As irmãs Millena Nascimento Ramalhete, de 17 anos, e Ulliana Sabrina Nascimento Aragão, de 20 anos, são a prova de que as mulheres podem exercer qualquer profissão. As duas trabalham na borracharia do pai, localizada em Muquiçaba, e mostram que não se deve diferenciar trabalho para homens e trabalho para mulheres.

Ulliana e Millena, as irmãs borracheiras que superam preconceitos de alguns clientes e fazem sucesso com outros. Foto: Rafaela Patrício

Ulliana contou que trabalha na borracharia há 8 meses e que essa foi a maneira que encontrou para superar o desemprego. “Meu marido ficou desempregado e como eu não estava fazendo nada e emprego aqui em Guarapari está bem difícil eu resolvi vir ajudar o meu pai para ver se conseguia um dinheirinho por fora e tomei gosto. É bem interessante”.

“A gente faz tudo. Só na área de vulcanização de pneus, que é quando tem um corte na lateral e tem que lixar por dentro e colocar um conserto mais reforçado, que ainda não. Isso é só os rapazes que fazem, mas troca de pneu, montagem e desmontagem e remendo a gente faz”, conta Ulliana.

A jovem confessou que a rotina de trabalho exige muita força. “É um trabalho bem pesado, mas com o tempo vamos acostumando e não fica tão pesado como as pessoas pensam”. Ela também relatou que os clientes estranham quando encontram duas moças trabalhando na borracharia. “Alguns chegam a perguntar se a gente sabe mesmo fazer o serviço e outros nos parabenizam, mas no geral o pessoal acha bem legal”.

Millena e Ulliana garantem que são boas no que fazem e que não tem medo do trabalho pesado. Foto: Rafaela Patrício

Segundo Ulliana, ainda existe muito preconceito com mulheres exercendo profissões consideradas exclusivas para homens. Ela relatou que algumas vezes o preconceito parte das próprias mulheres. “Quando envolve a questão de força bruta querendo ou não somos mais fracas que os homens então têm um certo preconceito. Hoje mesmo aconteceu um por parte de uma mulher. Minha irmã foi a atender e ela falou que preferia que esperar o rapaz terminar porque ela não estava confiando muito no serviço da minha irmã”, lamentou a jovem.

Um pouco mais tímida, Millena contou que está no emprego há duas semanas e que apesar do preconceito de algumas pessoas está gostando da experiência. “Eu gosto, mas às vezes é meio desagradável porque tem gente que fica de gracinha jogando piada e tem gente que não confia muito no nosso serviço e pede para um homem fazer. Quando isso acontece parece que não sou capaz, mas sou capaz de fazer as mesmas coisas que um homem faz”.

O comerciante Sabina, de 44 anos, é cliente da borracharia e estava sendo atendida pelas meninas pela primeira vez. Ela defendeu o trabalho das duas borracheiras. “Eu acho ótimo ver as meninas trabalhando aqui porque o que um homem faz uma mulher também pode fazer. O importante é que ela seja competente para fazer o trabalho. Seja homem ou mulher o importante é a qualificação da pessoa e elas levam jeito”.

Millena reclamou do preconceito e revelou que pretende ser policial. Foto: Rafaela Patrício

Millena também deixou escapar que pretende exercer uma outra profissão que para muita gente também não é serviço de mulher. “Eu estava precisando de dinheiro e estudo à noite então meu pai me deu o serviço de meio período aqui na borracharia. Estou no primeiro ano e quero ser policial”.

O proprietário da borracharia e pai das meninas, José Antônio Ramalhete, de 48 anos, relatou que trabalha como borracheiro há 22 anos e disse estar orgulhoso das filhas. “Essa mais velha foi criada comigo desde pequena na borracharia. Já tinha imaginado elas trabalhando comigo, mas esperei que elas se interessassem primeiro. Agora elas estão aí. Vinheiro para auxiliar e atendem bem os clientes. Estou orgulhoso”, afirmou o pai.

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