Vários dilemas estão sobre as cabeças dos brasileiros neste momento levados à reflexão de forma abrupta, digamos. Dentre eles está o ser ou não ser bolsonarista, o que nem sempre quererá dizer ser extrema para lá ou para cá, muito menos ser do centro (centrão, já que é a palavra da vez). Pode-se ser apenas coerente.

Se por um lado temos a necessidade da retomada do ritmo da economia, por outro temos vidas sendo ceifadas pelo coronavírus, de forma impiedosa e não celetista, quanto ao ataque. Por isso, precisamos da verdade. Sabemos, no entanto, que a verdade é relativa a depender do ponto de vista, portanto, a transparência formará a verdade e não a verdade a transparência.

Artigo de Ricardo Rios, Advogado e Contabilista

Verdades à parte, tanto um lado quanto o outro buscam um futuro melhor para todos, pelo menos nos discursos, ainda que recheados de fisiologismo. Uns querem as cabeças dos ministros do STF e outros o respeito às instituições. Todos querem o direito à liberdade de expressão, mas, nem sempre respeitam a expressão adversa.

Quando olhamos para o passado, não tão distante, vemos mudanças de pensamento tão rápidas que mal conseguimos processar para melhor entendermos o que se passa. Até ontem o inquérito das fake news aberto no STF era veementemente combatido pela grande imprensa, porque extrapolava a competência daquela corte, hoje, ao contrário, vemos uma ferrenha defesa desse expediente pela mesma mídia, no meu pensar, a medida do STF é inconstitucional.

Nesse mesmo retrovisor, vimos alguns ministros do STF mudarem suas interpretações a respeito da lei, de forma tão rápida que a jurisprudência já é natimorta. Citamos, somente como exemplo, o julgamento da prisão em segunda instância e o julgamento a respeito da liberdade de expressão.

No outro retrovisor, vemos o nosso presidente mudar de direção a cada buraco na pista, sujeitando-se a aceitar copilotos sem a devida idoneidade. Ou seja, aquele que foi eleito com o discurso de combate a corrupção, alia-se a políticos investigados pela “lava jato” e a outros que respondem a diversos processos com sérias acusações de desvios de recursos públicos.

O que foge do retrovisor, muitas vezes fica esquecido, porém, devemos fazer sempre um exercício de memória para conhecermos a fonte de determinada ações. Chama a atenção um ato recente de um grupo em Brasília que se assemelhou aos movimentos da Ku klux klan, fato que deve ser repugnado por toda a sociedade.

Ainda no espelho do passado, não podemos esquecer daqueles que criticavam o STF por negar os inúmeros habeas corpus em favor do Lula e que agora elegiam a Suprema Corte, e outros que faziam exatamente o contrário, sem que tenha havido mudança substancial em sua formação dos membros.

A história da humanidade se repete, com maior ou menor intensidade, por isso, cabe a cada indivíduo refletir sobre cada expressão, sobre cada ação e sobre os fatos que estão norteando nosso futuro, não esquecendo, jamais, de olhar criterioso para ao nosso passado.

Por Ricardo Rios, Advogado e Contabilista – 

Ricardo Rios, exerceu cargos como servidor público na Assembleia Legislativa do ES, na Secretaria Estadual de Desenvolvimento Urbano do ES e no Tribunal de Contas do ES.
Foi Secretário Municipal de Administração e de Fazenda de Piúma; Controlador Geral do Município de Piúma e de Itapemirim. Hoje é Diretor Geral da Câmara Municipal de Guarapari.
Pós-graduado em Direito Público
Pós-graduando em Controladoria e Finanças
Especialista em Direito Eleitoral