Quando você está acostumado a se entreter com tudo que te conecta à história ou já viajou meio mundo feito caixeiro-viajante, acompanhado por suas emoções perambulantes, fica difícil se surpreender com algo que fica bem perto de você… até porque nossos sonhos buscam sempre por lugares distantes e improváveis. Porém meu amado leitor, nós, garimpeiros do “inesperado”, somos mestres e temos o faro aguçado para caçar tesouros que ainda clamam por ser encontrados. É sobre uma dessas joias raras que hoje quero ornar seus pensamentos.

Guarapari com suas belas praias e beleza ímpar, em 99% das vezes, é lembrada por ser o Portal do Turismo do Espírito Santo e infelizmente, não raro, um DESERTO cultural criado pela vacância do poder público sensível à estas demandas… bom, mas isso é assunto para outras colunas – o fato é que mesmo morando há 22 anos nessa cidade linda nunca havia encontrado um lugar que fosse além de sua fachada primorosa – um oásis de cultura.

Já estamos no terceiro parágrafo e ainda não falei o lugar, mas se falasse logo no começo, você como eu, arriscaria a se fiar apenas pelo nome… e a chancela apenas ia lhe parecer comercial, VILLA AZUL – Móveis de Demolição. Agora que disse, isso não muda nada, apenas denota que o local é tão comercial como qualquer outro… que apenas vende móveis…, mas não se deixe enganar – O LUGAR RESPIRA ARTE, HISTÓRIA, UM VERDADEIRO ENTREPOSTO CULTURAL DE 1200m².

Entre idas e vindas à Enseada Azul, parei no local por pura curiosidade madrilena. Ao adentrar tive que segurar o fôlego de tanto entusiasmo que deixei transparecer. É como se a arte impregnada no local me transformasse no excêntrico cientista “Doc Brown” do filme “De volta para o Futuro” e eu simplesmente pudesse regular uma data no tempo e para lá me transportar.

Cada peça na Villa Azul carrega uma história… não como uma história em um antiquário, mas uma história que te cativa pela relevância e fragrância do presente. Por lá se encontram artistas de todas as estirpes, locais, nacionais e internacionais. Eles estão presentes em objetos e quadros que evocam suas molduras ancestrais como Van Gogh, Frida Kahlo, Aleijadinho e tantos outros…

Palavras como: armários, aparadores, artefatos, cristaleiras, mesas, cadeiras, oratórios, quadros, louças e outras miscelâneas… JAMAIS significarão o que dizem de forma rasa. Todos os talhos, riscos, pinceladas, madeiras e objetos das mais variadas formas são oportunidades de vivenciar épocas que se conectam. Muitas vezes uma única peça pode carregar um século de sentimentos apenas numa camada de verniz, em outras, abrem-nos as portas para conhecermos artesãos, que de tão perfeitos em suas oficinas, cremos ser impossíveis que sejam obras de mãos calejadas.



Lucio de Moraes e Maria José Bretas – Proprietários do Villa Azul

Porque não se pode tratar o lugar como um comércio comum? Se tudo que falei até agora não foi suficiente para ser uma resposta, então eis mais uma camada de verniz pós-moderno – Os proprietários Lucio de Moraes e Maria José Bretas são na verdade outro exemplo de como é difícil explicar o mundo por rótulos… pois não me parecem ser o que justifique a palavra “proprietários”. Eles são, para mim, CURADORES, porque conhecem com esmero a sutil subjetividade de cada peça que escolhem para Villa Azul… e mais…, vivem e fazem das suas vidas fragmentos da HISTÓRIA. Tive a oportunidade de observar isso ao ser convidado para conhecer a residência do casal… por lá, em meio a muitas obras de arte, pude apreciar uma indescritível coleção de Frida Kahlo pintada sobre madeira de demolição.

Quer ainda mais motivos para conhecer o local e tomar um café ao sabor de boa prosa cercado por inúmeros artistas? É inacreditável ver o zelo e cuidado com a certificação de tudo que está à venda – de objetos em madeiras de lei aos oriundos de recursos renováveis. Porém o mais inacreditável ainda é ver o esmero como isso se pratica no local.

Logo atrás do Villa Azul há uma horta orgânica – a Horta da Villa. O lugar é uma aula de como podemos conceber que o desenvolvimento seja sempre proclamado para nos dar o melhor do passado, presente e futuro. A horta simplesmente evoca toda a minha infância com um pomar no quintal, a minha crença no presente enraizada em cada cultura manejada com as mãos do jardineiro fiel e mais… muito mais meu caro leitor – o desejo de viver um futuro sem ter a saudade de um passado cada vez mais recente – isso porque o meu futuro deverá (ou deveria) preservar todas as fases da minha humilde história.

VIDA… “Me voilà!”.

Fachada Villa Azul – Móveis com Arte.
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