Poucos hospitais brasileiros possuem algum tipo de “acreditação”, que é uma espécie de chancela de que a instituição opera dentro de padrões estabelecidos de qualidade e segurança.

Segundo a ANS (Agência Nacional de Saúde), em 2016, somente 131 hospitais particulares e públicos se destacam como centros de excelência internacional e possuem a mais importante certificação hospitalar do mundo, nos 27 estados brasileiros, quando foi feito o último senso hospitalar, num universo nacional de cerca de 6.500 hospitais públicos e particulares. O mesmo senso e avaliação são realizados de três em três anos, e são solicitados pela própria casa de saúde.

Ninguem sai por aí em busca de gente que teve uma experiência ruim em algum hospital da cidade, com a intenção de denegrir a imagem da instituição. Nosso objetivo aqui não é esse. O que realmente se recebe ao fazer isso é desafeto e dor de cabeça; e isso não há quem queira. Mas há que se dizer que as pessoas procuram as equipes jornalísticas para divulgar o que lhes aconteceu.

Se foi uma experiência ruim e é um fato comprovado, então, deve virar manchete e todos precisam saber, certamente na intenção de que o fato não se repita. O que não se pode fazer é silenciar diante da voz de quem teve uma experiência desagradável, e – igual a qualquer um – também tem sua voz e sua vez em falar tanto o que foi bom, quanto o que foi ruim. Os direitos são iguais e a liberdade de expressão é própria à todos.

Até onde se sabe, não há lei que obrigue nenhuma instituição hospitalar a buscar certificação. A mesma é feita por empresas externas encarregadas de avaliar centenas de processos em um hospital, como prontuários, taxa de infecção, capacitação de funcionários, atendimento nas maternidades, cirurgias, pós operatório, recepção, limpeza etc.

Tomemos como exemplo breve, os EUA e o Canadá; lá os governos e seguradoras de saúde exigem certificação dos hospitais com os quais firmarão contratos ou parcerias, onde os usuários e pacientes utilizam o selo como parâmetro para escolher o hospital que gostariam de ser atendidos e assistidos.

Não há nenhuma vantagem em ser acreditado no Brasil, e também não há nenhuma penalidade por não sê-lo. Isso fica a critério dos gestores de hospitais e da disponibilidade de seus recursos. Fato é que não há garantia de que a acreditação afete diretamente a qualidade hospitalar, mas ela pode servir como indicativo, no sentido de que o hospital deseja melhorar, e isso, seguramente, abre possibilidades de novas e boas práticas de gestão.

Dessa forma, aqueles que também tiveram uma boa experiência com as unidades hospitalares de Guarapari, devem ter, de modo semelhante, a mesma disponibilidade para contar sua experiência com o mesmo hospital, seja na UPA (Unidade Pronto Atendimento), no bairro Ipiranga, seja no Hospital São Pedro, no bairro Muquiçaba ou seja na HIFA (Hospital Francisco de Assis), na Praia do morro. Este último, recentemente, começou a receber várias reclamações de mulheres em trabalho de parto.

Se ninguém fala e nem relata suas experiências, não há fiscalização dos poderes público e privado, e os hospitais fazem o que querem. Podemos afirmar. Guarapari, “a cidade saúde”, não tem um histórico bom no tratamento da saúde de seus próprios filhos. A pouco tempo nossa cidade foi palco da morte de vários recém nascidos. Quem tem memória curta, não recorda disso.

Dessa forma, é muito importante a denúncia para os órgãos competentes e bem como a exposição pública por meio da mídia séria e comprometida com a verdade jornalística, com a intenção clara e coordenada de que a sociedade tenha conhecimento pleno e cristalino dos fatos que a circundam e com muita propriedade.

É preciso falar também que, ao se escrever sobre esse tema, não temos a pretensão de fazer com que todos os hospitais sejam acreditados. Guarapari só tem três hospitais, como dito. Existem hospitais bons e existem hospitais ruins.

Mas os padrões de um correto atendimento humano, um bom nível de segurança e uma boa atenção profissional dispensados ao paciente, somado a outros fatores não menos importantes, certamente que devem atingir a todas as redes hospitalares da cidade, sejam elas públicas ou não. Isso é relevante e absoluto.

Levemos em conta que a maioria esmagadora das reclamações passam pelo despreparo no atendimento humano. O paciente, sem dúvida, ganha mais segurança ao ser atendido em um hospital acreditado. Fica mais claro ainda que esse paciente terá mais segurança, com profissionais mais responsáveis e devidamente capacitados; mas sobretudo, “humanos, sociáveis e com um sorriso no rosto”.

Hoje, quando você procura um hospital ou uma clínica para ser atendido, você não tem uma referência concreta, além da opinião de pessoas. Então, escutemos com carinho o que cada um tem a nos dizer, conforme suas experiências pessoais, sem espaço para tendencionalismo, preferências pessoais e inclinações pré concebidas, buscando sempre apresentar nossas insatisfações e questionamentos aos cuidados de quem tem o poder efetivo de resolver.

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