Mesmo após o protesto da população e o novo comandante, Tenente Coronel Pessanha, anunciar na tarde desta terça-feira, dia 07 de fevereiro, que a PM vai voltar a patrulhar a cidade, os familiares dos policiais continuam acampados em frente ao 10 º Batalhão da Polícia Militar, em Guarapari.

Familiares dos militares estão acampadas há quatro dias em frente ao 10º Batalhão da Polícia Militar.

Uma professora que é casada com um policial e faz parte do movimento das famílias dos PM’s relatou que eles estão sofrendo constantes ameaças, mas não pretendem deixar o local. “Estamos sendo ameaçadas todos os dias ali. É tudo muito lamentável. Acho que as categorias no geral não deveriam fazer greve porque a importância deles deveria ser reconhecida pelos seus patrões e não ser sugados até a alma”.

Ela também reclamou da forma que os policiais são vistos e tratados. “Teve policial que se suicidou e cadê se alguém foi lá prestar solidariedade à família do policial que ficou ai sem emprego, sem chefe de família, sem ninguém? Ninguém olha. Os policiais quando chegam nos lugares são chamados de vermes, os vermes agora estão fazendo falta porquê?”.

Uma das reivindicações é o aumento do salário dos policiais, que estaria defasado há 7 anos.

A professora fez questão de dizer que os policiais não têm envolvimento com o protesto realizado pelos familiares. “Não foram eles que fizeram a manifestação. Fomos nós, as esposas deles que tomamos a iniciativa porque eles só podem falar sim senhor, sim senhor. Eles são homens, pessoas dignas”.

“Meu marido tem 28 anos de polícia. É uma pessoa íntegra que é respeitada tanto na sociedade como no batalhão. É um excelente chefe de família, pai, marido e colega. Eu tenho orgulho do meu marido assim como tenho orgulho da minha profissão, que são duas profissões que não são valorizadas que é tanto o professor como o policial. Isso é uma vergonha para o governo que só reconhece a importância. Mas a gente não vive de importância, vive de dinheiro para pagar as contas, poder ir ao médico, para fazer o plano de saúde, odontológico”, desabafou a professora.

Ela também falou sobre as dificuldades que os policiais enfrentam na área da saúde.  “O governador Paulo Hartung passou mal e foi para São Paulo. Nem o HPM aqui nós temos direito quase porque ele é mais para servir a população.  Os policiais ficam à mercê, tem policial aí que precisa fazer cirurgia e não tem condições, mas tem que está na rua passando mal porque é perseguido, é dado cadeia para eles. Isso é injustiça”.

A professora disse ainda que os familiares dos policiais estão dando exemplo de união e cidadania para a sociedade. “Nós estamos dando exemplo do que é família. Estou com muito orgulho desse movimento porque estamos mostrando para a população e as categorias que estão aí como professores, e eu sou professora, o que é ser família e o que é ser unido. Estamos dando um exemplo de cidadania. Isso que é união, não é covardia não”.

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