Neste verão banhistas tiveram que disputar cada centímetro nas areias das praias de Guarapari. A estimativa é que só no carnaval a cidade tenha recebido mais de 400 mil pessoas. Por isso, a prefeitura quer vetar o uso de tendas nas praias em 2019, e de acordo com turistas, a proibição para o próximo ano já está sendo divulgada pelas praias através de panfletos e carro de som.

A prefeitura quer vetar o uso de tendas nos balneários em 2019,

Rodrigo Oliveira, que aluga cadeiras e ombrelones na praia, apoia a atitude da administração municipal. Para ele as tendas causam transtornos na praia. “A tenda ocupa muito espaço, ocupa o lugar de 4 guarda-sóis. E muitas vezes tem poucas pessoas de baixo dela. Na quarta-feira de cinzas mesmo, tinha uma tenda com 2 adultos e duas crianças, e o pessoal não tinha nem onde colocar mais um guarda-sol na areia. Se eles estivessem de guarda-sol iam ocupar somente o espaço necessário”, comenta Rodrigo.

Ele fala também que muitas vezes as tendas ficam montadas e vazias, ocupando o espaço de quem quer aproveitar a praia. “Os condomínios montam as tendas bem cedo, para guardar o lugar, e os turistas descem mais tarde. E a tenda fica vazia, só ocupando lugar. E o resto do pessoal, se sobrar espaço, fica na areia, se não sobrar, vai ter que ficar no asfalto mesmo”, diz Rodrigo.

A proibição das tendas nas prais em 2019 não agradou turistas.

A medida não agradou uma família de turistas de Ouro Preto, Minas Gerias, que curtiam a sombra de uma tenda na Praia da Castanheiras. A turista, Tatiana Mansur, fala que para uma família grande como a dela este abrigo ocuparia o mesmo espaço que vários ombrelones. “Se for uma tenda para poucas pessoas, a gente até entende que causa prejuízos para a cidade. Mas para família como a nossa, se usássemos sombrinhas teríamos que ter no mínimo 4, o que sairia mais caro para nós e ocuparia até mais espaço que uma tenda, além de ser desconfortável”, fala Tatiana.

Para ela, essa medida vai afastar o turista da cidade. “Parece que cada dia mais vão tirando as pessoas das praias, tirando os turistas. Nós passamos nossas férias aqui, gastamos, consumimos, trazemos lucro para cá. Parece que cada vez mais eles colocam empecilhos para gente não vir. Se no ano que vem eu não puder por minha tenda na areia, eu sinceramente não venho para cá, vou procurar outra praia”, afirma a turista.

O Portal 27 procurou a prefeitura, que através de nota, informou que “A Secretaria Municipal de Postura e Trânsito informa que a impossibilidade de utilização contínua de tendas e ombrelones faz parte do planejamento do verão 2018/2019, que tem como objetivo o ordenamento e a democratização do uso dos espaços das areias das praias do município, especialmente em razão do grande fluxo de turistas nos períodos de férias e feriados. Com isso, o município visa atender a solicitação do SPU de evitar a ocupação irregular das praias, área da União, “bem de uso comum do povo”.

De acordo com o art. 11, §4° da Lei 9636/98, “Constitui obrigação do Poder Público federal, estadual e municipal, observada a legislação específica vigente, zelar pela manutenção das áreas de preservação ambiental, das necessárias à proteção dos ecossistemas naturais e de uso comum do povo, independentemente da celebração de convênio para esse fim”.

A Legislação Municipal que contemplará as medidas que serão adotadas para o verão 2018/2019, está sendo gestada. Inclusive, haverá previsão de liberação do uso desses equipamentos em algumas datas.  Outros detalhes serão divulgados após a finalização dos estudos e legislação. 

Todavia, a fim de orientar os moradores e turistas, a Prefeitura fez questão de divulgar o fato, pois zela pela transparência e a organização de nossa cidade“, afirmou a prefeitura.

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