A proposta deste artigo é examinar alguns aspectos da presença do mau turista na cidade de Guarapari, a partir da forma como o mesmo se apresenta, sem, no entanto, entrar em generalizações. O que está sendo oferecido nesse texto, a título de reflexão, é um pensar mais crítico e profundo sobre o que representa esse turista reles, bem como descobrir como se dá seu agir na produção dos seus ruins exemplos.

Devemos alertar, antes de tudo, que essa coluna se trata de um exercício exploratório da ponderação e fomentação do tema proposto. É neste sentido que procuramos aqui uma chave de interpretação possível do lugar que os indecorosos turistas ocupam na trama das altas temporadas, feriadões, férias e feriados da cidade saúde.

O turismo não existe sem o turista. A palavra turista deriva do latim “tornare” e do grego “tornos”, significando uma volta ou círculo, ou seja, um movimento ao redor de um ponto central. Logo, o ato de partir para posteriormente voltar ao ponto inicial, e que empreende essa jornada, pode ser definido como turista.

De acordo com o dicionário, turistas são indivíduos que se deslocam dos seus lugares de origem para realizar uma viagem superior a 24 horas, motivados por situações diversas, como gozo de férias, lazer, descanso, eventos, atividades culturais, esportivas dentre outras. Vale dizer tamben que turismo não necessariamente pressupõe viagem, assim como um turista não é como o viajante. Em geral seu perfil é de alguém que busca por momentos de descanso e prazer.

É uma pessoa ativa e bem disposta, possui certa curiosidade para com o local de destino, disponibilidade de tempo e de recursos financeiros (independente do custo da viagem). Porém, o turista é responsável pelos impactos causados na suavatividade turística. O que o dicionário não diz, porém, é que às vezes os turistas podem ser muito irritantes. Como exemplo, separamos uma breve, mas precisa lista, com dez dos principais tipos de comportamentos de turistas que são inaceitáveis. Vejamos:

1. Jogar lixo na rua.
2. Dirigir de forma irresponsável.
3. Não ter compromisso com a limpeza e asseio da cidade.
4. Desrespeitar os vizinhos.
5. Ser descontrolado na ingestão da bebida.
6. Ligar o som do carro, casa, apartamento, etc., muito alto.
7. Tocar música de conteúdo imoral.
8. Usar droga.
9. Estacionar em locais proibidos.
10. Se envolver em brigas etc.

Todo mundo quer viajar, mas ao que se percebe, nem todo mundo está preparado para isso. É pontualmente, por razões como essas, que muitos pais passam a maior parte da alta temporada, verão etc., se limitando a sair o mínimo de casa com seus filhos; uma vez que lá fora, as pessoas estão descontroladas e dando um show de maus exemplos, jogando lixo em todos os lugares, com seus veículos tocando músicas pornográficas em volumes inaceitáveis, gente levando para a praia animais de estimação, bêbados no trânsito etc.

Tem muito morador local que infelizmente, também faz isso, é verdade. Essas coisas não são unicamente do script do outro, pois acontecem em toda parte. Mas nem por isso deve-se aceitar passivamente esse comportamento feio, nem no semelhante, nem em nós. Por outro lado, precisamos admitir também que nesses períodos do ano as ocorrências policiais aumentam de forma esmagadora, e principalmente por parte do turista abusado.

Abertamente, não precisamos desse tipo de turista aqui e nem em lugar algum. Ele representa o atraso e o injustificável. Esses não são turistas. São vândalos. O turista, por seu papel, é uma figura educada, civilizada e sociável. Nesse segundo caso, ele representa o desenvolvimento e a essência do real turismo. Convenhamos!

Junto com o mau turista, também vem a sujeira, as drogas, os desentendimentos e, em muitos casos, até os homicídios, comprometendo direta e tristemente, a boa imagem do balneário mais famoso do Espírito Santo, a boa qualidade de vida e a fama negativa em face da imprensa local e nacional, mas também perante o mundo. Quem tem memória boa, principalmente aqueles que moram aqui a mais tempo, ao ler esse último parágrafo, se verá forçado circunstancialmente a concordar com isso.

De maneira geral, há um repertório de turistas convencionais, já estereotipados com seus clichês culturais, maneiras e costumes, que é facilmente percebido pelo mau comportamento apresentado que trazem consigo. Estes mesmos procedimentos e condutas, não por acaso, tendem a se repetir com pouquíssimas variações, nas diferentes datas do ano. Sobre isso, convém dizer apenas, que é importante uma pequena dose de educação e urbanidade, de forma a evitar gafes e embaraços desnecessários quando em terras alheias.

A cidade de Guarapari é turística. Só por isso, ela precisa dos turistas. Temos um potencial. Possuímos um diferencial. Dispomos de belezas naturais incomparáveis. Só resta investir em dar mais suporte e fazer com que mais turistas possam vir para nossa cidade, girando a roda da economia e gerando empregos diretos. Como se pode ver, não somos inimigos dos turistas.

Mas também não desejamos a presença de qualquer turista aqui. Somos opositores ao mau turista, por entender que ele é prejudicial e nocivo ao bom, importante e significativo turismo local. Falamos por nós; pois, de longe, reconhecemos que há quem não se preocupe com nada disso, esquecendo que um pouco de fermento leveda toda a massa. Há “Turistas” e turistas. Almejamos um turista educado, polido, com intuição e tino.

De acordo com um relatório do World Travel & Tourism Council (WTTC) de julho/2016, o turismo cresce há cinco anos consecutivos mais do que a economia global, principalmente nos países em desenvolvimento. Mas adivinhe qual país não segue essa tendência? O Brasil. Desde 1998 o Brasil não sai da faixa dos 5 milhões de turistas. São 19 anos sem um turismo nacional que decole e consiga voar na velocidade de cruzeiro a MACH constante. Soma-se a isso, o ingrediente da presença do mau turista, e teremos uma péssima receita para o turismo local, e não somente.

Infelizmente percebemos a enorme demora e a grande dificuldade de uma necessária mudança de paradigma em relação ao nosso principal mercado de receita, que continua com a visão míope de explorar o turista, desviando-se de formas inteligentes e coerente de explorar o fantástico potencial turístico de nossa região.

A essa altura, fomentando ainda mais ainda o tema, é preciso dizer que é imperativo aprender a explorar o turismo, muito mais do que o próprio turista. Assim, já cabe fazer uma pergunta para o leitor, concluindo nossa abordagem: “O turista que Guarapari deseja, tem a cidade que o turista deseja?

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