Na manhã desta quarta-feira (19) a Delegacia de Crimes Contra a Vida (DCCV) de Guarapari apresentou quatro homens envolvidos no tiroteio no bairro Adalberto Simão Nader que resultou na morte do menino Adriano Martins dos Santos, mais conhecido como “Galego”, de 6 anos, no dia 14 de fevereiro.

Os acusados são Tcharllis Michael Santos Lopes, mas conhecido como “Charlinho”, de 23 anos; Carlos Henrique Ferreira da Silva, o “Riquinho”, de 22 anos; Jeferson Vinício Silva Santos, o “Jefinho”, de 22 anos, e David William dos Santos Galo, de 20 anos.

David William dos Santos Galo; Jeferson Vinício Silva Santos, o Jefinho; Carlos Henrique Ferreira da Silva, o Riquinho, e Tcharllis Michael Santos Lopes, o Charlinho são os acusados pela morte do menino Adriano. (Da esquerda para a direita) Foto: Rafaela Patrício

O delegado da DCCV Tarik Souki relatou como tudo aconteceu. “Concluímos o inquérito que apura a morte dessa criança e na ocasião grupos rivais de traficantes se encontraram e entraram em confronto. O Tcharllis e seu comparsa Riquinho chegaram no bairro em um Corsa prata e efetuaram diversos disparos contra os seus rivais David Willian e Jeferson Henrique. Infelizmente, essa criança foi atingida com um tiro nas costas enquanto brincava na rua e evoluiu a óbito”.

Ele afirmou que não é possível saber quem foi o responsável pelo tiro que atingiu a criança. “Não foi possível identificar o calibre, nem o armamento nem o exato atirador porque na vítima há somente o orifício de entrada e o de saída. Não ficou nem projétil alojado no corpo. Porém, temos a absoluta certeza de que os quatro participaram do tiroteio e concorreram para o resultado, que foi a morte da criança, já que eles tinham a consciência e assumiram o risco de resultar na morte de alguém porque efetuaram vários disparos em uma rua cheia de gente”.

O delegado explicou ainda que eles foram intimados a dar explicações sobre o crime e três deles confessaram a participação no tiroteio. “O Riquinho falou que foi ao local armado e efetuou os disparos contra o David William, que também estava armado e confessou ter efetuado disparos contra Riquinho e David William estava com Jeferson Vinício, que confessou estar armado, mas alega não ter atirado. Já o Tcharllis alega que não estava no local do crime, mas foi reconhecido por outras pessoas como sendo o motorista do Corsa prata”.

Segundo o delegado, o tiroteio do dia 14 foi uma vingança. “Dias antes o David Willian tinha atentado contra a vida do Riquinho e esse foi o estopim do problema”.

Os quatro acusados estão presos no Centro de Detenção Provisória e vão responder por homicídio qualificado. A pena varia entre 12 e 30 anos de reclusão.

A reportagem do Portal 27 também ouviu os acusados. Tcharllis contou que morou no bairro e conhecia a vítima. Disse ainda que já tem passagem e foi expulso do Adalberto por Jeferson Vinício e David William e negou participação no crime. “Sou representante comercial e vendo frutos do mar. Não tenho nada a ver com isso. Fui preso com meio quilo de maconha. Eles falaram que estou envolvido, mas eu me apresentei espontaneamente. Eles admitiram dentro da unidade que não tenho nada a ver com isso então porque estou aqui? Vou ser indiciado e aguardar um ano ou dois para conversar com um juiz para ser provado que não tenho envolvimento com isso?”.

Já Jeferson e David confirmaram a participação no tiroteio, mas afirmam que os culpados pela morte do menino são os rivais. “Houve a troca de tiros, mas quem pegou de errado foram eles que subiram para dar ataque em favela cinco horas da tarde, no horário em que está todo mundo saindo da escola”, disse Jeferson. 

David afirmou que era padrinho da vítima e negou ter atirado no garoto. “O irmão do Adriano estava junto comigo no local. Tinha ido comprar pipa com ele. Querem uma prova melhor que o irmão da criança? O Adriano era o meu afilhado”.

Riquinho, que foi acusado inicialmente de ser o responsável pela morte de galego, afirmou que só atirou para o alto. “Passei e eles dispararam em cima do carro. O Inquérito mostra isso. Lógico que eles não vão falar que foram eles que acertaram. Vão colocar o nome de alguém e os moradores não falam que foram eles porque eles são donos do morro. Depois falaram o meu nome. Eles falaram para a polícia que nós paramos o carro e disparamos, mas nós nem paramos. Dei disparos para o alto”.

Os quatro acusados estão presos no Centro de Detenção Provisória e de acordo com o delegado, vão responder por homicídio qualificado. A pena varia entre 12 e 30 anos de reclusão.

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