km’s do centro, para, aí então, embarcar em um ônibus intermunicipal, rumo a outra cidade ou localidade fora da área urbana? Para quem não mora no centro, será ainda pior.

Recordando que, quando o destino for Guarapari, os passageiros deverão desembarcar dos ônibus intermunicipais apenas no citado local; e utilizar um outro meio de transporte para chegar em seu bairro ou residência, podendo ser táxi, ônibus, veículo particular etc.

Não obstante isso, além do aumento do tempo de viagem e custo adicional com deslocamento até a rodoviária ou a partir dela, os mesmos passageiros terão que pagar taxa de embarque do uso da mesma.

Realmente isso precisa ser parado.

Pense que, se um passageiro reside no Bairro de Kubitcheck e deseja embarcar para Anchieta, ele deverá se deslocar até a nova rodoviária, que fica na BR 101, e lá embarcar noutro ônibus, pagando, além da passagem, a taxa de embarque.

É, no mínimo, desnecessário e ridículo isso! Parece que voltamos a era das trevas, onde não havia lucidez e a ignorância reinava soberana. Se outro passageiro, como exemplo rápido, reside no Bairro Aeroporto e deseja embarcar para Vitória ou Vila Velha, ele deverá se deslocar até nova rodoviária, que fica na BR 101 (como vimos), e de lá, embarcar no ônibus, pagando, além da passagem, a taxa de embarque.

“São cerca de cento e vinte mil habitantes contra uma câmara de dezessete vereadores, em sua maioria esmagadora inativos, inoperantes e sem expressão, ao que se percebe, dentro desse quesito. Acho que eles se esqueceram que esse ano é ano eleitoral”. Já dizia um outro morador muitíssimo insatisfeito com esse desfecho.

“O poder legislativo é ineficiente e o empresariado querendo cada vez mais esmagar o pobre trabalhador a todo custo, tentando tirar dinheiro de onde não tem”. Fala de uma jovem senhora por demais aborrecida com essa aberração social. Frente a tudo isso, pensando com bastante clareza, além desse cenário aviltar a cidadania, desprezar a lucidez e afogar a sobriedade, é mesmo injustificável.

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