Guarapari está entre as cidades que mais sofre com o impacto de perdas de empregos formais no Espírito Santo no período da pandemia do corona vírus. De acordo com Fernando Otávio Campos, Presidente do Consurt (Conselho de relações trabalhistas da Findes), o município registrou a perda de aproximadamente 1400 postos de trabalho, o que equivale a um índice até três vezes maior que as médias dos outros municípios.

Se comparado ao mesmo período no ano de 2019, “o impacto em termos comparativos é grande, e em termos relativos fechou mais postos de trabalho em relação a dezembro de 2019”, afirmou.

município registrou a perda de aproximadamente 1400 postos de trabalho, o que equivale a um índice até três vezes maior que as médias dos outros municípios.

Segundo dados disponibilizados pela Secretária do Trabalho/ME no dia 27 de maio, por meio do “Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados”, houve uma redução de 2,57% no total de empregos formais no Espírito Santo ao longo dos quatro meses do ano. Um saldo de 94.120 admissões ante 112.942 desligamentos. Somente o mês de abril registrou 17.881 postos celetistas a menos, o que equivale a 25% dos desligamentos registrados no ano.

De acordo com Fernando, em janeiro havia uma projeção de aumento de empregos, com muitos investimentos programados para os diversos setores que vão desde a construção civil até o turismo. “O setor de turismo estava comemorando que haveria muitos feriados, projetando um crescimento bem grande, houve investimentos nesse segmento, existia uma enorme expectativa”, afirmou.

Fernando Otávio Campos, Presidente do Consurt

As maiores perdas foram registradas pelas atividades diretamente ligadas ao setor de serviços como comércio, bares, turismo. Fernando chama atenção para um dado importante. “Se considerarmos que cada posto formal de trabalho tem um a dois empregos de terceiros, de MEI ou informais que foram desligados, o número de desempregados pode ir a quase 5 mil pessoas. Se considerarmos ainda uma média de três pessoas por família, aproximadamente 15 mil pessoas tiveram a renda totalmente eliminada ou reduzida”, afirmou.

Embora muitas empresas tenham preferido demitir, em função da instabilidade do mercado, segundo dados da Secretaria do Trabalho/Ministério da Economia, a Medida Provisória nº 936, de 01 de abril de 2020, foi importante para que as demissões não fossem ainda maiores. Algumas não resistiram e fecharam as portas. Segundo Fernando, a junta comercial não liberou um dado, mas no Espírito Santo, aproximadamente 5 mil encerraram suas atividades. “Acreditamos que aqui em torno de 5% das empresas”, afirmou.

O presidente do Consurt considera que há perspectivas de retomada de crescimento após a pandemia. “O que a gente sabe é que o efeito da pandemia tem que passar primeiro. Quando esse pico passar, as pessoas saberão que podem gastar, em que podem investir”. O setor da construção civil tem grandes possibilidades, pela garantia de investimento no imóvel. Os outros segmentos também têm alternativas. “O turismo, por exemplo precisa adotar os protocolos de segurança. Guarapari sempre foi muito mais forte pelo turismo regional, turismo rodoviário, em função da ligação com Minas. Esse turismo é o que vai crescer primeiro, com passagens aéreas caras, viagens para o exterior inviáveis, esse setor tem grandes perspectivas, desde que invista nos protocolos de segurança”, afirmou.

Pouco antes da entrevista, recebemos a notícia de que Guarapari passará por duas semanas de “lockdown” após as 19h. Segundo Fernando, no momento, essas restrições parciais são elogiáveis, pois não haverá grandes efeitos na economia. “O “lockdown” total é um desastre econômico, ele tem que ser evitado, mas evitar está muito mais numa questão de envolvimento e comportamento da sociedade, do que do poder público”, finalizou chamando atenção da população para as medidas de prevenção e afirmando que os empresários estão fazendo o possível para que não sejam necessárias tais medidas.