Conforme foi anunciado, o Portal 27 vai estar mais próximo do cidadão com o projeto Portal 27 Comunidades. E na primeira reportagem, nossa equipe visitou Santa Mônica. O bairro de maior extensão territorial dentro da área urbana tem cerca de 11 mil habitantes e sofre com problemas antigos como a falta de saneamento básico e de vagas em creches.

Na década de 1980 o bairro Santa Mônica era o destino certo para muita gente que passava o Carnaval na cidade. O Barari era o “point” nesta época e o bairro era constituído basicamente de casas de veraneio e poucos habitantes fixos viviam ali.

A partir dos anos 90 a população começou a aumentar e sem os investimentos necessários do poder público os problemas sociais foram se agravando. O comércio hoje passa por uma fase de expansão. Serviços, que antes só eram encontrados em bairros mais próximos do Centro, hoje já existem na região.

Mas, apesar do crescimento populacional, do comércio e da prestação de serviços, a região sofre com a ausência de infraestrutura do poder público. O presidente de uma das associações de Santa Mônica (por conta da extensão do bairro existem duas), Denizart Luiz do Nascimento,  apontou para a reportagem do Portal 27 os maiores problemas do bairro.

Saneamento básico

Apesar de antigo e extenso, o bairro ainda não possui rede de coleta de esgoto. A maioria das residências ainda precisam construir fossa séptica para dar destinação ao esgoto. E existem aqueles que optam pela solução mais fácil e poluidora. Ligam o esgoto das casas na rede de drenagem pluvial. O problema se evidencia nas areias da Praia de Santa Mônica.

Esgoto flui para as areias de Santa Mônica. Foto: João Thomazelli/Portal 27
Esgoto flui para as areias de Santa Mônica. Foto: João Thomazelli/Portal 27

Ao longo da orla existem seis pontos onde o esgoto é jogado na praia, e ali só deveria sair água da chuva. Apesar da prefeitura afirmar que as águas da praia são próprias para o banho, as areias ficam poluídas, e os frequentadores evitam estas áreas, prejudicando o comércio local.

“Já veio gente aqui fazendo medições para o projeto de colocação da rede de esgoto, pelo menos em uma parte do bairro, mas acho difícil que saia do papel por causa da falta de recursos”, lamenta Denizart.

O presidente diz que uma ação de fiscalização da prefeitura junto às residências que jogam esgoto nas redes de água pluvial seria um bom começo para acabar com a poluição das areias da Praia de Santa Mônica.

Poluição

Além da falta de redes coletoras de esgoto no bairro, outro problema que afeta a Praia de Santa Mônica é a poluição dos dois rios que desaguam, um em cada ponta da praia. De um lado está o Rio Perocão, que recebe esgoto de vários bairros do município e desemboca em um dos extremos da praia. A poluição do rio já foi tema de reportagem do Portal 27, mas o problema persiste.

O valão que passa por vários bairros de Guarapari desemboca no rio Perocão e contamina a Praia de Santa Mônica. Foto: João Thomazelli/Portal 27
O valão que passa por vários bairros de Guarapari desemboca no rio Perocão e contamina a Praia de Santa Mônica. Foto: João Thomazelli/Portal 27

No outro extremo da praia está a desembocadura do Rio Una. Também afligido pela poluição, o rio recebe uma descarga de material até agora misterioso que em várias ocasiões matou peixes e mariscos. Hoje onde o rio deságua não há mais vida marinha.

Recebendo esgoto e material tóxico dos dois lados, a Praia de Santa Mônica, que é naturalmente um berçário para várias espécies de peixes e visitado constantemente por golfinhos e tartarugas, aos poucos vai morrendo.

Para termos uma resposta sobre os problemas, procuramos a Prefeitura, que afirmou que quer ajuda para fiscalizar. “O problema na localidade ocorre em função da falta da consciência ambiental de moradores e comerciantes da própria localidade que realizam ligações irregulares na rede de drenagem pluvial. Através das Secretarias de Obras, Fiscalização e Meio Ambiente, o Município vêm tentando combater tal prática, entretanto, há dificuldade em identificar os infratores. Assim, a Prefeitura conta com os denunciantes para identificar os infratores, visando maior efetividade na solução do caso. Denúncias podem ser realizadas através do telefone 3362-9423 (Sec. Meio Ambiente)

Saúde

A saúde do bairro Santa Mônica também é um ponto delicado. Existe apenas um posto de saúde, com um médico para atender mais de oito mil moradores cadastrados. Não há atendimento de dentista e o programa Saúde da Família não consegue atender a todas as áreas do bairro.

“E ainda querem construir mais um projeto Minha Casa, Minha Vida aqui. O bairro não tem infraestrutura para atender quem mora aqui, imagina trazer centenas de outras famílias para viverem em um lugar onde já falta o básico! Somos contra a construção do condomínio aqui”, disse Denizart.

A prefeitura, em nota confirmou que há somente um médico na Unidade de Saúde da Família de Santa Mônica. O quadro de funcionários, (1 médico, 1 técnico em enfermagem, 1 enfermeiro e 9 agentes de saúde) faz parte da Equipe de Saúde da Família que atende no local e estaria de acordo, pelas normas, com o número populacional , porém os dados são de 2013. Na estatística, consta que exitem 3.037 habitantes (Estimativa Populacional do PECAPS – Programa Estadual de Co-Financiamento da Atenção Primária à Saúde – 2013 e que essa quantidade de profissionais que estão contratados para atender a comunidade, estaria de acordo também, já que “cada equipe de Estratégia de Saúde da Família se responsabiliza pelo acompanhamento de 3.000 a 4.500 pessoas, ou 1.000 famílias de uma determinada área, e estas passam a ter co-responsabilidade no cuidado à saúde”. A questão que é a população cresceu e a demanda também.

Educação

Outra reivindicação dos moradores é o aumento no número de vagas na educação infantil. Não existem creches de tempo integral, apenas meio período. “São 169 crianças que esperam uma creche em tempo integral. O que ajuda é uma ONG que oferece este serviço, mas da prefeitura não tem”, relatou Denizart.

De acordo com a Secretaria Municipal de Educação há uma lista de espera de acordo com a idade da criança. A creche localizada no bairro Santa Mônica comporta 290 crianças, sendo 26 em tempo integral e 264 em tempo parcial.”

Mas o presidente faz uma ressalva: “A EMEF – Escola Municipal de Ensino Fundamental Marinalva Aragão Amorim começou a ter aulas em período integral, o que é muito bom. “São centenas de crianças que não ficam nas ruas aprendendo coisas que não prestam. Temos que elogiar a ideia”, finalizou Denizart.

“A escola em tempo integral é um desafio, pois não se trata somente em ampliar a permanência dos jovens e adolescentes na escola, mas, sim, reestruturar as bases do tempo/aprendizagem, oportunizando uma formação humanista e de inclusão social, ampliando a oportunidade de aprendizagem desses mesmos jovens e adolescentes.”, encerrou a Prefeitura.

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