Moradores de Guarapari se reuniram neste sábado para protestar contra o gasto com as obras de reforma da orla da Praia do Morro, projeto do prefeito Edson Magalhães. O ato começou às 9h da manhã, e reuniu moradores de diferentes bairros, além de vereadores do município.

Quem protestava, disse que faltou diálogo do poder público com a população, já que outras obras e até mesmo outras áreas estão carentes de recursos, enquanto a orla da Praia do Morro não se encontra tão precária afim de destinar o investimento de mais de R$ 5 milhões.

Fabiana fala sobre a necessidade de se construir saúde.

Fabíola Walter, que perdeu o filho de 13 anos no ano passado após buscar atendimento médico, declara que a saúde deveria ser tratada como prioridade.

“Esse dinheiro precisa ser revertido para outras áreas. Meu filho foi uma das vítimas que faleceu por falta de recursos. O município não pôde oferecer o serviço que ele precisava e ele morreu. Falta aparelhos para mães, falta ambulância com UTI para transferência dos casos gravíssimos para os hospitais. E vem esse gasto absurdo. Destruir algo que está pronto para fazer uma obra de luxo. A vida precisa ser prioridade”, declarou ela.

O vereador Rogério Zanon, que participou da manifestação, declara que apesar do dinheiro estar empregado na Secretaria Municipal de Obras, o montante pode ser transferido para a área de maior prioridade.

O problema, segundo o parlamentar, é que não está havendo prioridades. “Não somos contra obras, não estamos aqui contra a reforma. O problema é gastar milhões para fazer algo que já está pronto. Precisamos cobrir as prioridades”, declarou ele.

O vereador Thiago Paterlini comentou sobre a importância da participação popular em decisões que envolvem os recursos públicos. “O edital do prefeito contemplava um gasto de quase R$ 8 milhões, e em virtude da própria manifestação popular, ela chegou a R$ 5,3 milhões. A orla precisava na verdade de manutenção ao longo dos anos. Nós somos a favor da manutenção e contra a reforma desnecessária”, completou.

O vereador Denizart do Nascimento declarou que é preciso construir prioridades para o município. “É necessário nos manifestar. O prefeito não pode fazer o que quer. Precisamos nos unir para que os investimentos sejam aplicados onde realmente há necessidade. A orla de Santa Mônica continua parada. Meaípe nem começou. Unidades de Saúde paradas. Precisamos construir saúde, educação”, completa o parlamentar.

O presidente Enis Soares esteve presente no ato, e também desabafou sua indignação com a falta de diálogo. “O prefeito precisa ouvir a população para saber realmente o que é prioridade. É preciso respeitar a necessidade do nosso povo. Quem precisa são eles. Não adianta focar na praia para o turismo, e não ter saúde de qualidade para atender esses turistas”.

Obras. As obras tiveram início na terça-feira (25). A empresa responsável pela obra, a Splendor Empreendimentos Imobiliários Ltda, começou com a demolição dos banheiros. No dia seguinte, um trator destruiu a Praça da Paz. A obra foi orçada em R$ 5.338.371,58.

Na obra estão incluídas a edificação de novos banheiros, guarda-corpo, revitalização da ciclovia, calçadão e quiosques. A prefeitura explicou que a revitalização da orla se faz necessária para conservação dos bens públicos, visando melhorar a qualidade de vida dos moradores e turistas.

Veja o que os vereadores disseram:

 

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