Dois meses após o fogo destruir completamente o Shopping Praia do Morro, em Guarapari, e deixar 65 expositores sem ter onde trabalhar, o laudo do Corpo de Bombeiros foi concluído. O laudo pericial de 169 páginas aponta como causa indeterminada, mas entre as possibilidades apresentadas o curto circuito é a que tem maior probabilidade.

Comandante Interino afirma que foram três causas estudadas.

Segundo o Comandante Interino do 5º Batalhão do Corpo de Bombeiros, Major Vitor Escalfoni, das três possíveis causas, o curto circuito é a que tem mais chances de ter provocado o fogo.

“O fenômeno termoelétrico ou curto circuito é a causa mais possível porque o local as próprias testemunhas e lojistas disseram que tempos atrás houve princípios de incêndio e se viam ligações indevidas lá. O Corpo de Bombeiros, por exemplo, o vistoriador de nossa secção de atividades técnicas, é o principal elemento dele não ter fornecido a renovação do alvará então os elementos que levam a essa possibilidade são muito maiores. Mas não podemos descartas a ação intencional ou a ação acidental”.

No entanto, o laudo pericial aponta três causas possíveis do grande incêndio. “Ao final dessa perícia nós concluímos que poderíamos ter três causas prováveis. Uma delas pode ter sido o fenômeno termoelétrico, que é a parte da eletricidade do shopping. A outra causa poderia ser uma ação pessoal, alguém adentrar ao local e por iniciativa fazer o incêndio, mas a gente não tem provas suficientes que alguém entrou. A terceira causa pode ter sido acidental, que é alguém adentrar o shopping e acender uma vela ou fumar um cigarro e sair, esquecendo aquilo lá e assim pegar fogo”, relata o Major. 

De acordo com o laudo, o incêndio começou entre às 5h30 e às 6 horas da manhã do dia 19 de abril.

Vídeo. Algumas semanas após o incêndio, um que mostra uma pessoa passando com algo na mão em direção a feira levou a entender que o fogo poderia ter iniciado a partir da ação de uma pessoa, no entanto, o Major afirma que a cena não prova que alguém possa ter colocado fogo no local.

“Nós recebemos a imagem e analisamos, mas ela por si só não tem elementos para indicar que essa pessoa provocou o incêndio. Isso pelo menos do ponto de vista que tivemos, que é o da rua de trás. Nós não temos visão dele quando ele passa na rua lateral e ele não aparece na rua da frente que é a avenida Beira Mar. Não temos testemunhas também que tenham visto isso então pela imagem somente da rua de trás não é possível ver ele em nenhuma atitude de atear fogo. Ele está com uma sacola branca na mão e vai para o mercadinho da rua de trás, retorna para o outro lado da rua, vem para a rua do shopping e entra para a rua lateral novamente. Essas imagens por si só não têm elementos suficientes para dizer que essa pessoa possa ter colocado fogo. Ela pode ter incendiado? É possível, mas não conseguimos provar. Com esses elementos todos, há uma possibilidade que possa ter sido também, mas a gente não tem plena certeza”. 

65 expositores perderam tudo.

Rede elétrica não foi desligada. Na época do acidente, o dono do imóvel disse que o local possuía três redes de eletricidade diferentes. Uma para a lanchonete, outra para as câmeras de videomonitoramento e outra para a feira.

Através das investigações, o Major disse que nenhuma das três estaria desligada, conforme foi informado e é esse mais um fator que leva a considerar a possibilidade maior de ter sido um fenômeno termoelétrico, pelo fato de que o procedimento da feira era de se desligar a rede elétrica, exceto o da lanchonete, que tinha um circuito independente, no entanto, foi detectamos que não desligaram tudo.

“Os ventiladores por exemplo, estavam energizados, ou seja, havia energia elétrica passando na fiação deles. Como nós comprovamos isso? Foi encontrado traços de fusão – quando o fio derrete por questões elétricas. Nós constatamos que os fios não foram derretidos pelo fogo externo, ele foi derretido através de um curto circuito, e para isso, tinha energia passando nesses fios”, detalhou o Major. 

Horário. De acordo com o laudo, o incêndio começou entre às 5h30 e às 6 horas da manhã do dia 19 de abril. Segundo o Major, através da perícia não foi possível saber de onde o fogo começou, mas não foi da lanchonete, já que o local foi atingido apenas pelo lado de fora, por conta do calor e da fumaça.

O prédio ao lado da feira foi atingido pelo incêndio.

Atendimento em 9 minutos. Através da perícia, o Major explica que é possível provar que o atendimento foi em 9 minutos. “Foi incluído no laudo pericial, o boletim do atendimento do Ciodes. Desde a primeira ligação que chegou ao Ciodes, até o momento em que o bombeiro chegou ao local, foram 9 minutos. Foram 4 minutos de atendimento pessoal realizando o protocolo. E após o momento que fomos acionado aqui na base, chegamos ao local em 5 minutos.

Água. De acordo com o Major, a situação de acionar carros pipas de outras cidades é normal. “Nós temos contato com os carros da prefeitura, da Rodovia do Sol e até mesmo da Samarco que nos dão esse suporte. Nosso caminhão tanque fica em Vitória e ele também veio. Nós solicitamos o reforço de acordo com as proporções do incêndio. Como sabíamos que se tratava de um shopping, nós pedimos imediatamente o de Vitória, Guarapari e Samarco. Todo o apoio levou tempo, porque esses carros não correm, mas todos chegaram. Nessa ocasião, até o carro de Anchieta foi usado em atendimento”. 

Além dos feirantes, os moradores do prédio ao lado da feira não estão residindo no local. O edifício foi atingido pelas chamas e precisou ser interditado pelo Corpo de Bombeiros e Defesa Civil. O prejuízo do prédio pode chegar a R$ 3 milhões de reais e a reforma pode levar um ano. 

 

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