Embora o Chile tenha autorizado formalmente a importação do mamão brasileiro em setembro de 2024, passados dois anos da liberação, o Brasil ainda não realizou exportações da fruta em escala comercial. O impasse prejudica diretamente os produtores do Espírito Santo, estado que lidera a produção nacional e responde por 44% de todas as exportações brasileiras da fruta.
O travamento decorre de regras impostas pelo Plano de Trabalho para a Exportação de Frutos Frescos de Mamão, que estabeleceu exigências fitossanitárias consideradas inviáveis operacionalmente pelas empresas exportadoras brasileiras.
Compradores Pedem, mas Regras Travam Envios
Segundo a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Papaya (Brapex), há demanda ativa e consultas frequentes de importadores chilenos, mas os produtores capixabas não conseguem atender às solicitações devido aos impedimentos legais e sanitários.
“Ainda não exportamos nada. Este problema já se arrasta há mais de ano. Estamos recebendo várias solicitações de compras, mas não podemos enviar os frutos por questões legais de bloqueio fitossanitário.”
— José Roberto Fontes, representante da Brapex.
A abertura efetiva é considerada estratégica para o Espírito Santo, pois permitiria diversificar os destinos internacionais da fruta — atualmente concentrados na União Europeia — e garantir melhores margens financeiras aos produtores em períodos de safra.
Previsão de Solução Apenas para 2027
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que está em negociação direta com o Serviço Agrícola e Ganadeiro do Chile (SAG) para revisar e flexibilizar o protocolo técnico.
Em junho de 2026, o governo brasileiro submeteu uma proposta de reformulação. Embora haja consenso técnico sobre as correções necessárias, a tramitação administrativa ainda levará meses:
O Chile publica norma autorizando a entrada do mamão brasileiro, mas fixa exigências fitossanitárias rígidas.
O Mapa envia ao governo chileno uma proposta para readequar o Plano de Trabalho e viabilizar os embarques comerciais.
A autoridade sanitária chilena (SAG) promete apresentar um parecer conclusivo sobre as alterações propostas pelo Brasil.
Expectativa do Mapa para a assinatura final dos protocolos e início dos primeiros embarques regulares.
Desafios Internos na Produção Capixaba
Além das barreiras burocráticas nas fronteiras, a cadeia produtiva do mamão no Espírito Santo enfrenta entraves do lado de dentro da porteira. A ocorrência de viroses (como o mosaico do mamoeiro) exige a erradicação imediata de plantas doentes, provocando perdas imediatas de produtividade. Altos custos com insumos e escassez de mão de obra qualificada no campo também limitam o ritmo de expansão do setor.
Panorama do Mamão Capixaba e do Mercado Chileno
| Indicador / Aspecto | Detalhes |
| Participação do ES no Mercado Externo | 44% do volume de mamão exportado pelo Brasil |
| Principal Mercado Atual | União Europeia |
| Situação no Chile | Mercado aberto no papel desde 2024, mas zerado em vendas comerciais |
| Principal Obstáculo | Exigências fitossanitárias do Plano de Trabalho |
| Previsão de Desbloqueio | 1º Semestre de 2027 |










